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	<title>José Luiz Oliveira de Almeida &#187; Crônicas</title>
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		<title>Açucar e café para o velório</title>
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		<pubDate>Wed, 09 May 2012 11:21:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Jose Luiz Oliveira de Almeida</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas]]></category>

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		<description><![CDATA[Fui juiz criminal por mais de vinte anos, em Imperatriz e São Luis. Ao assumir  a  segunda instância, passei a integrar uma Câmara Criminal, há mais de dois anos, portanto. Vê-se, assim, que pelo menos experiência tenho bastante para fazer as reflexões que faço a seguir. Com a experiência acumulada durante tanto tempo  em face]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class="bottomcontainerBox" style="background-color:#F0F4F9;">
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<p style="text-align: justify;">Ao assumir  a  segunda instância, passei a integrar uma Câmara Criminal, há mais de dois anos, portanto.</p>
<p style="text-align: justify;">Vê-se, assim, que pelo menos experiência tenho bastante para fazer as reflexões que faço a seguir.</p>
<p style="text-align: justify;">Com a experiência acumulada durante tanto tempo  em face das questões criminais, posso afirmar, sem hesitação, que uma das causas da criminalidade é, sim, a quase certeza da impunidade, nos que se refere aos, digamos, pequenos meliantes,  e a convicção dela, em face da, digamos, grande criminalidade.</p>
<p style="text-align: justify;">Não é por outra razão que os assaltos se multiplicam, muitos dos quais à luz do dia, sem mais surpreender. Não é por outra razão, outrossim, que os meliantes das classes mais favorecidas continuam &#8220;assaltando&#8221; os cofres públicos, a inviabilizar programas essenciais de interesse da coletividade.</p>
<p style="text-align: justify;">Todos sabem &#8211; do pequeno ao grande meliante &#8211; que punição é uma loteria e que só mesmo por falta de sorte responderão pelos crimes que eventualmente cometam.</p>
<p style="text-align: justify;">Nesse cenário, não adiante exacerbar as reprimendas penais. Da mesma forma, não adiante criar novas figuras penais, se elas não saem, em face da maioria dos crimes, de sua abstração.</p>
<p style="text-align: justify;">O ideal mesmo seria que todos que cometessem crimes tivessem a certeza de que em face deles seriam punidos. Não é o que ocorre, entrementes.</p>
<p style="text-align: justify;">A verdade é que, como está, de nada valerá a reforma penal que se limitar a criar novas figuras típicas ou que exasperem as penas.em face, repito, do sentimento, da sensação da impunidade; sensação que, não raro, desestimula a noticia dos fatos criminosos pelas próprias.</p>
<p style="text-align: justify;">Recordo que, ao tempo em que atuava na 7ª Vara Criminal, condenei um assaltante que havia roubado,  várias vezes -  por cinco ou sete vezes vezes , não me recordo bem -  a mesma vítima, no mesmo lugar, nas mesmas condições &#8211; à luz do dia, à vista de todos, sem enleio, sem receio, descaradamente, sem sequer se preocupar em esconder o rosto.</p>
<p style="text-align: justify;">Lembro de ter ouvido da dona do comércio que quando avistava o meliante à distância, dirigindo-se ao seu comércio, se limitava a pedir a Deus que ele se decidisse apenas pela subtração dos bens materiais e que  não lhe fizesse nenhum mal, pois tinha uma família que precisa dela.</p>
<p style="text-align: justify;">Intrigado com a petulância do assaltante, indaguei-lhe, no interrogatório, por que assaltar a mesma vítima tantas vezes, ao que me respondeu, candidamente, que o fazia porque, até então, não tinha sido punido, mas que, doravante, pretendia mudar de vida, em face da informação que tivera, ainda na Delegacia, de que, estando em minhas mãos, seguramente seria punido.</p>
<p style="text-align: justify;">A dono do comércio reconheceu o meliante, que, claro, foi condenado. Só que, infelizmente, ela não teve mais condições de trabalhar, abalada psicologicamente em face dos crimes que a vitimaram durante tanto tempo.</p>
<p style="text-align: justify;">Esse fato serve para reafirmar a minha convicção de que a criminalidade não refluirá se os criminosos não tiverem a certeza de que serão punidos.</p>
<p style="text-align: justify;">Os prefeitos municipais, da mesma forma,  enquanto tiverem a certeza de que podem usar o dinheiro público como bem lhes aprouver, também não refluirão. A certeza que eles têm  de que nada lhes acontecerá é o estímulo que precisam para continuar promovendo desvio de verbas públicas, convindo anotar que desse desvio se benefecia todaa &#8211; ou parte relevante -  a sua entourage.</p>
<p style="text-align: justify;">No caso dos prefeitos municipais, o que é mais lamentável, é que, culturalmente, a população acha normal que ele &#8211; e  grande parte dos acólitos -  enriqueça no exercício do cargo, ainda que, em face dos desvios de verbas, receba apenas as migalhas, traduzidas numa garrafa de cachaça, num passagem de ônibus, no café e no açucar para um velório ou no  aviamento de uma receita.</p>
<p style="text-align: justify;">PS. Reconheço que, especialmente no que se refere ao prefeitos municipais, aqui mencionados a guisa de exemplo,  há exceções &#8211; e muitas. Refiro-me, pois, aos maus administradores, no sentido amplo da palavra, pois que, fosse diferente, estaria sendo leviano; e leviandade, definitivamente,  é incompatível com o exercício da magistratura.</p>
<p style="text-align: justify;">
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		<title>Cuidado com a primeira impressão</title>
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		<pubDate>Sat, 05 May 2012 19:57:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Jose Luiz Oliveira de Almeida</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas]]></category>

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		<description><![CDATA[Não há ninguém que não tenha sido traído pela primeira impressão. É comum – mais do que comum – ouvirmos pessoas se penitenciando em face da primeira impressão, do primeiro julgamento. Eu mesmo já fui vítima da primeira impressão, do conceito precipitado. Eu mesmo já me antecipei num julgamento precipitado do meu semelhante, levado pela]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class="bottomcontainerBox" style="background-color:#F0F4F9;">
