{"id":11961,"date":"2012-03-25T12:02:13","date_gmt":"2012-03-25T15:02:13","guid":{"rendered":"http:\/\/joseluizalmeida.com\/?p=11961"},"modified":"2012-03-25T12:02:57","modified_gmt":"2012-03-25T15:02:57","slug":"a-dor-de-flavio-dino","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/joseluizalmeida.com\/?p=11961","title":{"rendered":"A dor de Fl\u00e1vio Dino"},"content":{"rendered":"<h3 style=\"text-align: left;\">Imputa\u00e7\u00e3o irrepar\u00e1vel<\/h3>\n<div>\n<div>\n<p><strong><a href=\"http:\/\/www.itevaldo.com\/wp-content\/uploads\/\/2012\/03\/flavio.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" title=\"flavio\" src=\"http:\/\/www.itevaldo.com\/wp-content\/uploads\/\/2012\/03\/flavio-300x284.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"284\" \/><\/a><\/strong><\/p>\n<p><strong>por MARCELO ROCHA \u2013 REVISTA \u00c9POCA\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na manh\u00e3 de 14 de fevereiro, uma ter\u00e7a-feira, pouco depois das 6 horas, o ex-deputado federal Fl\u00e1vio Dino (PCdoB-MA), de 43 anos e pai de dois filhos, recebeu uma liga\u00e7\u00e3o da mulher, Deane Maria. Ela falava do Hospital Santa L\u00facia, um dos maiores de Bras\u00edlia, para informar que Marcelo, o ca\u00e7ula, sofria uma nova crise de asma depois de 16 horas de interna\u00e7\u00e3o. Dino pegou o carro e, por ruas ainda vazias, chegou ao hospital em poucos minutos. No trajeto, o ex-deputado se manteve calmo. Previu que Marcelo passaria por uma sess\u00e3o de nebuliza\u00e7\u00e3o e logo estaria bom de novo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao entrar na unidade de tratamento intensivo (UTI), deparou com uma cena bem diferente da que imaginara. Marcelo ocupava uma das cinco camas, cercado por tr\u00eas m\u00e9dicos \u2013 uma mulher e dois homens \u2013, visivelmente tensos. O filho estava inconsciente, com o rosto roxo, e parecia n\u00e3o respirar. \u201cAdrenalina\u201d, disse um dos m\u00e9dicos, enquanto fazia massagens card\u00edacas. Poucos minutos depois, viram os dois m\u00e9dicos deixar a sala. A m\u00e9dica ficou inerte em frente a Marcelo por alguns instantes. Em seguida, dirigiu-se ao casal: \u201cO Marcelo n\u00e3o resistiu\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O destino de Marcelo gera consterna\u00e7\u00e3o porque, apenas dois dias antes, era um adolescente ativo. No domingo, Dino e Marcelo pedalaram 10 quil\u00f4metros pelo Eix\u00e3o, principal avenida de Bras\u00edlia. Na segunda-feira, de volta \u00e0 rotina, Dino viajou a trabalho para S\u00e3o Paulo. Desde junho do ano passado, preside a Empresa Brasileira de Turismo (Embratur). Marcelo foi para o col\u00e9gio, onde cursava o 9o ano do ensino fundamental. No final da manh\u00e3, o flamenguista Marcelo teve uma crise aguda de asma durante uma partida de futebol de sal\u00e3o. Sentiu falta de ar, vomitou e desmaiou. Foi socorrido e levado para o Santa L\u00facia. Por volta das 14 horas, foi internado na UTI adulta do hospital e, mais tarde, transferido para a pedi\u00e1trica. O prontu\u00e1rio m\u00e9dico registrou que seu quadro exigia monitoramento e que o menino necessitava de oxigena\u00e7\u00e3o. A m\u00e3e, Deane, fazia companhia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No in\u00edcio daquela noite, quem assumiu o plant\u00e3o do Santa L\u00facia foi a m\u00e9dica Izaura Em\u00eddio. Aos 39 anos, especializada em pediatria e terapia intensiva, ela j\u00e1 vinha de uma