{"id":14464,"date":"2013-01-29T08:40:21","date_gmt":"2013-01-29T11:40:21","guid":{"rendered":"http:\/\/joseluizalmeida.com\/?p=14464"},"modified":"2013-01-29T08:40:22","modified_gmt":"2013-01-29T11:40:22","slug":"o-ultimo-dia-de-um-condenado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/joseluizalmeida.com\/?p=14464","title":{"rendered":"O \u00faltimo dia de um condenado"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/joseluizalmeida.com\/2013\/01\/29\/o-ultimo-dia-de-um-condenado\/20120715-luis_xvi_no_cadafalso\/\" rel=\"attachment wp-att-14465\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-medium wp-image-14465\" alt=\"20120715-Luis_XVI_no_cadafalso\" src=\"http:\/\/joseluizalmeida.com\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/20120715-Luis_XVI_no_cadafalso-219x300.jpg\" width=\"219\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/joseluizalmeida.com\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/20120715-Luis_XVI_no_cadafalso-219x300.jpg 219w, https:\/\/joseluizalmeida.com\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/20120715-Luis_XVI_no_cadafalso.jpg 320w\" sizes=\"auto, (max-width: 219px) 100vw, 219px\" \/><\/a>Os excertos a seguir transcritos foram capturados no pref\u00e1cio de O \u00daLTIMO DIA DE UM CONDENADO, de Victor Hugo:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;[&#8230;]No sul, pelo fim do m\u00eas de setembro passado, &#8211; n\u00e3o temos bem presente o lugar, o dia, nem o nome do condenado, mas, se contestarem o fato, iremos encontr\u00e1-los; cremos que foi em Pamiers, &#8211; pelo fim de setembro, vieram buscar um homem \u00e0 pris\u00e3o, onde estava tranquilamente jogando \u00e0s cartas; dizem-lhe que \u00e9 preciso morrer dentro de duas horas, o que o faz tremer, porque havia seis meses que o esqueciam e ele n\u00e3o contava j\u00e1 com a morte: barbeiam-no, cortam-lhe o cabelo, amarram-no e confessam-no; depois metem-no entre quatro soldados e atrav\u00e9s da multid\u00e3o levam-no para o lugar da execu\u00e7\u00e3o. At\u00e9 aqui nada de mais simples. \u00c9 sempre assim, que isto se faz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Chegado ao cadafalso, o carrasco recebe-o do padre, leva-o consigo, amarra-o sobre a b\u00e1scula, enfurna-o e deixa cair o cutelo. O pesado tri\u00e2ngulo de ferro solta-se com dificuldade e cai rangendo nas ranhuras e &#8211; eis o horr\u00edvel, que come\u00e7a! &#8211; entala o homem sem o matar. O homem d\u00e1 um grito terr\u00edvel. o carrasco desconcertado, torna a levantar o cutelo e deixa-o de novo cair. O cutelo morte uma segunda vez o pesco\u00e7o do condenado, mas n\u00e3o o corta. O paciente ulula, a multid\u00e3o tamb\u00e9m. O carrasco torna a i\u00e7ar o cutelo, esperando do terceiro golpe. Nada. O terceiro golpe faz jorrar um terceiro regato de sangue da nuca do condenado, mas n\u00e3o faz cair a cabe\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Abreviemos. O cutelo subiu e caiu cinco vezes, cinco vezes golpeou o condenado, cinco vezes o condenado uivou com o golpe e moveu a cabe\u00e7a viva pedindo miseric\u00f3rdia! O povo indignado pegou em pedras e na sua justi\u00e7a come\u00e7ou a lapidar o miser\u00e1vel carrasco. Este fugiu para debaixo da guilhotina e escondeu-se por detr\u00e1s dos cavalos dos gerdames. Mas aina n\u00e3o chegamos ao fim. O supliciado vendo-se sozinho no cadafalso, levanta-se sozinho no cadafalso, levantara-se sobre a t\u00e1bua e em p\u00e9, terr\u00edvel, escorrendo sangue, amparando a cabe\u00e7a meia cortada, que lhe pendia sobre os ombros, pedia, em fracos gritos, que o viessem soltar. A multid\u00e3o, cheia de piedade, estava prestes a for\u00e7ar a fila dos gendarmes e vir em aux\u00edlio do desgra\u00e7ado, que cinco vezes sofrera a sua condena\u00e7\u00e3o \u00e0 morte. Foi nesse momento que um ajudante de carrasco, mancebo de vinte anos, subiu ao cadafalso, disse ao paciente para se voltar para poder soltar e aproveitando a posi\u00e7\u00e3o do moribundo, que se entregava sem desconfian\u00e7a, saltou-lhe sobre as costas e p\u00f4s-se-lhe a cortar dificilmente o que lhe restava do pesco\u00e7o com n\u00e3o sei que faca de carniceiro. Isto fez-se! Isto viu-se! Sim<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nos termos da lei um juiz devia ter assistido a esta execu\u00e7\u00e3o. Com um sinal podia deter tudo. O que fazia ent\u00e3o no fundo da sua carruagem esse homem, enquanto se massacrava um homem? O que fazia esse punidor de assassinos, enquanto se assassinava em pleno dia, sob os seus olhos, pr\u00f3ximo do seu trem, em frente das vidra\u00e7as da sua portinhola? E o juiz n\u00e3o foi processado! E o carrasco n\u00e3o foi processado! Nenhum tribunal inquiriu desta monstruosa extermina\u00e7\u00e3o de todas as leis sobre a pessoa sagrada duma criatura de Deus! [&#8230;]&#8221;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os excertos a seguir transcritos foram capturados no pref\u00e1cio de O \u00daLTIMO DIA DE UM CONDENADO, de Victor Hugo: &#8220;[&#8230;]No sul, pelo fim do m\u00eas de setembro passado, &#8211; n\u00e3o temos bem presente o lugar, o dia, nem o nome do condenado, mas, se contestarem o fato, iremos encontr\u00e1-los; cremos que foi em Pamiers, &#8211; [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"pagelayer_contact_templates":[],"_pagelayer_content":"","jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[23],"tags":[],"class_list":["post-14464","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-diversos"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/pokay-3Li","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/joseluizalmeida.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/14464","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/joseluizalmeida.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/joseluizalmeida.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/joseluizalmeida.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/joseluizalmeida.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=14464"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/joseluizalmeida.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/14464\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":14467,"href":"https:\/\/joseluizalmeida.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/14464\/revisions\/14467"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/joseluizalmeida.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=14464"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/joseluizalmeida.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=14464"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/joseluizalmeida.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=14464"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}