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			</div><div style="clear:both"></div><div style="padding-bottom:4px;"></div><p style="text-align: justify;"><a href="http://joseluizalmeida.com/wp-content/uploads/2012/05/download.jpg"><img class="alignleft size-thumbnail wp-image-12454" title="download" src="http://joseluizalmeida.com/wp-content/uploads/2012/05/download-150x150.jpg" alt="" width="150" height="150" /></a>Não há ninguém que não tenha sido traído pela primeira impressão. É comum – mais do que comum – <a href="http://joseluizalmeida.com/wp-content/uploads/2012/05/d.pedro1_.bmp.jpg"><img class="alignright size-thumbnail wp-image-12455" title="d.pedro1.bmp" src="http://joseluizalmeida.com/wp-content/uploads/2012/05/d.pedro1_.bmp-150x150.jpg" alt="" width="150" height="150" /></a>ouvirmos pessoas se penitenciando em face da primeira impressão, do primeiro julgamento. Eu mesmo já fui vítima da primeira impressão, do conceito precipitado. Eu mesmo já me antecipei num julgamento precipitado do meu semelhante, levado pela primeira impressão.</p>
<p style="text-align: justify;">A verdade é que muitos só deixam patenteada a sua verdadeira personalidade – para o ou bem ou para o mal – depois de algum tempo de convivência, daí a reafirmação de que não devemos nos precipitar no primeiro julgamento.</p>
<p style="text-align: justify;">Há incontáveis episódios enolvendo, por exemplo, casais de namorado que, a despeito dos vários anos de convivência anterior ao enlace matrimonial, só conheceram o parceiro, na sua essência, depois de conviverem sob o mesmo teto, daí, em muitos casos, a inevitabilidade da separação.</p>
<p style="text-align: justify;">Convenhamos, se, a despeito dos vários anos de convivência ainda é possível se surpreender com a verdadeira personalidade do consorte, o que dizer, então, quando o julgamento é feito ao primeiro contato?</p>
<p style="text-align: justify;">É de bom tom, pois, que não nos precipitemos quando do primeiro contato, para não incidirmos no erro de julgar equivocadamente o semelhante, como o fez, por exemplo, a princesa Leopoldina, que se deixou contaminar pela primeira impressão que teve de D. Pedro, que imaginou ser um princípe encantado e não o homem rude e infiel que se mostrou depois.</p>
<p style="text-align: justify;">D. Leopoldina, a propósito, em carta datada de 08 de novembro de 1817, contou à irmã – claro que precipitadamente, que D. Pedro não era apenas lindo, mas também bom e compreensivo, para, depois, em 07 de dezembro de 1817, escrever ao pai dizendo que D. Pedro tinha o caráter bastante exaltado, lhe sendo odiosa qualquer coisa que denotasse liberdade, para, alfim, dizer que, diante dessa situação, só lhe restava “observar calada e chorar em silêncio”.</p>
<p style="text-align: justify;">Nunca é demais, pois, ter cuidado com o primeiro julgamento, com a primeira impressão, pois você pode estar redondamente equivocado.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>A luta contra a impunidade não pode ser pontual</title>
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		<pubDate>Wed, 25 Apr 2012 18:23:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Jose Luiz Oliveira de Almeida</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas]]></category>

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		<description><![CDATA[O filme eu já conheço.  Basta que um crime tenha repercussão, em face da expressão da vítima,  e volta-se a falar de impunidade, sentimento que parece adormecido, quando as vítimas são pessoas não destacadas da comunidade. Mas é compreensível &#8211; e até bom &#8211;  que assim o seja, para despertar, pelo menos eventualmente, esse sentimento]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class="bottomcontainerBox" style="background-color:#F0F4F9;">
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			</div><div style="clear:both"></div><div style="padding-bottom:4px;"></div><p style="text-align: justify;"><a href="http://joseluizalmeida.com/wp-content/uploads/2012/04/IMPUNIDADE-II.jpg"><img class="alignleft size-thumbnail wp-image-12345" title="IMPUNIDADE II" src="http://joseluizalmeida.com/wp-content/uploads/2012/04/IMPUNIDADE-II-150x150.jpg" alt="" width="150" height="150" /></a>O filme eu já conheço.  Basta que um crime tenha repercussão, em face da expressão da vítima,  e volta-se a falar de impunidade, sentimento que parece adormecido, quando as vítimas são pessoas não destacadas da comunidade. Mas é compreensível &#8211; e até bom &#8211;  que assim o seja, para despertar, pelo menos eventualmente, esse sentimento que é, para mim, um dos mais relevantes estímulos à criminalidade, vez que,  sentimento inverso, todos sabem, é fator de reconhecida inibição das ações criminosas.</p>
<p style="text-align: justify;">Mata-se todos os dias, assalta-se a toda hora,  dilapidam-se o patrimônio público a olhos vistos, enriquece-se ilicitamente, mas não se vê nenhuma manifestação, de quem quer que seja, acerca desses crimes, cujas vítimas &#8211; parentes das vítimas e a sociedade como um todo -, descrentes, já não esboçam a mais mínima reação.</p>
<p style="text-align: justify;">Nesse sentido, importa consignar que, muitas vezes, em face dos crimes contra o patrimônio, por exemplo, as vítimas sequer denunciam a sua ocorrência, pois não acreditam mais na ação dos órgãos persecutórios. O mesmo se verifica em face dos desvios de dinheiro público, que, infelizmente, são uma praga que se dissemina à vista de todos, com efeitos mais do que deletérios para o conjunto da sociedade, sem que se veja, no entanto,   essa mesma sociedade se mobilizando em  face dessa questão.; quando o faz, o faz acanhadamente,  timidamente, como se viu recentemente nas   tímidas manifestações  em face da corrupção  que  permeia a vida pública no nosso país.</p>
<p style="text-align: justify;">Como disse acima,  somente quando o crime atinge, diretamente, uma pessoa destacada, volta-se a falar de impunidade, em insegurança e em fragilidade das nossas instituições, quando o recomendável, o desejável seria que, todos os dias, cada um de nós cobrasse dos agentes públicos uma postura prospectiva no sentido de punir os criminosos, sejam quais forem a sua origem e sejam quais forem as vítimas de sua ação.</p>
