{"id":14491,"date":"2013-02-01T07:44:43","date_gmt":"2013-02-01T10:44:43","guid":{"rendered":"http:\/\/joseluizalmeida.com\/?p=14491"},"modified":"2013-02-03T18:47:10","modified_gmt":"2013-02-03T21:47:10","slug":"o-louco-como-a-loucura","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/joseluizalmeida.com\/?p=14491","title":{"rendered":"O louco como a Loucura"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">O louco, como a Loucura, \u00a0que ser escutado, quer chamar a aten\u00e7\u00e3o; acha que, com sua presen\u00e7a, dissipam-se as inquieta\u00e7\u00f5es, tudo se transforma, a terra se embeleza, a natureza rejuvenesce.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O louco, como a Loucura, acha que o que as pessoas s\u00f3brias, os grandes pensadores n\u00e3o conseguem, ele, Louco como \u00e9, \u00e9 capaz de conseguir, sem maiores dificuldades.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como a Loucura, o louco tamb\u00e9m usa vestimentas bizarras, para chamar a aten\u00e7\u00e3o; pensa que est\u00e1 dominando, que t\u00e1 tudo dominado, faz quest\u00e3o de exibir a marca famosa das roupas que veste, como se isso o distinguisse do sensato, do \u00e9tico e do equilibrado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O louco, como a Loucura, quer ser escutado como se escuta os buf\u00f5es, os\u00a0pantomimeiros, os saltimbancos, os charlat\u00f5es das pra\u00e7as p\u00fablicas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O louco, como a Loucura, gosta de exaltar seus m\u00e9ritos \u2013 m\u00e9ritos na vis\u00e3o dele, claro \u2013 e contar, ele pr\u00f3prio, \u00a0as suas aventuras (rectius: loucuras), na suposi\u00e7\u00e3o de que, contanto-as, galvaniza a aten\u00e7\u00e3o e a simpatia da plat\u00e9ia, porque, afinal, o tipo a que me refiro \u00e9 do tipo exibicionista.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como a Loucura, o louco louva-se a si mesmo, como no prov\u00e9rbio que diz: \u201cse ningu\u00e9m de louva, far\u00e1s bem em louvar-te a ti mesmo\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como a Loucura, \u00a0o louco pensa, sup\u00f5e que por ele todos t\u00eam venera\u00e7\u00e3o; reclama, como a Loucura, quando julga que as pessoas esquecem de celebrar os seus louvores.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O louco, como a Loucura, pensa que engana, que as pessoas n\u00e3o se d\u00e3o conta de suas bizarrices; pensa que as pessoas lhes d\u00e3o aten\u00e7\u00e3o porque mere\u00e7a e n\u00e3o porque t\u00eam d\u00f3 do seu dist\u00farbio mental.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como a Loucura, o louco n\u00e3o pensa antes de falar; diz o que vem \u00e0 mente, sem temer pelas consequ\u00eancias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como a Loucura, o louco pensa que na terra ou ainda que seja somente numa corpora\u00e7\u00e3o, ningu\u00e9m \u00e9 mais digno, mais adorado, mais sapiente, mais audacioso ou mais esperto que ele.<\/p>\n<p>O louco, como a Loucura, n\u00e3o precisa se identificar: a sua fisionomia j\u00e1 exibe a sua condi\u00e7\u00e3o de louco.<\/p>\n<p>PS. Esse artigo \u00e9 uma brincadeira reflexiva que fa\u00e7o inspirado no livro Elogia da Loucura, de Erasmo de Roterd\u00e3. Mas \u00a0n\u00e3o nego que conhe\u00e7o os loucos que inspiraram a brincadeira. Voc\u00ea tamb\u00e9m conhece; n\u00e3o negue!<\/p>\n<p>Detalhe: A Loucura acreditava que na terra n\u00e3o havia homens mais felizes que os comumente chamados de loucos, insensatos, bobos e imbecis.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Loucura justifica a sua conclus\u00e3o: &#8220;&#8230;Em primeiro lugar, eles n\u00e3o temem de modo nenhum a morte, o que, certamente, n\u00e3o \u00e9 uma pequena vantagem. N\u00e3o conhecem nem os remorsos devoradores de uma m\u00e1 consci\u00eancia, nem os v\u00e3os terrores que as hist\u00f3rias do inferno inspiram aos outros homens, nem os pavores que os espectros e almas do outro mundo lhes causam. Jamais o temor dos males que os amea\u00e7am,jamais a esperan\u00e7a dos bens que podem obter seria capaz de perturbar por um s\u00f3 instante a tranquilidade da alma deles. Em uma palavra, n\u00e3o s\u00e3o dilacerados pela infinidade de preocupa\u00e7\u00f5es que assediam continuamente a vida humana. N\u00e3o conhecem vergonha, nem temor, nem ambi\u00e7\u00e3o, nem ci\u00fame, nem ternura&#8230;&#8221;. (in Elogio da Loucura, Erasmo de Roterd\u00e3)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O louco, como a Loucura, \u00a0que ser escutado, quer chamar a aten\u00e7\u00e3o; acha que, com sua presen\u00e7a, dissipam-se as inquieta\u00e7\u00f5es, tudo se transforma, a terra se embeleza, a natureza rejuvenesce. 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