{"id":10800,"date":"2012-01-04T14:00:28","date_gmt":"2012-01-04T17:00:28","guid":{"rendered":"http:\/\/joseluizalmeida.com\/?p=10800"},"modified":"2012-01-04T14:00:28","modified_gmt":"2012-01-04T17:00:28","slug":"protecao-corporativista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/joseluizalmeida.com\/?p=10800","title":{"rendered":"Prote\u00e7\u00e3o corporativista"},"content":{"rendered":"<p><strong>\u00a0STF acrescenta v\u00edrgulas \u00e0 legisla\u00e7\u00e3o e limita CNJ<\/strong><\/p>\n<p>Por Miguel \u00c2ngelo Can\u00e7ado<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">A mais recente e t\u00f3rrida crise interna em que se encontra a c\u00fapula do Poder Judici\u00e1rio brasileiro, com a concess\u00e3o pelo Supremo Tribunal Federal de liminares que esvaziam os poderes e compet\u00eancias do Conselho Nacional de Justi\u00e7a, me faz lembrar da li\u00e7\u00e3o de um velho professor de Direito que dizia: &#8220;meus filhos, ao lerem as leis, prestem bastante aten\u00e7\u00e3o \u00e0s virgulas, pois \u00e9 depois delas que est\u00e3o as armadilhas e segredos que o legislador nos imp\u00f5e&#8221;.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Nos \u00faltimos dias, e coincidentemente \u00e0s v\u00e9speras do in\u00edcio do recesso judici\u00e1rio nacional, ministros do Supremo concederam liminares restringindo a atua\u00e7\u00e3o do Conselho Nacional de Justi\u00e7a, mais inovadora cria\u00e7\u00e3o legislativa brasileira em termos de fiscaliza\u00e7\u00e3o do funcionamento do Poder Judici\u00e1rio de que se tem not\u00edcia no Brasil.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Nesse contexto, o que vemos \u00e9 que o STF, ao exercer sua tarefa constitucional de interpretar a Constitui\u00e7\u00e3o Federal, com o direito inclusive de errar por \u00faltimo nessa seara hemen\u00eautica, acresce v\u00edrgulas e retic\u00eancias onde a vontade clara do legislador constituinte derivado n\u00e3o quis faz\u00ea-lo quando instituiu o controle externo do Poder Judici\u00e1rio. Da\u00ed minha reminisc\u00eancia ao velho mestre.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">\u00c9 ineg\u00e1vel que o CNJ vem exercendo um papel h\u00e1 tempos ansiado pela sociedade brasileira, sobretudo por corrigir erros e mostrar que os desvios de condutas sabidamente praticados no \u00e2mbito do Poder Judici\u00e1rio precisam ser investigados e punidos, com a observ\u00e2ncia do devido processo legal, mas sem amarras, e sem essa de dizer que s\u00f3 se pode investigar quando quem devia faz\u00ea-lo n\u00e3o o faz e, pior, n\u00e3o o faz por incompet\u00eancia ou por puro sentimento de prote\u00e7\u00e3o corporativista dos mais abjetos.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">N\u00e3o tenho a menor d\u00favida em dizer que, se consultados os congressistas que votaram na chamada Reforma do Poder Judici\u00e1rio, quando criou-se o CNJ, atrav\u00e9s da Emenda 45, o resultado que se ir\u00e1 encontrar \u00e9 que n\u00e3o h\u00e1 um s\u00f3 que n\u00e3o tenha querido impor car\u00e1ter cens\u00f3rio concorrente ao \u00f3rg\u00e3o, de modo que ele possa atuar ao mesmo tempo que as corregedorias dos tribunais. Enfim, o que se quis, e cada vez se quer mais, \u00e9 que houvesse o controle externo do Poder, com investiga\u00e7\u00f5es que devem ter in\u00edcio logo que se tenha conhecimento de irregularidades, ainda que decorrentes de fatos de conte\u00fado meramente indici\u00e1rio, e, quem acompanha o cotidiano do CNJ, sabe que ali se respeita mesmo o devido processo legal.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Ora, a leitura do texto constitucional vigente nos conduz \u00e0 inequ\u00edvoca conclus\u00e3o de que em momento algum se pode dizer que o CNJ s\u00f3 pode agir quando as corregedorias n\u00e3o o fazem, sen\u00e3o, n\u00e3o teria sido dito com todas as letras e v\u00edrgulas que as atribui\u00e7\u00f5es do \u00d3rg\u00e3o se exercem &#8220;sem preju\u00edzo da compet\u00eancia disciplinar e correicional dos tribunais, podendo avocar processos disciplinares em curso&#8230;&#8221; (artigo 103-B, III).<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Mas pensar que ministros da mais alta Corte de Justi\u00e7a do pa\u00eds possam estar decidindo o destino do CNJ guiados por convic\u00e7\u00f5es rasteiras de preserva\u00e7\u00e3o de um hist\u00f3rico nada recomend\u00e1vel de inoper\u00e2ncia das corregedorias causa repulsa e haver\u00e1 de levar a sociedade brasileira a reagir e bradar em alto e bom som: chega destas v\u00edrgulas retr\u00f3gradas e autorit\u00e1rias que, como sempre, s\u00e3o postas (ou acrescidas) contra a vontade popular para proteger quem deveria prontamente se dar a obriga\u00e7\u00e3o de prestar conta de seus atos abertamente, sem ressalvas e sen\u00f5es. E ponto!<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Miguel \u00c2ngelo Can\u00e7ado\u00a0\u00e9 diretor-tesoureiro da OAB nacional.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Revista Consultor Jur\u00eddico, 3 de janeiro de 2012<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0STF acrescenta v\u00edrgulas \u00e0 legisla\u00e7\u00e3o e limita CNJ Por Miguel \u00c2ngelo Can\u00e7ado A mais recente e t\u00f3rrida crise interna em que se encontra a c\u00fapula do Poder Judici\u00e1rio brasileiro, com a concess\u00e3o pelo Supremo Tribunal Federal de liminares que esvaziam os poderes e compet\u00eancias do Conselho Nacional de Justi\u00e7a, me faz lembrar da li\u00e7\u00e3o de [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"pagelayer_contact_templates":[],"_pagelayer_content":"","jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[3],"tags":[],"class_list":["post-10800","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-artigos"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/pokay-2Oc","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/joseluizalmeida.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/10800","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/joseluizalmeida.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/joseluizalmeida.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/joseluizalmeida.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/joseluizalmeida.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=10800"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/joseluizalmeida.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/10800\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":11462,"href":"https:\/\/joseluizalmeida.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/10800\/revisions\/11462"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/joseluizalmeida.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=10800"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/joseluizalmeida.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=10800"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/joseluizalmeida.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=10800"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}