<p style="text-align: justify;">Em verdade, a sensação de impunidade é um péssimo sentimento, pois, além de estimular os que têm propensão para o ilícito, ainda estimula o exercício da autotutela dos que não têm essa mesma propensão, mas que se vêem obrigados a  (re) agir em sua defesa e de seu patrimônio, em face da omissão do Estado.</p>
<p style="text-align: justify;">Compreendo que todo dia é dia de combater a violência, de combater a corrupção e outros crimes que infernizam a vida das pessoas de bem. Esse deve ser um objetivo permanente de todos e especialmente dos que representam as instituições responsáveis pela persecução criminal.</p>
<p style="text-align: justify;">A sociedade, cansada de impunidade, clama por justiça. Nós, magistrados, da mesma forma, também sofremos as consequências da impunidade, e, da mesma forma, também clamamos por justiça. Só que, diferente de muitos, essa é uma preocupação constante.</p>
<p style="text-align: justify;">Todos os crimes, sejam quais forem as vítimas, deveriam merecer do Estado a mesma pertinácia que se vê quando o crime atinge pessoas destacadas.</p>
<p style="text-align: justify;">Muito provavelmente os mandantes do crime que ceifou a vida do jornalista Décia Sá serão identificados &#8211; e punidos. E  é bom mesmo que sejam, para desestimular esse tipo de prática. Mas esse obstinação das instâncias formais responsáveis pela persecução criminal não pode ser pontual, casuística, condicionada ao destaque da vítima ou à gravidade e repercussão do ilícito.</p>
<p style="text-align: justify;">O que acontecerá com os responsáveis pela morte de Décio Sá será  o mesmo que ocorreu com os  que assassinaram  a juíza Patrícia Aciole no Rio de Janeiro: não ficarão impunes, tendo em vista que, num caso e noutro, o Estado envidará todos os esforços para identificar e punir os responsáveis pelos crimes. Não é isso, inobstante, que ocorre de regra. Como regra o que preponderá mesmo é a impunidade, em face da omissão das instâncias de persecução, as quais, repito, não podem agir ao sabor das circunstâncias, como se os outros viventes não merecessem do Estado qualquer consideração.</p>
<p style="text-align: justify;">Vamos  botar o &#8220;bloco&#8221; não! Vamos unir nossas forças! Vamos, juntos, combater a criminalidade! Vamos dar um basta nesse grave sensação de impunidade. Mas vamos fazer sempre, independentemente de quem tenha sido a vítima.</p>
<p style="text-align: justify;">Que se prenda e puna, sim, os assassinos de Décio Sá. Mas que se prenda e puna, também, os assassinos de José,  de Pedro, de Manuel, de Maria e de João.</p>
<p style="text-align: justify;">
]]></content:encoded>
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		<title>O poder fascina</title>
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		<pubDate>Sun, 25 Mar 2012 13:08:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Jose Luiz Oliveira de Almeida</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas]]></category>

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		<description><![CDATA[Por que será que as pessoas, no Poder, costumam, de regra, se deixar levar  pelo fascínio &#8211; desse mesmo Poder &#8211; e se mostram incapazes de resistir às suas tentações? Por que será que  &#8221;os fora do Poder &#8221; costumam ser críticos vorazes dos que, no Poder, não são capazes de resistir ao seu fascínio,]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class="bottomcontainerBox" style="background-color:#F0F4F9;">
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<p style="text-align: justify;">Por que será que  &#8221;os fora do Poder &#8221; costumam ser críticos vorazes dos que, no Poder, não são capazes de resistir ao seu fascínio, mas,  quando ascendem a esse mesmo Poder, esquecem as lições de ética que julgam ter aprendido  para, da mesma forma,   jogar na lata do lixo, sem o menor escrúpulo, os preceitos éticos e morais que tanto apregoavam?</p>
<p style="text-align: justify;">Faço a mim &#8211;  e aos leitores desse blog &#8211; essas indagações, depois de ter lido alguns articulistas nacionais, fazendo menção aos &#8220;deslizes&#8221; do senador Demóstenes Torres tido e havido como um dos éticos do Congresso Nacional.</p>
<p style="text-align: justify;">Será que, definitivamente, somos todos iguais?</p>
<p style="text-align: justify;">Será que não escapa  pelo menos um para servir de referência?</p>
<p style="text-align: justify;">Fico pensando que, a cada deslize dos que fazem apologia da ética e da retidão, -e  diante da quase certeza da impunidade &#8211;  muitos são os que ficam apenas esperando a sua vez, fingindo-se de ético,   para  pegar o seu bocado.</p>
<p style="text-align: justify;">Fico pensando, ademais, que, cada vez que um ético &#8220;cai&#8221;, os que já &#8220;caíram&#8221;  -  ou os que já ascenderam ao poder com a moral a nível do chão &#8211;  fazem a festa, com a sensação, para eles alentadora, de que, afinal, somos todos iguais.</p>
<p style="text-align: justify;">Eu gostaria muito de estar errado nessas reflexões.</p>
<p style="text-align: justify;">Eu gostaria muito que exemplos como o do senador Demóstenes Torres &#8211; a serem verdadeiras, claro, as acusações veiculadas na imprensa &#8211; não desestimulassem os mais novos.</p>
<p style="text-align: justify;">Eu gostaria muito que todos que ascendessem ao Poder com um discurso moralista, fossem capazes de colocá-lo em prática.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>O que é ser normal?</title>
		<link>http://joseluizalmeida.com/2012/02/16/o-que-e-ser-normal/</link>
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		<pubDate>Thu, 16 Feb 2012 11:30:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Jose Luiz Oliveira de Almeida</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas]]></category>

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		<description><![CDATA[Quanto mais conhecemos a estrutura e o funcionamento do cérebro e seus milhões de neurônios, mais nos damos conta do quão difícil é definir quem é normal, o que é ser normal. O mais  grave é que os  paradigmas para definir quem é normal somos nós mesmos. Assim é que só podemos concluir que alguém]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class="bottomcontainerBox" style="background-color:#F0F4F9;">
