{"id":14632,"date":"2013-02-17T20:11:20","date_gmt":"2013-02-17T23:11:20","guid":{"rendered":"http:\/\/joseluizalmeida.com\/?p=14632"},"modified":"2013-02-17T20:14:02","modified_gmt":"2013-02-17T23:14:02","slug":"carpe-diem","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/joseluizalmeida.com\/?p=14632","title":{"rendered":"Carpe diem*"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"http:\/\/joseluizalmeida.com\/wp-content\/uploads\/2013\/02\/images1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-full wp-image-14635\" alt=\"images\" src=\"http:\/\/joseluizalmeida.com\/wp-content\/uploads\/2013\/02\/images1.jpg\" width=\"252\" height=\"200\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em><strong>&#8220;&#8230;a morte jamais \u00e9 aquilo que d\u00e1 \u00e0 vida seu sentido: pelo contr\u00e1rio, \u00e9 aquilo que, por princ\u00edpio,suprime da vida toda significa\u00e7\u00e3o. Se temos de morrer,nossa vida carece de sentido, porque seus problemas n\u00e3o recebem qualquer solu\u00e7\u00e3o e a pr\u00f3pria significa\u00e7\u00e3o dos problemas permanece indeterminada&#8221;<\/strong><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Jean-Paul Sarte ( 1905-1980), in O ser e o nada. Petr\u00f3polis:Vozes, 1997, p.652<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"text-align: justify;\">N\u00f3s estamos, todos os dias, nos confrontando com a morte. Aqui e acol\u00e1 a danada leva um dos nossos, se aproxima de n\u00f3s outros, \u00e0s vezes sorrateiramente, nos impondo uma reavalia\u00e7\u00e3o das nossas a\u00e7\u00f5es, dos nossos conceitos, dos nossas relacionamento, das nossas inquieta\u00e7\u00f5es.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A constata\u00e7\u00e3o acerca da \u00a0inevitabilidade da morte e a incerteza do que vir\u00e1 depois, podem nos conduzir a compreens\u00e3o de que devamos viver os nossos dias intensamente, sem nenhuma preocupa\u00e7\u00e3o com os valores morais, sem nos preocuparmos se, em face dessa vida intensa, possamos causar transtornos ou sofrimentos \u00e0s pessoas que est\u00e3o em volta de n\u00f3s.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em face da inexorabilidade da morte, o que deve confortar \u00e9 a (quase) certeza de que, malgrado aos pecados, \u00a0quem vive, na medida do poss\u00edvel, \u00a0conforme os valores da temperan\u00e7a, da liberdade, da honradez e da verdade, n\u00e3o deve, de rigor, temer a morte.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Consta que, por ter vivido sob esses preceitos, S\u00f3crates, mesmo ante a imin\u00eancia da morte, n\u00e3o demonstrou nenhuma apreens\u00e3o, nenhuma inquieta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">S\u00f3crates teria se preparado para a morte?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Existe algu\u00e9m no mundo preparado para o dia fatal?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Creio que n\u00e3o, sobretudo para os que veem a morte como aniquilamento, em face da cren\u00e7a de que nada existe depois dela.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A verdade \u00e9 que a morte \u00e9 um enigma que assombra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o se pode, todavia, em face da cren\u00e7a, por exemplo, de que depois da morte nada mais existe ( ang\u00fastia metaf\u00edsica de muitos), \u00a0fazer tudo que entenda deve ser feito, pois que, mesmo diante dessa incerteza, h\u00e1 que se preservarem os valores morais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A ningu\u00e9m \u00e9 dado o direito de, para usar a express\u00e3o que d\u00e1 t\u00edtulo a essas reflex\u00f5es, aproveitar o m\u00e1ximo, a qualquer pre\u00e7o e sem qualquer escr\u00fapulo, o momento que a vida nos oferece.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Voltando a S\u00f3crates, indago, novamente, em face de sua quietude ao ver se aproximar o fim: ele teria certeza do que viria depois da morte? Ele teria, efetivamente, se preparado para esse momento?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segundo Plat\u00e3o (Defesa de S\u00f3crates) a \u00faltima frase do fil\u00f3sofo, antes de ingerir o veneno que o levou a \u00f3bito \u00a0foi a seguinte:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;\u00c9 chegada a hora de partirmos, eu para a morte, v\u00f3s para a vida. Quem segue melhor rumo, se eu, se v\u00f3s, \u00e9 segredo para todos, menos para divindade&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As conclus\u00f5es acerca das indaga\u00e7\u00f5es \u00a0que fiz s\u00f3 podem ser retiradas dessa \u00faltima manifesta\u00e7\u00e3o do fil\u00f3sofo. Independentemente do que vir\u00e1 depois, entendo que, todos os dias, a cada instante, \u00e9 preciso \u00a0reavaliar os nossos conceitos, mudar a nossa dire\u00e7\u00e3o. Todos os dias, com efeito, \u00e9 dia de pensar e repensar, de buscar a harmonia com o semelhante, de buscar a paz interior que precisamos para viver bem com o semelhante.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em tempo: Epicuro ( 341-270 a.C.) era pragm\u00e1tico: para ele a morte nada significava por que ela n\u00e3o existe para os vivos, e os mortos n\u00e3o est\u00e3o mais aqui para explic\u00e1-la. Epicuro n\u00e3o se apavorava com a possibilidade de morrer, pois a morte, para ele, n\u00e3o era o maior dos males, j\u00e1 que n\u00e3o via nenhuma vantagem em viver eternamente. Para ele, mais do que ter a alma imortal, vale a maneira pela qual escolhemos viver.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para Montaigne, \u00a0para quem filosofar \u00e9 aprender a morrer, meditar sobre a morte \u00e9 meditar sobre a liberdade, porque quem aprendeu a morrer recusa-se a servir, a submeter-se. Viver bem, portanto, \u00e9 preparar-se para morrer bem. Nessa senda, assegura: &#8220;A vida em si n\u00e3o \u00e9 um bem nem um mal. Torna-se bem ou mal segundo o que dela fazeis&#8221; ( Ensaios, Livro I, cap\u00edtulo XX, apud Maria L\u00facia de Arruda Aranha e outra, in Introdu\u00e7\u00e3o \u00e0 Filosofia, 4\u00aa edi\u00e7\u00e3o, 2013, \u00a0p.97)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para Sartre, a morte \u00e9 a certeza de que um nada \u00a0nos espera e que por esse sentido retira todo o sentido da vida, por ser a &#8220;nadifica\u00e7\u00e3o&#8221; dos nossos projetos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">*Carpe diem, literalmente, colha o dia, ou seja, aproveite o momento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">PS. As informa\u00e7\u00f5es contidas neste artigo, sobretudo sobre os fil\u00f3sofos nele citados, foram amealhadas, precipuamente, no livro antes referenciado, de Maria L\u00facia de Arruda Aranha. A minha contribui\u00e7\u00e3o se resume a concitar \u00e0 reflex\u00e3o em face da inevitabilidade da morte.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;&#8230;a morte jamais \u00e9 aquilo que d\u00e1 \u00e0 vida seu sentido: pelo contr\u00e1rio, \u00e9 aquilo que, por princ\u00edpio,suprime da vida toda significa\u00e7\u00e3o. Se temos de morrer,nossa vida carece de sentido, porque seus problemas n\u00e3o recebem qualquer solu\u00e7\u00e3o e a pr\u00f3pria significa\u00e7\u00e3o dos problemas permanece indeterminada&#8221; Jean-Paul Sarte ( 1905-1980), in O ser e o nada. 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