{"id":14328,"date":"2013-01-15T17:24:42","date_gmt":"2013-01-15T20:24:42","guid":{"rendered":"http:\/\/joseluizalmeida.com\/?p=14328"},"modified":"2013-01-15T17:38:56","modified_gmt":"2013-01-15T20:38:56","slug":"as-favas-a-consicencia-moral","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/joseluizalmeida.com\/?p=14328","title":{"rendered":"\u00c0s favas a consci\u00eancia moral"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"http:\/\/joseluizalmeida.com\/2013\/01\/15\/as-favas-a-consicencia-moral\/dinheiro-4\/\" rel=\"attachment wp-att-14346\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-medium wp-image-14346\" alt=\"dinheiro\" src=\"http:\/\/joseluizalmeida.com\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/dinheiro1-300x224.jpg\" width=\"300\" height=\"224\" srcset=\"https:\/\/joseluizalmeida.com\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/dinheiro1-300x224.jpg 300w, https:\/\/joseluizalmeida.com\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/dinheiro1.jpg 555w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Todos temos acompanhado, com preocupa\u00e7\u00e3o, a prolifera\u00e7\u00e3o de assaltos a m\u00e3o arma, os quais t\u00eam feito sucumbir pessoas inocentes, muitas das quais no limiar da sua juventude, destruindo sonhos e espargindo pesadelos. Mas os assaltantes n\u00e3o escolhem as v\u00edtimas; tudo depende das circunst\u00e2ncias. Nessa vol\u00fapia eles assaltam novos e velhos. Pouco importa, pois, a idade da v\u00edtima. S\u00f3 destaquei, inicialmente, os jovens, em face da primeira lembran\u00e7a que me veio \u00e0 mente, em face das \u00faltimas not\u00edcias veiculadas acerca do assunto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nenhum de n\u00f3s que saia de casa, \u00a0nos dias presentes, \u00a0pode afirmar que para casa voltar\u00e1. N\u00f3s n\u00e3o temos a mais m\u00ednima no\u00e7\u00e3o do que ser\u00e1 da nossa vida, t\u00e3o logo sa\u00edmos \u00a0\u00e0 rua, pois podemos ser assaltados &#8211; e perder a vida &#8211; ainda na porta de casa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas os assaltos n\u00e3o ocorrem somente da porta da rua para fora, afinal, a ousadia dos meliantes n\u00e3o tem limites; eles ousam muito, e, nesse sentido, se necess\u00e1rio, invadem o nosso lar, sem receio de nada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esse \u00e9 o quadro. Essa a situa\u00e7\u00e3o; situa\u00e7\u00e3o de extrema gravidade, que muitas vezes n\u00e3o nos afligem, a menos que sejamos n\u00f3s mesmos as v\u00edtimas ou pessoas da nossa mais estreita rela\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Noutro giro, v\u00ea-se, agora, a prolifera\u00e7\u00e3o de linchamentos, o que, na minha avalia\u00e7\u00e3o, s\u00f3 era quest\u00e3o de tempo, vez que a popula\u00e7\u00e3o, agastada, maltratada e espezinhada, j\u00e1 n\u00e3o suporta tanta viol\u00eancia, sem que sinta a rea\u00e7\u00e3o do Estado no sentido de coibi-la ou de punir os criminosos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m dos linchamentos, testemunhamos, ademais, a rea\u00e7\u00e3o a m\u00e3o armada em face dos assaltos. Nos \u00faltimos dias os jornais t\u00eam dado destaque a essa quest\u00e3o. O grave \u00e9 que com todos que conversamos sobre o fato ouve-se a mesma exclama\u00e7\u00e3o: &#8221; bem feito. Se fosse comigo faria a mesma coisa&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A verdade \u00e9 que quem pode se defender, cuida logo de faz\u00ea-lo, sem esperar pela (re) a\u00e7\u00e3o da pol\u00edcia de seguran\u00e7a, que, claro, n\u00e3o pode estar em todos os lugares ao mesmo tempo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esse tipo de constata\u00e7\u00e3o \u00e9 grav\u00edssimo. \u00c9 que quando o homem decide fazer a sua pr\u00f3pria Justi\u00e7a, descambamos para selvageria, cujas consequ\u00eancias n\u00e3o s\u00e3o dif\u00edceis de mensurar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Diante desse cen\u00e1rio desolador, \u00a0\u00e9 for\u00e7oso perscrutar as raz\u00f5es pelas quais os crimes \u00a0proliferam dessa forma e por que as pessoas reagem, fazendo justi\u00e7a com as pr\u00f3prias m\u00e3os.