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<p style="text-align: justify;">O mais  grave é que os  paradigmas para definir quem é normal somos nós mesmos.</p>
<p style="text-align: justify;">Assim é que só podemos concluir que alguém não é normal se concluirmos que somos normais.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas aí vem a indagação: e se o paradigma for anormal?</p>
<p style="text-align: justify;">Outra indagação, inevitável: se quem se julga normal é anormal,  mas imagina-se normal, o objeto  da cognição  é normal ou anormal?</p>
<p style="text-align: justify;">Veja só que confusão!</p>
<p style="text-align: justify;">Eu, muitas vezes, cá do meu canto, testemunho as atitudes de um semelhante e julgo-as  de pessoa anormal; portanto, o sujeito da ação é anormal, desde o meu ponto de observação.</p>
<p style="text-align: justify;">É preciso reafirmar, nada obstante, que só posso concluir que  o semelhante é anormal porque me julgo normal.</p>
<p style="text-align: justify;">E quem garante que eu sou normal?</p>
<p style="text-align: justify;">É forçoso indagar: posso concluir pela anormalidade de alguém se nem eu mesmo sei se sou normal, se posso ser normal apenas e tão somente em face das minhas próprias avaliações?</p>
<p style="text-align: justify;">O que é ser normal, finalmente?</p>
<p style="text-align: justify;">Confesso que não sei. Só  sei que quem faz reflexões do tipo das que faço agora, sem lógica e sem nexo, só pode mesmo ser anormal.</p>
<p style="text-align: justify;">Então, eu sou anormal!</p>
<p style="text-align: justify;">E você, que perdeu tempo lendo estas bobagens, se julga normal ou anormal?</p>
<p style="text-align: justify;">Olhe para quem está bem perto de você, defino-o como paradigma, para, afinal, concluir se você é normal ou não.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas, atenção:  faço-o  ciente  de que  o paradigma pode ser normal e aí, se concluires que ele é anormal, o anormal pode ser você.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Toga sobre os ombros</title>
		<link>http://joseluizalmeida.com/2012/01/25/toga-sobre-os-ombros/</link>
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		<pubDate>Wed, 25 Jan 2012 21:16:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Jose Luiz Oliveira de Almeida</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas]]></category>

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		<description><![CDATA[A verdade é que ser e  agir como magistrado, decidir como magistrado, se relacionar como magistrado, se portar como magistrado e respeitar os pontos de vista antagônicos como magistrado vai muito além que simplesmente saber manusear um código ou colocar as talares sobre os ombros. Eu estou muito a cavaleiro para fazer essas reflexões, porque]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class="bottomcontainerBox" style="background-color:#F0F4F9;">
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<p style="text-align: justify;">A verdade é que ser e  agir como magistrado, decidir como magistrado, se relacionar como magistrado, se portar como magistrado e respeitar os pontos de vista antagônicos como magistrado vai muito além que simplesmente saber manusear um código ou colocar as talares sobre os ombros.</p>
<p style="text-align: justify;">Eu estou muito a cavaleiro para fazer essas reflexões, porque sei que, muitas vezes, no passado, com as talares sobre os ombros, não me portei como deveria se portar um magistrado. Eu, muitas vezes, fui além. É que, apesar das talares sobre os ombros, a cobrar de mim uma postura equilibrada, a dizer a mim que deveria ser prudente e equilibrado, muitas vezes agi de forma imprudente e, algumas vezes, até,  sem o equilíbrio necessário que se espera de um magistrado.</p>
<p style="text-align: justify;">Passados os anos, inobstante, amadureci, aprendi a ser prudente, procuro decidir com desvelo,  mas sem açodamento, transformei-me numa pessoa melhor, menos ácida, mas consentânea e equilibrada, com o que aproximei-me bastante da postura que entendo compatível com a postura que deve ter um magistrado.</p>
<p style="text-align: justify;">Todavia, não se há de negar, há, no mesmo mundo que habitamos,  pessoas que, malgrado o tempo passado, não conseguem evoluir, como ser humano e como magistrado. Essas pessoas, sob as talares, ainda pensam que tudo podem: dão murro na mesa, tratam mal os advogados, desrespeitam as testemunhas, tentam ganhar no grito, não gostam de ser contrariadas, pensam que têm o mundo a seus pés, não respeitam os colegas, não refletem sobre o que dizem, não têm, enfim, a postura que se exige de um magistrado.</p>
<p style="text-align: justify;">Essas reflexões que faço foram estimuladas pela  leitura que estou fazendo do mais recente livro do colega Lourival Serejo ( Temas e Temáticas Jurídicas. Comentários ao Código de Ética da Magistratura Nacional, Enfam, 2011), o qual, em determinado excerto, na página 22, descreve o que entende por juiz consciente de sua responsabilidade e da função na qual se acha investido: “&#8230;deve ser independente, imparcial, capaz, cortês, prudente, diligente, íntegro e digno”.</p>
<p style="text-align: justify;">Mais adiante, o mesmo autor, obtempera: “O juiz há de estar sempre voltado para a aplicação dos princípios constitucionais, como fonte motivadora de suas decisões, além de demonstrar o espírito público que deve orientar sua postura.  Por inspiração constitucional é que se forma o juiz republicano, preocupado com o bem comum, com a coisa pública, com a eficiência das políticas públicas e com a efetivação da justiça social ( ob. cit. p. 24).</p>
<p style="text-align: justify;">Infere-se do exposto que, definitivamente, não basta as talares sobre os ombros para que alguém, num passe de mágica, se transforme num magistrado. É preciso muito mais. Alguns podem até chegar lá; outros, inobstante, não evoluirão, apesar do tempo passado.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Amantes poderosas</title>
		<link>http://joseluizalmeida.com/2012/01/19/amantes-poderosas/</link>
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		<pubDate>Thu, 19 Jan 2012 21:04:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Jose Luiz Oliveira de Almeida</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas]]></category>

