{"id":11420,"date":"2012-02-06T16:41:20","date_gmt":"2012-02-06T19:41:20","guid":{"rendered":"http:\/\/joseluizalmeida.com\/?p=11420"},"modified":"2012-02-08T15:35:19","modified_gmt":"2012-02-08T18:35:19","slug":"medidas-cautelares-revisao-periodica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/joseluizalmeida.com\/?p=11420","title":{"rendered":"Medidas cautelares: revis\u00e3o peri\u00f3dica"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"http:\/\/joseluizalmeida.com\/wp-content\/uploads\/2012\/02\/martelo_-of-judge.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-thumbnail wp-image-11422\" title=\"martelo_-of-judge\" src=\"http:\/\/joseluizalmeida.com\/wp-content\/uploads\/2012\/02\/martelo_-of-judge-150x150.jpg\" alt=\"\" width=\"150\" height=\"150\" \/><\/a>Somos informados, com muita frequ\u00eancia, de presos provis\u00f3rios esquecidos no c\u00e1rcere, sem julgamento em tempo razo\u00e1vel, numa afronta, a toda evid\u00eancia, do princ\u00edpio da dignidade da pessoa humana.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O fato se d\u00e1, mais ou menos, assim: o magistrado \u00a0decreta a pris\u00e3o \u00a0de um \u00a0determinado acusado &#8211; normalmente um desvalido -, para, depois, em face das incont\u00e1veis demandas, &#8220;esquecer&#8221; do processo, por tempo, \u00e0s vezes, consider\u00e1vel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o se trata, importa consignar, \u00a0de descaso; \u00a0essa situa\u00e7\u00e3o decorre dos in\u00fameros afazeres de um magistrado. Lembro, a prop\u00f3sito, que, ao tempo em que julgava em primeira inst\u00e2ncia, muitas vezes havia mais de cem r\u00e9us presos, cujos processos exigiam de mim dedica\u00e7\u00e3o integral. Ainda assim, mesmo me dedicando<strong><em> full time<\/em><\/strong>, ocorreu, algumas vezes, de me deparar com r\u00e9us presos, cujos processos estavam parados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Inspirado na legisla\u00e7\u00e3o portuguesa, o Senado Federal, ao tempo da tramita\u00e7\u00e3o do Projeto 4.208\/2001, do qual resultou a Lei 12.403\/2011, tentou a inclus\u00e3o de um dispositivo \u00a0determinando que o juiz ou tribunal que decretou a pris\u00e3o ou manteve a medida cautelar, inclusive a pris\u00e3o preventiva, a reexaminasse, obrigatoriamente, a cada 60 dias, para avaliar se \u00a0persistiam os motivos que a ensejaram.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sabe-se, no entanto, que antes da aprova\u00e7\u00e3o do projeto, o dispositivo em comento foi exclu\u00eddo, sob o argumento de que traria sobrecarga aos magistrados e de que, ademais, o \u00f4nus de provocar a revis\u00e3o seria da defesa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A sensa\u00e7\u00e3o que tenho, diante de tais argumentos, \u00e9 de que os nossos legisladores vivem no mundo da lua.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Convenhamos, \u00a0se a persecu\u00e7\u00e3o criminal, como sabido, se destina \u00a0apenas &#8211; salvo uma ou outra exce\u00e7\u00e3o &#8211; aos miser\u00e1veis, os quais, de regra, \u00a0n\u00e3o t\u00eam condi\u00e7\u00f5es de constituir advogados, \u00a0e n\u00e3o contam, noutro giro, \u00a0com defensores p\u00fablicos (onde h\u00e1 defensoria, claro) em n\u00famero suficiente para garantir uma assist\u00eancia m\u00ednima, como deixar ao talante da defesa o pedido de revis\u00e3o, que, sabe-se, n\u00e3o ser\u00e1 formulado?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A meu sentir, o ideal mesmo era que aos magistrados fossem obrigados, <strong><em>ex vi legis,<\/em><\/strong> a \u00a0rever as medidas, de of\u00edcio, num determinado prazo, ainda que tal incumb\u00eancia contribuisse para o retardo de outros julgamentos, pois n\u00e3o vejo, numa primeira an\u00e1lise, nenhuma afronta ao sistema acusat\u00f3rio, a considerar que a \u00a0nossa Lei Instrumental est\u00e1 permeada de dispositivos que destoam do sistema em comento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ainda que n\u00e3o exista dispositivo impondo ao magistrado \u00a0revisar \u00a0as medidas cautelares, num prazo razo\u00e1vel, entendo que deve faz\u00ea-lo, em face mesmo dos efeitos do c\u00e1rcere, \u00a0m\u00e1xime quando se trata de pris\u00e3o provis\u00f3ria, ou seja, sem que o \u00a0acusado tenha sido julgado em car\u00e1ter definitivo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Compreendo que, nesse mister, agiria bem o Minist\u00e9rio P\u00fablico se, de seu lado, tamb\u00e9m emprestasse o seu labor no mesmo sentido, sabido que, de rigor, tem muito mais tempo e condi\u00e7\u00f5es de exercer esse tipo de fiscaliza\u00e7\u00e3o que o magistrado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entendo, nessa linha de pensar, que o representante ministerial poderia, sim, sobretudo no per\u00edodo vespertino, no qual, de regra, n\u00e3o se realizam audi\u00eancias, fazer incurs\u00f5es junto \u00e0s secretarias judiciais, para, uma vez constatado o excesso, postular ao juiz o imediato relaxamento de pris\u00e3o do acusado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fruto de minha experi\u00eancia, posso afirmar, na certeza de n\u00e3o estar equivocado, que o Minist\u00e9rio P\u00fablico tem, sim,\u00a0condi\u00e7\u00f5es de fazer esse tipo de fiscaliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O que n\u00e3o \u00e9 conceb\u00edvel \u00e9 que as pris\u00f5es se protraiam no tempo, sem que o Minist\u00e9rio P\u00fablico e o juiz condutor do feito se dignem a reparar o constrangimento ilegal, no aguardo da manifesta\u00e7\u00e3o da defesa que, sabe-se, dificilmente vir\u00e1, pelas raz\u00f5es antes consignadas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A pris\u00e3o cautelar, todos sabemos, \u00e9 marcada pela excepcionalidade &#8211; \u00a0 e \u00e9 situacional -, raz\u00e3o pela qual deve ser, sim, periodicamente, \u00a0avaliada, pouco importando os outros afazeres do magistrados e do pr\u00f3prio Minist\u00e9rio P\u00fablico, este agindo, nesse caso, \u00a0 na condi\u00e7\u00e3o de <strong><em>custos legis.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Compreendo que essa seria uma boa provid\u00eancia a ser implementada no \u00e2mbito das \u00a0Corregedorias de Justi\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O corregedor \u00a0que implementar medida nesse sentido &#8211; qui\u00e7\u00e1 pela via de provimento &#8211; prestar\u00e1 inestim\u00e1vel contribui\u00e7\u00e3o a repara\u00e7\u00e3o das pris\u00f5es ilegais .<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Somos informados, com muita frequ\u00eancia, de presos provis\u00f3rios esquecidos no c\u00e1rcere, sem julgamento em tempo razo\u00e1vel, numa afronta, a toda evid\u00eancia, do princ\u00edpio da dignidade da pessoa humana. 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