jornada de 12 horas de plant\u00e3o no Hospital Regional de Taguatinga. Ao chegar, foi informada sobre as condi\u00e7\u00f5es de sa\u00fade dos tr\u00eas pacientes da UTI: dois beb\u00eas e Marcelo. \u201cEle estava conversando normalmente. Estava ansioso. N\u00e3o estava cansado\u201d, disse Izaura \u00e0 pol\u00edcia. A situa\u00e7\u00e3o parecia t\u00e3o tranquila que Deane aconselhou o marido, que pousava em Bras\u00edlia de volta de S\u00e3o Paulo, a nem seguir para o hospital. Marcelo dormia em paz e, possivelmente, teria alta no dia seguinte, logo cedo. Durante a madrugada, a m\u00e9dica Izaura visitou a UTI pedi\u00e1trica duas vezes. Avaliou que Marcelo e os demais pacientes apresentavam \u201csa\u00fade est\u00e1vel\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tudo seguia bem at\u00e9 as 4 horas, quando o menino deveria receber dois rem\u00e9dios para asma. Isso n\u00e3o aconteceu. A\u00ed come\u00e7aram as complica\u00e7\u00f5es. \u00c0s 5h30, a m\u00e9dica Izaura foi chamada para ajudar num parto no centro obst\u00e9trico, ao lado da UTI pedi\u00e1trica. Marcelo s\u00f3 foi tomar o rem\u00e9dio \u00e0s 6 horas. Em seguida, come\u00e7ou a passar mal. A m\u00e3e, Deane, pediu \u00e0 auxiliar de enfermagem que chamasse a m\u00e9dica. Izaura n\u00e3o chegou. Depois de terminar o parto, ela foi trocar o uniforme. Enquanto isso, a crise de Marcelo se agravou. \u201cEle disse que n\u00e3o estava conseguindo respirar\u201d, afirmou Deane. Segundo a m\u00e3e, os l\u00e1bios j\u00e1 estavam roxos. A m\u00e9dica, finalmente, chegou e pediu equipamento para colocar um tubo de oxig\u00eanio no menino. O material veio, segundo o hospital, mas o procedimento n\u00e3o foi executado naquele momento. A m\u00e9dica pediu \u00e0 auxiliar de enfermagem que chamasse o anestesista, que trabalha com entuba\u00e7\u00e3o. Ele estava no centro cir\u00fargico, em outra \u00e1rea do hospital. A essa altura, j\u00e1 alertado pela mulher, Dino corria para o Santa L\u00facia. O anestesista chegou \u00e0 UTI pedi\u00e1trica \u00e0s 6h20. Pouco depois, pediu \u00e0 equipe de enfermagem que substitu\u00edsse o equipa-mento de entuba\u00e7\u00e3o. \u00c0s 7 horas, Marcelo foi considerado morto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Procurada por \u00c9POCA, Izaura afirmou que qualquer informa\u00e7\u00e3o sobre o caso compete \u00e0 dire\u00e7\u00e3o do hospital. \u201cO paciente re-cebeu todo o atendimento que a situa\u00e7\u00e3o exigia e no tempo adequado\u201d, diz o m\u00e9dico C\u00edcero Dantas Neto, diretor t\u00e9cnico do Santa L\u00facia. Segundo ele, havia uma situa\u00e7\u00e3o de risco. \u201cA asma \u00e9 uma doen\u00e7a extremamente grave.\u201d Mas, segundo especialistas, casos fatais s\u00e3o incomuns. \u201cCom os medicamentos e tratamentos modernos, esses eventos\u00a0<em>(mortes em hospitais por asma)\u00a0<\/em>s\u00e3o muito raros\u201d, afirma o m\u00e9dico Adalberto Sperb Rubin, diretor de Comunica\u00e7\u00e3o da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisio-logia (SBPT) e pneumologista da Santa Casa de Porto Alegre.