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		<description><![CDATA[Este blog não foi pensado apenas para divulgação de matérias de cunho jurídico. Quando o idealizei, tive como objetivo criar um espaço para expor as minhas inquietações, as minhas mais esquisitas reflexões, as minhas angústias, os conflitos – naturais – que tenho com o mundo e a minha quase incapacidade de ser omisso em face]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class="bottomcontainerBox" style="background-color:#F0F4F9;">
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			</div><div style="clear:both"></div><div style="padding-bottom:4px;"></div><p style="text-align: justify;"><a href="http://joseluizalmeida.com/wp-content/uploads/2012/01/Nômades-Amantes-do-Tempo-001-WEB.jpg"><img class="alignleft size-thumbnail wp-image-11121" title="Nômades Amantes do Tempo 001 WEB" src="http://joseluizalmeida.com/wp-content/uploads/2012/01/Nômades-Amantes-do-Tempo-001-WEB-150x150.jpg" alt="" width="150" height="150" /></a>Este blog não foi pensado apenas para divulgação de matérias de cunho jurídico.</p>
<p style="text-align: justify;">Quando o idealizei, tive como objetivo criar um espaço para expor as minhas inquietações, as minhas mais esquisitas reflexões, as minhas angústias, os conflitos – naturais – que tenho com o mundo e a minha quase incapacidade de ser omisso em face das mais diversas situações.</p>
<p style="text-align: justify;">A minha inquietação e a permanente incapacidade de calar diante dos mais variados temas, têm me levado a ser incompreendido por muitos que, diferentes de mim, preferem o mutismo, a quietude, a omissão.</p>
<p style="text-align: justify;">Assim pensando e perquirindo, decidi, hoje, refletir – olhem só que loucura! – sobre o fascínio das amantes, fruto do que vivenciei como magistrado e como cidadão.</p>
<p style="text-align: justify;">Será uma reflexão muito breve. Nada que possa fazer corar. É só mesmo o óbvio, o discurso tolo. O prazer de expor as minhas mais estranhas e bizarras reflexões.</p>
<p style="text-align: justify;">É possível que você, caro leitor, não dê um vintém por essas reflexões.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas não tem problema. Cuide de ler outras coisas.</p>
<p style="text-align: justify;">Aqui mesmo neste blog tem coisas bem melhores para ler e pensar.</p>
<p style="text-align: justify;">Pois bem. Eu fui criado ouvindo histórias fantásticas do poder e do fascínio das amantes.</p>
<p style="text-align: justify;">Muitas das histórias que ouvi e que, até, testemunhei, se passaram muito próximo de mim.</p>
<p style="text-align: justify;">A mais emblemática delas foi a da amante de uma pessoa ligada a mim por laços de sangue, que a  subtraiu de nosso convívio há exatos 37 (trinta e sete) anos, nos privando de sua presença, quiçá, para o resto da vida.</p>
<p style="text-align: justify;">Na condição de magistrado, julguei vários divórcios e separações judiciais, em face da influência e do poder das amantes, que não hesitaram em destruir os casamentos nos quais intercediam com o seu poder quase ilimitado sobre o amante.</p>
<p style="text-align: justify;">A história registra incontáveis casos de amantes que tiveram influência no poder, mudando, até, o curso da história.</p>
<p style="text-align: justify;">Nesse sentido, é emblemática a influência da aristocrata Domitila de Castro Canto e Melo, amante oficial de D. Pedro I, que, nessa condição, exerceu grande influência durante o primeiro reinado.</p>
<p style="text-align: justify;">O despudor, a influência e proximidade da Marquesa de Santos com o poder se revelavam de tal magnitude, que foi designada Dama do Paço, a pedido da própria imperatriz Maria Leopoldina, que já sabia, como todos da corte, do romance entre os dois – e de sua influência sobre o imperador.</p>
<p style="text-align: justify;">Do outro lado do Atlântico, na França, da mesma sorte, foi grande o poder e a influência de Diana de Poiters, durante o reinado do seu amante Henrique II .</p>
<p style="text-align: justify;">Catarina de Médicis bem que tentou influir no reinado do marido, mas foi preterida pela amante, que só deixou de exercer influência, claro, com a morte de Henrique II.</p>
<p style="text-align: justify;">Com a morte do rei, Catarina obriga Diana de Poiters a devolver as jóias da coroa, com as quais foi presenteada, e a se retirar da Corte. Terminava, assim, com a morte, a influência da amante sobre o amado.</p>
<p style="text-align: justify;">Esses casos, retirados ao acaso da história, são mencionados apenas a guisa de reforço acerca da influência das amantes.</p>
<p style="text-align: justify;">Elas, as amantes, chegam sorrateiramente, como quem nada quer,  vão comendo pelas beiradas, como acontece comumente e, em pouco tempo, passam a exercer influência assaz sobre os homens, os quais, muitas vezes, acabam por abandonar a família para viver uma aventura.</p>
<p style="text-align: justify;">Eu não me aventuro a diagnosticar as razões pelas quais as amantes são tão fascinantes, mesmo porque não é a minha especialidade e, ademais, porque nunca tive uma vida paralela.</p>
<p style="text-align: justify;">As reflexões que faço, hic et nunc, reafirmo, decorrem simplesmente da minha incapacidade de viver sem refletir, sem perquirir acerca dos mais variados temas.</p>
<p style="text-align: justify;">Não tenho, com essas quase irrelevantes reflexões, nenhuma pretensão acadêmica.</p>
<p style="text-align: justify;">Elas nada mais objetivam  que não fazer refletir – para quem quiser refletir, claro – sobre um tema tão presente na vida de todos nós.</p>
<p style="text-align: justify;">Essa minha incapacidade de viver sem pensar e sem questionar ainda vai me levar por caminhos nunca dantes percorridos.</p>
<p style="text-align: justify;">
]]></content:encoded>
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		<title>Pensar é estar vivo</title>
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		<pubDate>Mon, 09 Jan 2012 20:39:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Jose Luiz Oliveira de Almeida</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas]]></category>