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 necess\u00e1rio perquirir, ademais, por que os assaltos restaram banalizados e por que as v\u00edtimas agora reagem na mesma propor\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Atrevo-me a responder essas quest\u00f5es \u00a0\u00e0 luz das minhas convic\u00e7\u00f5es pessoais e em vista da minha experi\u00eancia de juiz criminal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pois bem. Desde a minha compreens\u00e3o a pr\u00e1tica disseminada de assaltos decorre do consci\u00eancia moral dos meliantes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Explico. H\u00e1 muito tempo, \u00a0parte dos exclu\u00eddos &#8211; aquele a quem o estado tudo nega &#8211; \u00a0sedimentou na sua consci\u00eancia \u00a0a convic\u00e7\u00e3o de que se a nossa elite &#8220;rouba&#8221; o dinheiro p\u00fablico e nada acontece, ele, tamb\u00e9m, tem o direito de subtrair bens de terceiros, ainda que o fa\u00e7a mediante viol\u00eancia e ainda que, em rela\u00e7\u00e3o a ele, haja \u00a0maior probabilidade de eventualmente ser \u00a0alcan\u00e7ado pelas inst\u00e2ncias persecut\u00f3rias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Simples assim, na concep\u00e7\u00e3o do exclu\u00eddo. Ora, se a elite dirigente faz todo tipo de tramoia \u00a0com o dinheiro p\u00fablico e nada acontece, ele, cidad\u00e3o comum, alijado de tudo, conclui que tamb\u00e9m pode fazer as suas travessuras.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O meliante, com essa consci\u00eancia moral deturpada, \u00a0avalia os riscos, sabe que pode ser preso e que, uma vez preso, pode, sim, ser condenado ( diferente da elite dirigente, que tem certeza da impunidade). Todavia, ainda assim, \u00a0correndo todos os riscos, ele arrisca. Na concep\u00e7\u00e3o dele, vale arriscar, mesmo porque, diferente do colarinho branco, ele n\u00e3o tem a chave dos cofres p\u00fablicos, ele n\u00e3o tem nenhum canal que lhe favore\u00e7a o acesso aos cofres p\u00fablicos.\u00a0Para o roubador, \u00a0\u00e0 luz da sua consci\u00eancia moral, ainda que correndo riscos, vale a pena tentar, afinal, ele \u00e9 apenas mais um no mundo do crime, segundo a sua consci\u00eancia moral.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o pense voc\u00ea, n\u00e3o pense ningu\u00e9m, que esse tipo de meliante n\u00e3o tenha consci\u00eancia do que est\u00e1 fazendo. Ele sabe que \u00e9 errado. Ele tem consci\u00eancia que corre riscos. Mas n\u00e3o desiste. Ele agora est\u00e1 envolvido pelo sensa\u00e7\u00e3o de que se os outros podem ele tamb\u00e9m pode. E assim pensando, vai em frente, parte para o ataque, na esperan\u00e7a de que \u00a0n\u00e3o venha a ser alcan\u00e7ado pelos tent\u00e1culos persecut\u00f3rios do Estado, conquanto tenha certeza de sua fragilidade em face desse mesmo Estado, cujas inst\u00e2ncias t\u00eam os olhos voltados apenas para pequena criminalidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Simplificando: o meliante, o \u00a0criminoso do colarinho amarrotado, se sente estimulado a praticar crimes, porque testemunha, todos os dias, o enriquecimento il\u00edcito dos colarinhos engomados, sem que nada lhes ocorra &#8211; a n\u00e3o ser, claro, excepcionalmente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Diante desse quadro ele indaga, do alto de sua consci\u00eancia moral: se o bacana pode, por que eu n\u00e3o posso? Se meu vizinho vive de roubos e ningu\u00e9m nunca o puniu, por que eu tamb\u00e9m n\u00e3o posso?