{"id":14437,"date":"2013-01-26T16:31:17","date_gmt":"2013-01-26T19:31:17","guid":{"rendered":"http:\/\/joseluizalmeida.com\/?p=14437"},"modified":"2013-01-26T16:47:36","modified_gmt":"2013-01-26T19:47:36","slug":"um-passsaro-para-chilrear","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/joseluizalmeida.com\/?p=14437","title":{"rendered":"Um p\u00e1sssaro para chilrear"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"http:\/\/joseluizalmeida.com\/2013\/01\/26\/um-passsaro-para-chilrear\/passaro-5752\/\" rel=\"attachment wp-att-14438\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-medium wp-image-14438\" alt=\"passaro-5752\" src=\"http:\/\/joseluizalmeida.com\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/passaro-5752-300x225.jpg\" width=\"300\" height=\"225\" srcset=\"https:\/\/joseluizalmeida.com\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/passaro-5752-300x225.jpg 300w, https:\/\/joseluizalmeida.com\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/passaro-5752-1024x768.jpg 1024w, https:\/\/joseluizalmeida.com\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/passaro-5752.jpg 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Muitas vezes, complicamos as coisas mais simples; nos agastamos, em demasia, por quest\u00f5es banais, deixando de valorizar o que devia ter sido valorizado. N\u00e3o valorizamos, para, depois, nos arrepender. Mas a\u00ed j\u00e1 pode ser muito tarde.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 por isso que valorizo as coisas mais simples que acontecem na minha vida. Deixo de participar de qualquer festa, de qualquer solenidade, \u00a0para bater um bom papo com os amigos; jogar conversa fora, como se diz. Se poss\u00edvel, regada a \u00a0Whisky ( que bebo moderadamente), que tamb\u00e9m n\u00e3o precisa ser muito sofisticado. As coisas muito sofisticadas n\u00e3o tem sabor natural; parece artificial.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Viver bem, para mim, \u00e9 isso: ver em cada momento alguma coisa para ser comemorada. \u00c9 por isso que n\u00e3o sou de fazer comemora\u00e7\u00f5es em datas espec\u00edficas. Eu vivo em festa. Minha vida \u00e9 uma tert\u00falia sem fim. Mas, registro, vivo curtindo as coisas mais simples: uma \u00a0boa leitura, um bom livro, um belo filme, uma roda de amigos etc<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um detalhe: como os amigos de conversas s\u00e3o todos sexagen\u00e1rios, \u00e9 bom consignar que as nossas conversas giram sempre em torno dos mesmos temas. \u00a0N\u00f3s vivemos nos repetindo. H\u00e1 de n\u00f3s que j\u00e1 contou a mesma hist\u00f3ria umas duzentas vezes. Mas mesmo assim ainda nos divertimos, achamos gra\u00e7a &#8211; em face das mesmas hist\u00f3rias, com os mesmos personagens.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A verdade \u00e9 que da vida s\u00f3 queremos os prazeres, a bonan\u00e7a, a folgan\u00e7a e a patuscada. Problema, por menor que seja, n\u00f3s tendemos \u00a0superdimensionar, muitas vezes s\u00f3 para nos infelicitar, para nos sentirmos v\u00edtimas; a infelicidade, assim, pode estar dentro de n\u00f3s mesmos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A felicidade &#8211; belo clich\u00ea &#8211; pode estar nas coisas mais simples. Ali\u00e1s, para mim, a felicidade est\u00e1 sempre nas coisas mais simples; certamente porque n\u00e3o sou nada sofisticado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ainda recentemente, tendo acordado pelos cinco horas da manh\u00e3, como fa\u00e7o habitualmente, detive-me a pensar numa coisa simples que a vida urbana nos roubou: o canto dos galos ao amanhecer; nunca mais ouvi o galo cantar ao amanhecer. O galo, para quem n\u00e3o sabe, era o despertador do sertanejo; tanto que, se algum deles, inexplicavelmente, cantasse a destempo, cuidava-se logo \u00a0de antecipar a cabidela do domingo, com muitas horas de fogo para amolecer a v\u00edtima.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas eu dizia que vivemos das coisas mais simples. Eu gosto das coisas simples. O sofisticado, o muito formal me incomoda.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E, registro, n\u00e3o sou diferente de muitos. As coisas simples fascinam a mim e a muitos como eu.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A prop\u00f3sito, o personagem principal de o \u00a0\u00daltimo Dia de Um Condenado, de Victor Hugo, aguardando a execu\u00e7\u00e3o da pena ( de morte, registro), num determinado momento de solid\u00e3o, de absoluta introspec\u00e7\u00e3o em face de sua situa\u00e7\u00e3o, fez o seguinte desabafo:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>&#8220;O cheiro abafado da pris\u00e3o sufoca-me mais do que nunca e aos meus ouvidos ressoava ainda o ru\u00eddo das correntes dos for\u00e7ados. Achava-me cansado de estar em Bic\u00eatre. Parecia-me que Deus deveria ter piedade de mim e enviar-me ao menos um passarinho para chilrear na minha frente, pousado \u00e0 beira do telhado&#8221;<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fico pensando: quantos de n\u00f3s deixamos de atentar para o canto dos p\u00e1ssaros; algo t\u00e3o simples mas que s\u00f3 nos damos conta da sua relev\u00e2ncia quando somos privados desse presente da natureza.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 prov\u00e1vel que o \u00a0personagem de Victor Hugo, tendo tido oportunidade, nunca deu o valor que tem o canto de um p\u00e1ssaro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De minha parte, quisera poder ter o prazer de acordar, pelo menos mais \u00a0uma vez, ouvindo o canto de um galo, que tantos vezes me despertou, me oportunizando \u00a0ir ao curral do vizinho testemunhar a ordenha das vagas e \u00a0degustar um bom leite mugido.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Privil\u00e9gio de poucos, sabia?<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Muitas vezes, complicamos as coisas mais simples; nos agastamos, em demasia, por quest\u00f5es banais, deixando de valorizar o que devia ter sido valorizado. 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