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		<description><![CDATA[O alemão, ao noticiar a morte de Fernand, esperou que Rachel recebesse a notícia com lágrimas, gritos e palavrões. Qual não foi a sua decepção quando se limitou a dizer: “Não acredito que Fernand não pense mais!”. Da reação de Rachel Zalkinof pode-se inferir que há pessoas, em face de sua racionalidade, que são capazes]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class="bottomcontainerBox" style="background-color:#F0F4F9;">
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			</div><div style="clear:both"></div><div style="padding-bottom:4px;"></div><p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><a href="http://joseluizalmeida.com/wp-content/uploads/2012/01/pensamento1.jpg"><img class="alignleft size-thumbnail wp-image-10928" title="pensamento" src="http://joseluizalmeida.com/wp-content/uploads/2012/01/pensamento1-150x150.jpg" alt="" width="150" height="150" /></a></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O alemão, ao noticiar a morte de Fernand, esperou que Rachel recebesse a notícia com lágrimas, gritos e palavrões. Qual não foi a sua decepção quando se limitou a dizer: “Não acredito que Fernand não pense mais!”.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Da reação de Rachel Zalkinof pode-se inferir que há pessoas, em face de sua racionalidade, que são capazes de construir frases de enorme significado para humanidade – mesmo  diante de uma situação absolutamente adversa.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">À luz da verdadeira dimensão da exclamação de Rachel, pode-se afirmar, sem reinventar a roda, que o que de mais grave se pode impingir ao ser humano é, verdadeiramente, impedi-lo de pensar. E só se pode impedir alguém de continuar pensando, definitivamente, tirando-lhe a vida. É que, com a morte, nem Fernand,  e nem ninguém, pode pensar. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Reafirmo, nessa senda, que quem em vida não é capaz de pensar – e existem muitos, não tenho dúvidas – , não sabe o que é viver. Aliás, não vive: vegeta! </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">É que o homem, sem pensar, sem refletir sobre as coisas do mundo, é um nada! É pura matéria! É coisa nenhuma! É bicho bruto! É a corporificação do irrelevante! É um amontoado de carne e osso, sem nenhuma importância! </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Pensar é a certeza da existência racional. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">É essa racionalidade que nos distinguem dos demais animais que há sobre a terra. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Se pensamos, é porque temos consciência. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Se temos consciência do que pensamos, é porque existimos, verdadeiramente. Quem pensa tem consciência de si mesmo. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Quem pensa pode questionar, pode duvidar, pode argumentar, pode criar, pode fazer e acontecer. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Quando deixamos de pensar é porque já não existimos. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Quando, ao reverso, nos damos conta de que estamos pensando, estamos reafirmando a nossa existência. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Pensar é poder se opor, é poder contestar, é poder se afirmar, estabelecer a contradita, externar a simpatia, a antipatia, o preconceito, aderir, combater, se contrapor, enfrentar o inimigo, etc.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Pensar, ainda que de forma equivocada, esquecer do que disse em face do que pensou, repetir as mesmas coisas algumas vezes, é, simplesmente, viver.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"> E viver, não se há de negar,  é, muitas vezes, pura contradição mesmo. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O pensamento que me faz rir é o mesmo que pode fazer chorar o semelhante. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O pensamento que me ergue, que me faz voar, que me conduz a caminhos nunca dantes trilhados, é o mesmo que pode levar o meu semelhante à pura prostração. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Mas isso é viver!</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"> E pensar é viver! </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">É crer! </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">É ver e discernir.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Depois de tudo que foi exposto nestas reflexões, fruto de minha capacidade de pensar – de forma equivocada, não raro, devo admitir -, o leitor, irreverente, pode concluir, até, que tudo que pensei não passa de uma bobagem de quem tem a mente desocupada. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Mas ninguém pode negar que, mesmo para dizer asneira e para criticar quem a exterioriza, é preciso estar vivo. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">E que bom que estamos vivos: eu e o leitor. O articulista para dizer bobagens e o leitor,  para criticá-las.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Para reafirmar e ilustrar o que acima expendi, lembro das palavras de Victor Hugo, escritor e poeta francês de grande atuação política em seu país, para quem “O pensamento é mais que um direito; é o próprio alento do homem.”</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Na mesma senda as reflexões de Emilio Castelar y Ripoll, Político e escritor espanhol, penúltimo presidente da Primeira República Espanhola, para o qual, “Pensar é viver; o pensamento tudo abrange, tudo contém, tudo explica.”</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Na mesma direção a célebre “Cogito, ergo sum”, de René Descartes, que, nada mais, nada menos, numa análise mais do que simplista e superficial, significa dizer: penso, logo tenho consciência de mim mesmo, logo sei de algo, de alguma coisa – sei da vida. Existo, enfim.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">De tudo o que expus, despretensiosamente, devo reafirmar o óbvio: para pensar é preciso estar vivo. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Todavia, estar vivo e não ser capaz de pensar, não ser capaz de nada edificar, a partir de um pensamento racional, é o mesmo que não ter existência.</span></p>
<p style="text-align: justify;">
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		<title>O viés patológico da emulação</title>
		<link>http://joseluizalmeida.com/2012/01/05/o-vies-patologico-da-emulacao/</link>