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao cidad\u00e3o de bem &#8211; aquele que n\u00e3o desvia dinheiro p\u00fablico e nem se atreve a assaltar -, abandonado pelos \u00f3rg\u00e3os de seguran\u00e7a, s\u00f3 resta, diante desse tenebroso quadro, reagir; e tem reagido, da\u00ed os linchamentos e as defesas pessoais que proliferam.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os linchamentos e a rea\u00e7\u00e3o armada em face dos assaltos decorrem, ademais, da falta de credibilidade das nossas institui\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A verdade \u00e9 que as pessoas n\u00e3o suportam mais ser assaltadas, para, depois, deparar-se com o meliante em liberdade, \u00e0 conta da sua presun\u00e7\u00e3o de inoc\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Da mesma forma, as pessoas j\u00e1 n\u00e3o suportam, mas n\u00e3o podem reagir da mesma forma, em face da roubalheira do dinheiro p\u00fablico. Todavia, ainda que mais contidas em rela\u00e7\u00e3o a essas quest\u00f5es, t\u00eam reagido defenestrando do poder os lar\u00e1pios do dinheiro p\u00fablico, pela via convencional e democr\u00e1tica que s\u00e3o as elei\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 necess\u00e1rio que olhemos essas quest\u00f5es \u00e0 luz de um ju\u00edzo de valor acurado. A continuar assim, n\u00e3o tenho d\u00favidas, o cidad\u00e3o comum passar\u00e1, doravante, ao exerc\u00edcio da sua defesa, sejam quais forem as consequ\u00eancias, com mais sofreguid\u00e3o. Se essa rea\u00e7\u00e3o se disseminar, ainda ser\u00e1 uma verdadeira guerra civil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Do acima relatado a constata\u00e7\u00e3o, \u00e9 obvia: o cidad\u00e3o comum s\u00f3 reage em face de um assalto, porque descr\u00ea das nossas institui\u00e7\u00f5es, porque delas faz um p\u00e9ssimo ju\u00edzo de valor.Da mesma forma, em rela\u00e7\u00e3o aos assaltantes dos cofres p\u00fablicos, o cidad\u00e3o s\u00f3 n\u00e3o tem reagido com viol\u00eancia porque a situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o favorece. Mas, com certeza, a vontade de reagir \u00e9 muita, em face de sua indigna\u00e7\u00e3o com tantos desvio de dinheiro p\u00fablico, em detrimento, por exemplo, \u00a0dos servi\u00e7os p\u00fablicos prim\u00e1rios que sequer s\u00e3o fornecidos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As pessoas sabem, sim, o que \u00e9 certo e o que \u00e9 errado. As pessoas \u00a0&#8211; exclu\u00eddos os meliantes a que me reporto nessas reflex\u00f5es &#8211; t\u00eam senso e consci\u00eancia moral normais. Mas sentem que n\u00e3o podem mais aguardar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As pessoas n\u00e3o t\u00eam esperan\u00e7a que o roubador que atentou contra o seu patrim\u00f4nio possa vir a pagar pelo que fez, nem tampouco restituir o que roubou ou lhe ressarcir pelos danos causados, mesmo porque o roubador \u00e9, sobretudo, um miser\u00e1vel; diferente do colarinho branco que vive e convive nas mesmas rodas sociais que vivemos, esnobando o resultado dos desvios que protagonizou, sem a mais m\u00ednima cerim\u00f4nia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os meliantes do colarinho branco, diferente dos roubadores, s\u00e3o, sobretudo, uns esnobes e debochados, pois n\u00e3o fazem a m\u00ednima quest\u00e3o de esconder o patrim\u00f4nio que amealharam com as verbas desviadas. Para eles o bom mesmo \u00e9 ostentar. E \u00e0s favas a consci\u00eancia moral, afinal, pensam, n\u00e3o vieram \u00e0 terra para consertar o mundo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Todos temos acompanhado, com preocupa\u00e7\u00e3o, a prolifera\u00e7\u00e3o de assaltos a m\u00e3o arma, os quais t\u00eam feito sucumbir pessoas inocentes, muitas das quais no limiar da sua juventude, destruindo sonhos e espargindo pesadelos. Mas os assaltantes n\u00e3o escolhem as v\u00edtimas; tudo depende das circunst\u00e2ncias. Nessa vol\u00fapia eles assaltam novos e velhos. 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