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sinto muita indigna\u00e7\u00e3o nos momentos em que racionalizo o que aconteceu. Os \u00faltimos 30 dias n\u00e3o existiram para mim<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O menino foi enterrado no dia seguinte em Bras\u00edlia. No vel\u00f3rio, passaram o vice-presidente da Rep\u00fablica, Michel Temer, o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, o governador de Bras\u00edlia, Agnelo Queiroz, e o ex-presidente Jos\u00e9 Sarney (PMDB), principal advers\u00e1rio pol\u00edtico de Dino no Maranh\u00e3o. No dia 19 de mar\u00e7o, acompanhado de Deane, Dino recebeu \u00c9-POCA num hotel de Bras\u00edlia e deu a primeira entrevista com detalhes sobre a morte do filho. Desde a trag\u00e9dia, est\u00e1 licenciado da Embratur. Com experi\u00eancia de juiz federal aposentado, Dino \u00e9 comedido quando fala do inqu\u00e9rito policial que apura o caso, sob a responsabilidade do delegado Anderson Esp\u00edndola. S\u00f3 ent\u00e3o decidir\u00e1 o que fazer para que a morte prematura de Marcelo ajude a mostrar as falhas do sistema de sa\u00fade brasileiro. Apesar da tristeza, Fl\u00e1vio Dino falou com firmeza por mais de uma hora. No final, cedeu \u00e0 emo\u00e7\u00e3o e sucumbiu ao choro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00c9POCA \u2013 Como o senhor enfrenta a morte de seu filho?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Fl\u00e1vio Dino \u2013\u00a0<\/strong>Estou tentando organizar a vida. Marcelo \u00e9 insubstitu\u00edvel. Ele era muito amoroso, carinhoso, afetuoso com a gente e na escola. Sinto muita indigna\u00e7\u00e3o nos momentos em que racionalizo o que ocorreu. Os \u00faltimos 30 dias n\u00e3o existiram para mim. O que existe \u00e9 14 de fevereiro \u00e0s 7 horas da manh\u00e3. \u00c9 onde estou. Marcelo foi uma v\u00edtima indefesa de um sistema desumano e ganancioso. Foi uma trag\u00e9dia de propor\u00e7\u00f5es inimagin\u00e1veis. \u00c9 uma amputa\u00e7\u00e3o irrepar\u00e1vel de uma parte de nossa vida. \u00c9 uma dor incur\u00e1vel, que vai nos acompanhar sempre. \u00c9 a nega\u00e7\u00e3o do direito de Marcelo viver, de ser feliz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00c9POCA \u2013 Que explica\u00e7\u00e3o o hospital deu \u00e0 fam\u00edlia?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Dino \u2013<\/strong>\u00a0Eles n\u00e3o responderam \u00e0s perguntas principais. O hospital soltou uma nota. Deram a entender que o Marcelo chegou do col\u00e9gio e morreu. N\u00e3o. Se ele tivesse chegado do col\u00e9gio muito mal e tivesse morrido na recep\u00e7\u00e3o, eu n\u00e3o estaria aqui. O prontu\u00e1rio diz que Marcelo estava bem, falando, mandando e-mail, com oxig\u00eanio l\u00e1 acima de 95% o tempo todo. O que mudou entre as 6 horas e as 6h30 da manh\u00e3 do dia 14 de fevereiro \u00e9 o que a gente n\u00e3o sabe.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00c9POCA \u2013 O que o senhor pretende fazer em rela\u00e7\u00e3o ao hospital?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Dino \u2013<\/strong>\u00a0N\u00e3o quero um centavo do hospital. N\u00e3o recebo dinheiro da ind\u00fastria da morte. S\u00f3 quero a verdade. O hospital, em vez de nos trazer a verdade, fica querendo esconder, para n\u00e3o ter de pagar indeniza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00c9POCA \u2013 O senhor est\u00e1 pr\u00f3ximo de saber a verdade?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Dino \u2013<\/strong>\u00a0Prefiro aguardar o que as autoridades v\u00e3o dizer. Se voc\u00ea me perguntar se houve crime, vou dizer que n\u00e3o sei. Quem vai dizer isso \u00e9 a pol\u00edcia e o Minist\u00e9rio P\u00fablico. Pelo fato de ser juiz, prefiro aguardar o desfecho das investiga\u00e7\u00f5es para falar sobre elas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00c9POCA \u2013 O que ocorreu durante o per\u00edodo em que seu filho ficou internado?