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		<pubDate>Thu, 05 Jan 2012 12:43:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Jose Luiz Oliveira de Almeida</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas]]></category>

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		<description><![CDATA[Nas sessões dos Tribunais e das Casas Legislativas  os  desentendimentos  vão além do campo das idéias. Muitas vezes, importa dizer, são divergências pessoais mesmo, que regam e fazem vicejar inimizades hepáticas, encarniçadas, daquelas que não permitem uma reaproximação, um bom dia, um até logo, uma convivência pacífica e cordial, enfim. Nos dias atuais, em face]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class="bottomcontainerBox" style="background-color:#F0F4F9;">
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			</div><div style="clear:both"></div><div style="padding-bottom:4px;"></div><p style="text-align: justify;">Nas sessões dos Tribunais e das Casas Legislativas  os  desentendimentos  vão além do campo das idéias.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://joseluizalmeida.com/wp-content/uploads/2012/01/a-agressao-verbal-tambem-pode-matar1.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-10818" title="a-agressao-verbal-tambem-pode-matar" src="http://joseluizalmeida.com/wp-content/uploads/2012/01/a-agressao-verbal-tambem-pode-matar1-300x148.jpg" alt="" width="300" height="148" /></a>Muitas vezes, importa dizer, são divergências pessoais mesmo, que regam e fazem vicejar inimizades hepáticas, encarniçadas, daquelas que não permitem uma reaproximação, um bom dia, um até logo, uma convivência pacífica e cordial, enfim.</p>
<p style="text-align: justify;">Nos dias atuais, em face da transmissão das sessões dos Tribunais e das Casas Legislativas pelos veículos de comunicação, todos nós temos acesso a esses desentendimentos, alguns dos quais repugnantes.</p>
<p style="text-align: justify;">Importa refletir que se essas discordâncias frutificassem apenas no campo das idéias, nada seria mais natural. Todavia, não é o que ocorre, muitas vezes -  infelizmente.</p>
<p style="text-align: justify;">O lamentável nisso tudo é termos que admitir, porque a olhos vistos, que muitas dessas divergências são de cunho pessoal, de ego, de pura vaidade &#8211; de arrogância,  de prepotência, muitas vezes.</p>
<p style="text-align: justify;">É necessário que se compreenda que se essas divergências afloram especificamente nas casas judiciais, se alcançam o paroxismo, se chegam à intensidade de um vulcão em erupção, delas decorrem, inelutavelmente, graves e, muitas vezes, irreparáveis prejuízos aos litigantes e à própria coletividade -  dependendo, claro,  do grau de interesse colocado em jogo.</p>
<p style="text-align: justify;">Há, sim, não se pode negar, confrades que divergem por espírito de emulação e são capazes, até, de votar em desacordo com o desafeiçoado, só para não dar a ele o gostinho de estar na balada certa, ainda que terceiros sejam prejudicados em face dessa ou daquela deliberação. Isso se chama falta de espírito público, falta de humildade; insolência, coisa vã, prepotência -  também.</p>
<p style="text-align: justify;">Na política, costuma-se ver, com certa frequência, o poderoso de plantão desconstruir a obra do adversário, por pura sacanagem, por vendeta, por vingança, objetivando, enfim, amealhar dividendos políticos, pouco se importando com as conseqüências do agir para o conjunto da sociedade.</p>
<p style="text-align: justify;">Nas corporações, não é diferente e, sejam elas quais forem elas,  também vicejam as mesmas condutas equivocadas,  em face das idiossincrasias de alguns dos seus membros, despreparados para decidir coletivamente e para reconhecer o êxito de um colega, como se fosse pecado acertar, como se fosse leviano ser bem avaliado, sem respeitado e acreditado.</p>
<p style="text-align: justify;">Lembro ter lido, num desses sítios que fazem menção às chamadas pérolas jurídicas, que, numa determinada Comarca, com duas varas, vários processos foram chamados à ordem, desnecessariamente, por um magistrado que substituiu o colega que estava em gozo de férias. A notícia dava conta de que os dois magistrados tinham sérias divergências pessoais; divergências, portanto, que iam muito além do campo das idéias, da interpretação dos textos legais. Por isso, sempre que um podia, tentava macular a imagem do outro, razão pela qual, nesse caso específico, o magistrado substituto danou-se a chamar os feitos do magistrado substituído à ordem, sem nenhuma mácula a contaminá-los, só para demonstrar, a quem pudesse interessar que, diferente do que parecia, o magistrado substituído não era tão esmerado assim, não era tão competente como fazia questão de apregoar nas rodas de bate-papos.</p>
<p style="text-align: justify;">Claro que essa atitude se traduziu em perdas para a população &#8211; e para o erário &#8211; vez que foram refeitos, reproduzidos atos que, de rigor, não precisavam ser refeitos; e, depois, outra vez refeitos, com o retorno do titular.</p>
<p style="text-align: justify;">É que, ao retornar das férias, o juiz titular da vara, sem pensar duas vezes, tornou sem efeito todos os despachos esquisitos do colega que o substituiu &#8211; sem perder a oportunidade de consignar nos autos o erro do colega, objetivando, da mesma forma, menoscabar, depreciar a sua imagem.</p>
<p style="text-align: justify;">Essas divergências, que encontram terreno fértil nas corporações, beneficiam, no caso específico do Poder Judiciário, os infratores, os malfeitores, os litigantes de má-fé, os que fazem apologia da alicantina, quase sempre em detrimento do interesse público.</p>
<p style="text-align: justify;">Juiz que diverge de promotor por questões menores, promotores que discrepam de juízes em benefício do próprio ego, integrantes de uma Corte de Justiça que se digladiam por questões de somenos, contribuem, sem dúvidas, para o descrédito das instituições e fazem a festa dos calhordas, dos que não querem que as instituições se fortaleçam, que funcionem a contento. Para esses, quanto mais as autoridades divergem, quanto mais os egos se inflamem, mais pavimentado fica o caminho para que passem à ilharga das dos órgãos persecutórios.</p>
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		<title>Compreender e ser compreendido</title>
