{"id":13413,"date":"2012-08-26T07:37:51","date_gmt":"2012-08-26T10:37:51","guid":{"rendered":"http:\/\/joseluizalmeida.com\/?p=13413"},"modified":"2012-08-26T07:37:51","modified_gmt":"2012-08-26T10:37:51","slug":"como-dantes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/joseluizalmeida.com\/?p=13413","title":{"rendered":"Como dantes&#8230;"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">De uns tempos para c\u00e1 decidi que, mesmo sem perspectiva de ler, compraria todos os livros que entendesse, pelo seu conte\u00fado, devesse comprar. E assim estou fazendo. \u00a0Vou comprando e vou guardando, at\u00e9 o dia que for poss\u00edvel ler. N\u00e3o s\u00e3o muitos, claro, mesmo porque os pre\u00e7os s\u00e3o quase proibitivos. Ainda assim, h\u00e1 muitos na fila de espera. E v\u00e3o se acumulando at\u00e9 n\u00e3o sei quando, mesmo porque nunca leio um livro s\u00f3 uma vez. Eu tenho necessidade de voltar aos manuais, em face da minha reconhecida defici\u00eancia cognitiva.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esse final de semana, encontrei um livro que comprei h\u00e1 cinco anos passados ( Veja sob censura, editora Jaboticaba, S\u00e3o Paulo, 2008, da jornalista Maria Fernando Lopes Almeida) \u00a0e que nunca tinha sequer aberto. Trata-se de um exemplar \u00a0que narra os tempos de censura que se abateram sobre a imprensa brasileira, \u00e0 \u00e9poca da \u00a0ditadura, especialmente \u00e0 revista Veja.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O livro \u00e9 recheado de passagens \u00a0repugnantes que eu gostaria muito de dividir com os leitores do meu blog que n\u00e3o tiveram acesso \u00e0s informa\u00e7\u00f5es, sobretudo \u00e0s novas gera\u00e7\u00f5es. \u00a0Nesse sentido, escolhi transcrever no dia de hoje uma passagem na qual a jornalista narra a situa\u00e7\u00e3o em que foi encontrado o estudante Paulo de Tarso Wenceslau, preso na sede da Opera\u00e7\u00e3o Bandeirantes:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;As m\u00e3os semiparalisadas devido aos longos per\u00edodos no pau-de-arara, os p\u00e9s machucados e a l\u00edngua, cortada na parte superior, do lado esquerdo, estava em carne viva e ele n\u00e3o podia mastigar. Ficou sem comer pelo menos tr\u00eas dias. Os carcereiros encarregados da comida separavam o caldo do feij\u00e3o e Paulo fazia for\u00e7a para engolir. Isto uma vez por dia, \u00e0s 19 horas, quando \u00e9 servida a \u00fanica refei\u00e7\u00e3o. Paulo s\u00f3 parou de apanhar quando confessou estava seu aparelho&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fiz quest\u00e3o de trazer a lume esse excerto do livro, n\u00e3o s\u00f3 em face de sua relev\u00e2ncia, mas, sobretudo, em face de sua atualidade. \u00c9 que, \u00a0infelizmente, passada ditadura, ainda hoje, agora sob pretexto diverso, ainda se praticam \u00a0torturas nas delegacias de pol\u00edcia do nosso pa\u00eds, agora com uma clientela espec\u00edfica: os miser\u00e1veis, os desvalidos, os etiquetados, aqueles que, pelas suas caracter\u00edsticas, foram eleitos \u00a0como clientela preferencial das inst\u00e2ncias persecut\u00f3rias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pode ser que haja que se inquiete com o que estou afirmando. Duvido muito, no entanto, que haja quem tenha coragem de contestar o que digo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>De uns tempos para c\u00e1 decidi que, mesmo sem perspectiva de ler, compraria todos os livros que entendesse, pelo seu conte\u00fado, devesse comprar. E assim estou fazendo. \u00a0Vou comprando e vou guardando, at\u00e9 o dia que for poss\u00edvel ler. N\u00e3o s\u00e3o muitos, claro, mesmo porque os pre\u00e7os s\u00e3o quase proibitivos. 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