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Dino\u00a0<\/strong>\u2013 \u00c9 uma longa sequ\u00eancia de m\u00e1 conduta. Meu filho chegou ao Santa L\u00facia consciente, andando, tomou banho sozinho. No per\u00edodo em que l\u00e1 esteve, nenhum exame espec\u00edfico foi feito. Sequer um pneumologista o avaliou. Eles minimizaram o quadro do Marcelo e, por isso, n\u00e3o se deram conta de que ele poderia ter outra crise. Outra quest\u00e3o s\u00e3o as condi\u00e7\u00f5es de trabalho da m\u00e9dica, Izaura Em\u00eddio. Ela assumiu o plant\u00e3o na noite anterior depois de 12 horas de outro plant\u00e3o. Ela n\u00e3o tinha plenas condi\u00e7\u00f5es de trabalho por uma quest\u00e3o \u00f3bvia, org\u00e2nica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00c9POCA \u2013 O que foi feito para tentar salvar Marcelo?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Dino \u2013\u00a0<\/strong>Quando ele teve a crise, a Deane\u00a0<em>(m\u00e3e)<\/em>, que o acompanhava no hospital, chamou a auxiliar de enfermagem. A auxiliar de enfermagem foi chamar a m\u00e9dica. A m\u00e9dica n\u00e3o veio. Passado algum tempo, meu filho tinha parado de respirar. Come\u00e7ou a ficar roxo. A auxiliar de enfermagem voltou a chamar a m\u00e9dica. A m\u00e9dica relatou \u00e0 pol\u00edcia que demorou porque fora se trocar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00c9POCA \u2013 Quanto tempo transcorreu at\u00e9 ela chegar?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Dino \u2013\u00a0<\/strong>Uns quatro minutos. Quando a m\u00e9dica chegou, o Marcelo estava roxo nos l\u00e1bios e come\u00e7ou a ficar roxo no rosto tamb\u00e9m. O que a literatura m\u00e9dica diz? S\u00f3 existe uma conduta absoluta: entubar na hora, porque significa que o paciente est\u00e1 em parada respirat\u00f3ria. Um pneumologista que est\u00e1 me assistindo diz que s\u00e3o quatro ou cinco minutos para voc\u00ea salvar uma vida nessas condi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00c9POCA \u2013 Como exigir transpar\u00eancia dos hospitais privados?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Dino \u2013<\/strong>\u00a0Esse \u00e9 um papel do Poder P\u00fablico. Fa\u00e7o analogia com a educa\u00e7\u00e3o. Se existe um sistema p\u00fablico de avalia\u00e7\u00e3o das faculdades, deve existir para os hospitais tamb\u00e9m. No caso espec\u00edfico de erros, de crimes, deve haver regras espec\u00edficas que hoje n\u00e3o existem, de preserva\u00e7\u00e3o da cena do crime. O hospital tem uma rela\u00e7\u00e3o com seu corpo profissional e outra com seus pacientes. Eles s\u00f3 olham a rela\u00e7\u00e3o com o corpo profissional. Tanto que os advogados dos m\u00e9dicos s\u00e3o os advogados do hospital. Eles n\u00e3o veem que existe um paciente que pagou pelo servi\u00e7o que n\u00e3o foi prestado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00c9POCA \u2013 O que existe do outro lado do balc\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Dino \u2013<\/strong>\u00a0Existe um sistema que se caracteriza pela impenetrabilidade e pela desumanidade. Quem domina todas as informa\u00e7\u00f5es \u00e9 o hospital. \u00c9 preciso haver transpar\u00eancia no controle dessas informa\u00e7\u00f5es, e esse direito do paciente deve ser respeitado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00c9POCA \u2013 O consumidor brasileiro tem a quem recorrer numa hora como essa?