		<link>http://joseluizalmeida.com/2011/12/29/compreender-e-ser-compreendido/</link>
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		<pubDate>Thu, 29 Dec 2011 14:11:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Jose Luiz Oliveira de Almeida</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas]]></category>

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		<description><![CDATA[As pessoas não conseguem, definitivamente,  compreender as outras &#8211; por má-fé,  maldade  ou  incapacidade mesmo. Essa incapacidade das pessoas de compreenderem o semelhante é mais exacerbada nas corporações. Ao lado da incompreensão, nas corporações viceja o mais deletério e nefasto de todos os sentimentos: a inveja.  A incompreensão, muitas vezes, decorre da cegueira de algumas]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class="bottomcontainerBox" style="background-color:#F0F4F9;">
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			</div><div style="clear:both"></div><div style="padding-bottom:4px;"></div><p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">As pessoas não conseguem, definitivamente,  compreender as outras &#8211; por má-fé,  maldade  ou  incapacidade mesmo.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Essa incapacidade das pessoas de compreenderem o semelhante é mais exacerbada nas corporações. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Ao lado da incompreensão, nas corporações viceja o mais deletério e nefasto de todos os sentimentos: a inveja.  </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A incompreensão, muitas vezes, decorre da cegueira de algumas pessoas, exatamente porque estão impregnadas desse sentimento menor e danoso chamado inveja.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Sobre inveja já refleti. Já mostrei, em artigo publicado na imprensa e neste blog, o quão deletéria ela pode ser &#8211; e quase sempre é &#8211; numa corporação. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Mas eu dizia que as pessoas têm uma proverbial “incapacidade” de compreender o semelhante. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Vejamos alguns exemplos de incompreensão, em face das minhas posições; exemplos, anoto, tirados ao acaso, apenas para dar ênfase aos meus argumentos.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Quando vou à imprensa – ou ao meu blog &#8211; e digo que o Poder Judiciário tem uma imensurável dívida com a sociedade, acham que estou depondo contra o próprio Poder. Não compreendem que apenas constato um fato. Trata-se, nesse caso, de pura cegueira,  de não querer ver o óbvio. Essa cegueira, por óbvio, se potencializa em nossa corporação, porque, nós, juízes, temos, no mínimo, que saber discernir.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Muitos não conseguem vislumbrar, ademais, que, quando dou esse testemunho, a propósito da nossa dívida para com a sociedade, estou apenas clamando, apelando, enfim,  para que redirecionemos as nossas ações, reavaliemos os nossos conceitos, assumamos a nossa falibilidade e a nossa incapacidade de atender às expectativas da sociedade. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Entendo que, exercendo uma função pública, podemos – e devemos – discutir essas questões publicamente e não entre quatro paredes, como se não tivéssemos a quem dar satisfação.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Vou adiante nas minhas reflexões.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Quando, obstinadamente, tratei,  com o necessário rigor,  na primeira instância,  os meliantes  violentos, houve quem argumentasse que, com isso, eu pretendia agir como justiceiro, que eu pregava o “Tolerância Zero”, o “Direito Penal do Inimigo”, ou que era caudatário do Movimento Lei e Ordem.  Muitos não se deram conta  que, quando assim procedi, o fiz prestando um tributo ao Estado de Direito e às pessoas de bem,  e que, ademais, conquanto rigoroso, nunca fui arbitrário, pois que sempre fui um obstinado defensor da observância das franquias constitucionais dos acusados.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Agora, em segunda instância, quando redimensiono as penas infligidas e condeno a exacerbação punitiva, sou criticado por acharem (alguns, claro ) que, aqui, assumi uma postura diametralmente oposta a que tinha quando juiz de primeiro grau, o que é uma inverdade.  Esquecem os críticos, quiçá por maldade, que, enquanto julgador do primeiro grau, tive sempre o cuidado de motivar as minhas decisões, especialmente quando majorei a resposta penal além do mínimo legal, o que, infelizmente, não tenho constatado no segundo grau,  em face das matérias devolvidas pela via recursal.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Vou adiante.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Quando me predispus a fazer audiências pela manhã e à tarde,  na judicatura do primeiro grau, sobretudo na (antiga) quarta entrância, quebrando o paradigma que vigorava,  concluíam os maldosos que o fazia almejando uma promoção para o segundo grau, o que  cuidei de desmistificar, quando renunciei, publicamente, à promoção por merecimento. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Os críticos nunca foram capazes de compreender que sou apenas – ou tento, pelo menos &#8211; um tenaz prestador de serviço público, que nada mais fez – e faz &#8211; que cumprir a sua obrigação.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Agora, estando no segundo grau, continuo agindo da mesma forma, ou seja, continuo dando expediente pela manhã e pela tarde.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A propósito, o que dirão, agora, os “especialistas”, diante da constatação de que, passados mais de 26 anos de judicatura, continuo exatamente o mesmo?</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Os exemplos que acima mencionei, tirados ao acaso,  visam, tão somente,  dar sustentação ao que antecipei acima, ou seja, que o ser humano, podendo, prefere não compreender o outro, e que essa incompreensão se potencializa, sim, dentro das corporações.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Compreender e ser compreendido, eis a questão</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"> </span></p>
]]></content:encoded>
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