{"id":14397,"date":"2013-01-22T08:45:48","date_gmt":"2013-01-22T11:45:48","guid":{"rendered":"http:\/\/joseluizalmeida.com\/?p=14397"},"modified":"2013-01-22T15:46:36","modified_gmt":"2013-01-22T18:46:36","slug":"o-preco-da-ousadia-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/joseluizalmeida.com\/?p=14397","title":{"rendered":"O pre\u00e7o da ousadia"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Para manter um blog, postando mat\u00e9rias novas todos os dias, \u00e9 preciso muita inspira\u00e7\u00e3o. Mas n\u00e3o basta a inspira\u00e7\u00e3o: \u00e9 preciso ter coragem de dizer o que se pensa; coragem porque, ao dizer o que se pensa, pode-se fabricar inimizades -at\u00e9 figadais, creia. Por isso, \u00e9 sempre mais c\u00f4modo n\u00e3o falar, ficar sobre o muro, ver a banda passar, sem esbo\u00e7ar rea\u00e7\u00e3o. Como n\u00e3o sou desse tipo, eu prefiro dizer o que penso; mas o fa\u00e7o com responsabilidade, cuidando sempre para n\u00e3o agredir as pessoas, limitando-me a expor os meus pontos de vista em face dos mais diferentes temas, apenas para marcar posi\u00e7\u00e3o, \u00e0 luz da compreens\u00e3o que tenho que, nos dias presentes, j\u00e1 n\u00e3o prevalece aquela m\u00e1xima, que esconde um ato de covardia, de que juiz s\u00f3 fala nos autos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 preciso convir, inobstante, que dizer o que se pensa \u00e9 correr o risco de pagar um alto pre\u00e7o, sobretudo porque as palavras, muitas delas poliss\u00eamicas, de especial abertura sem\u00e2ntica, permitem muitas interpreta\u00e7\u00f5es, que ficam na depend\u00eancia de quem as leiam, \u00e0s luz de suas pr\u00e9-compreens\u00f5es, dos seus valores, das suas idiossincrasias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Recordo, a prop\u00f3sito, que, em 2006, dei uma entrevista a jornal local, na qual, dentre outros temas, fiz uma abordagem acerca da falta de crit\u00e9rios para as promo\u00e7\u00f5es por merecimento. No dia seguinte, o jornal estampou uma manchete imputando e mim a autoria de graves acusa\u00e7\u00f5es contra o Poder Judici\u00e1rio do Maranh\u00e3o. Claro que, por isso, paguei um pre\u00e7o alta. Mas entendi o resultado como uma consequ\u00eancia natural de ter corrido o risco de dizer o que pensava.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas eu dizia, \u00e9 preciso ter coragem de dizer o que se pensa, ainda que possamos ser incompreendidos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dois epis\u00f3dios hist\u00f3ricos para ilustrar. Hobbes, ao defender uma autoridade absoluta em face dos cidad\u00e3os, demoliu, no mesmo passo, a pretens\u00e3o dos reis ao favor divino. Ao faz\u00ea-lo, foi considerado por muitos de seus contempor\u00e2neos, se n\u00e3o de fato um ateu, certamente um herege perigoso. Depois da grande peste de 1666, quando 60 mil londrinos morreram, seguida pelo Grande Inc\u00eandio, um comit\u00ea parlamentar foi formado para investigar se seus escritos tinham provocado os dois desastres. Pagou o pre\u00e7o da ousadia de dizer o que pensava (Casos Filos\u00f3ficos, Martin Cohen, 2012)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9mile Zola, todos lembram, escreveu um artigo ( J&#8217; accuse), em face do caso Dreyfus, publicado no jornal L&#8217; Aurore, atacando os generais e outros oficiais , a quem atribu\u00eda a responsabilidade por um grave erro judicial. Pagou um elevado pre\u00e7o. Foi processado, condenado e exilado, nada obstante n\u00e3o tenha feito nenhuma acusa\u00e7\u00e3o leviana, vez que, depois, comprovou-se que, efetivamente, a condena\u00e7\u00e3o de Dreyfus tinha sido embasada em prova insubsistente. \u00a0Dentre outras verdades, Zola afirmou: &#8220;Meu dever \u00e9 de falar, n\u00e3o quero ser c\u00famplice. Minhas noites seriam atormentadas pelo espectro do inocente que paga, na mais horr\u00edvel das torturas, por um crime que ele n\u00e3o cometeu&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 isso!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Eu daqui do meu lado, ciente da minha dimens\u00e3o, vou dizendo as coisas que penso, sem temer pelas incompreens\u00f5es. Sei, todavia, que, por isso, h\u00e1 quem me veja com cautela e reserva, afinal, na concep\u00e7\u00e3o de muitos, falar, dizer o que pensa, numa corpora\u00e7\u00e3o, pode ser um grave pecado. Mas eu vou dizendo, na convic\u00e7\u00e3o de que n\u00e3o sou irrespons\u00e1vel e inconsequente. Muitos gostam e aplaudem o que digo; outros, nem tanto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fazer o qu\u00ea?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Para manter um blog, postando mat\u00e9rias novas todos os dias, \u00e9 preciso muita inspira\u00e7\u00e3o. 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