<\/strong><strong><br \/>\n<strong>Dino \u2013<\/strong><\/strong>\u00a0Voc\u00ea tem de recorrer \u00e0 pol\u00edcia e ao Minist\u00e9rio P\u00fablico. Por isso, defendo o fortalecimento da Anvisa<em>(Ag\u00eancia Nacional de Vigil\u00e2ncia Sanit\u00e1ria)<\/em>\u00a0e dos \u00f3rg\u00e3os do Sistema \u00danico de Sa\u00fade. H\u00e1 os Conselhos Regionais, das pr\u00f3prias profiss\u00f5es. Nos hospitais privados, m\u00e9dicos e enfermeiros s\u00e3o obrigados, segundo eles, a se submeter a situa\u00e7\u00f5es desumanas porque tamb\u00e9m n\u00e3o t\u00eam quem os proteja.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00c9POCA \u2013 Numa situa\u00e7\u00e3o de emerg\u00eancia, onde buscar socorro: no hospital p\u00fablico ou privado?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Dino \u2013<\/strong>\u00a0No caso dos hospitais particulares, o mais grave \u00e9 a gan\u00e2ncia. A busca do lucro m\u00e1ximo impede a presta\u00e7\u00e3o adequada dos servi\u00e7os. Afinal, um hospital \u00e9 uma empresa como outra qualquer, feita para lucrar, ou tem compromisso com a qualida-de? E quem fiscaliza essa qualidade? Na rede p\u00fablica, temos o debate sobre verbas e sobre a corrup\u00e7\u00e3o. Por cima de tudo, existe a desumanidade, a coisifica\u00e7\u00e3o da vida humana. \u00c9 como se fosse produ\u00e7\u00e3o de estat\u00edstica. Nos hospitais p\u00fablicos, \u00e9 uma dificuldade hist\u00f3rica, que n\u00e3o distingue governos. Nos particulares, o problema \u00e9 empresarial, que chamo de ind\u00fastria da morte.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00c9POCA \u2013 O senhor pretende fazer alguma campanha?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Dino \u2013<\/strong>\u00a0A morte dele\u00a0<em>(de Marcelo)<\/em>\u00a0tem de servir para alguma coisa, para dar sentido \u00e0 vida dele. N\u00e3o sou movido por sentimento de vingan\u00e7a. Luto por justi\u00e7a. Nesse caso, existe uma singularidade, que \u00e9 a justi\u00e7a para o meu filho, mas tenho a esperan\u00e7a de que a morte dele sirva para a ado\u00e7\u00e3o de medidas que previnam ocorr\u00eancias similares.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00c9POCA \u2013 No que essa campanha pode ajudar?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Dino \u2013<\/strong>\u00a0Por exemplo: hoje existe o sistema de avalia\u00e7\u00e3o de qualidade das faculdades. O Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o vai l\u00e1, inspeciona, atribui nota, verifica o curr\u00edculo dos profissionais e, no limite, se a institui\u00e7\u00e3o n\u00e3o preencher determinados par\u00e2metros de qualidade, ela poder\u00e1 deixar de funcionar. Nos hospitais n\u00e3o existe isso. \u00c9 como se fosse um com\u00e9rcio qualquer. N\u00e3o \u00e9 hora de exis-tir um sistema de avalia\u00e7\u00e3o de qualidade, conduzido pelo SUS, pela Anvisa, para que os consumidores possam afinal saber o que os hospitais oferecem?<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Imputa\u00e7\u00e3o irrepar\u00e1vel por MARCELO ROCHA \u2013 REVISTA \u00c9POCA\u00a0 Na manh\u00e3 de 14 de fevereiro, uma ter\u00e7a-feira, pouco depois das 6 horas, o ex-deputado federal Fl\u00e1vio Dino (PCdoB-MA), de 43 anos e pai de dois filhos, recebeu uma liga\u00e7\u00e3o da mulher, Deane Maria. 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