{"id":14725,"date":"2013-02-26T06:36:34","date_gmt":"2013-02-26T09:36:34","guid":{"rendered":"http:\/\/joseluizalmeida.com\/?p=14725"},"modified":"2013-02-26T21:18:59","modified_gmt":"2013-02-27T00:18:59","slug":"aqui-se-faz-aqui-se-paga","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/joseluizalmeida.com\/?p=14725","title":{"rendered":"Aqui se faz; aqui se paga"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"http:\/\/joseluizalmeida.com\/wp-content\/uploads\/2013\/02\/download.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-full wp-image-14727\" alt=\"download\" src=\"http:\/\/joseluizalmeida.com\/wp-content\/uploads\/2013\/02\/download.jpg\" width=\"192\" height=\"260\" \/><\/a>Minha m\u00e3e costuma repetir o apotegma, como um bord\u00e3o: &#8220;<strong>aqui se faz; aqui se paga&#8221;<\/strong>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esse aforismo traduz a esperan\u00e7a que ela tem, desde sempre, de que os que fa\u00e7am maldades paguem por elas ainda em vida, aqui na terra, para que todos testemunhemos &#8211; e para que sirva de exemplo &#8211; \u00a0que n\u00e3o vale a pena fazer maldades, perseguir as pessoas, roubar, matar ou qualquer outro tipo de il\u00edcito penal ou moral.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A vida nos tem ensinado que n\u00e3o \u00e9 bem assim.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 muitos que fazem maldades e vivem uma vida de plena felicidade e de conquistas. H\u00e1 muitos que, para ascender, vendem a alma ao diabo, e ascendem, conquistam, alcan\u00e7as, posam de vencedores, esnobam, debocham dos tolos, ostentam, sorriam da nossa cara&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 v\u00e1rios exemplos. N\u00e3o preciso cit\u00e1-los, pois.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O bom seria mesmo se assist\u00edssemos, para o nosso deleite, os malfeitores pagando, \u00e0 nossa vista, pelos seus erros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Infelizmente, o que temos assistido \u00e9 a vit\u00f3ria dos espertalh\u00f5es, a estimular outros e outros espertalh\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Aqui e acol\u00e1, \u00e9 verdade, testemunhamos, s\u00f3 para n\u00e3o perder a f\u00e9, \u00a0a queda de um calhorda, de um malfeitor, de bandidos dos mais variados matizes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para ilustrar, apanho na hist\u00f3ria do Brasil um exemplo emblem\u00e1tico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Durante dez anos, Mem de S\u00e1, escolhido, cuidadosamente, pelo rei D. Jo\u00e3o III, de quem era amigo, para substituir o desastrado Duarte da Costa, exterminou milhares de ind\u00edgenas, dizimou centenas de aldeias e estimulou o tr\u00e1fico de escravos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao mesmo tempo, amealhou uma enorme fortuna pessoal, em raz\u00e3o do tr\u00e1fico de escravos, de suas fazendas de gado, dos seus engenhos de\u00a0a\u00e7\u00facar\u00a0e da exporta\u00e7\u00e3o do pau-brasil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Todavia, pagou um pre\u00e7o alto: numa expedi\u00e7\u00e3o enviada ao Esp\u00edrito Santo, em abril de 1558, para combater os Aimor\u00e9, foi morto seu filho Fern\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nove anos mais tarde, v\u00edtima de uma flecha, morreria seu sobrinho Est\u00e1cio de S\u00e1, na luta contra os franceses e Tamoios pela conquista do Rio de Janeiro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A filha Beatriz, de 12 anos, e a mulher, Guiomar, estavam mortas, tamb\u00e9m.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 1569, ap\u00f3s redigir o seu testamento, enviou uma carta ao rei, lamentando: &#8220;Sou um homem s\u00f3.&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O que mais ele temia, acabou acontecendo, finalmente: morreu aqui, \u00a0e aqui foi enterrado, sozinho, esquecido pela corte.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Antes, em 1568, quase aos 70 anos de idade, h\u00e1 mais de uma d\u00e9cada como governador-geral, Mem de S\u00e1 escreveu uma carta ao rei de Portugal. Na carta, dentre outras coisas, implorava para que fosse mandado outro governador, pois que tinha receio de morrer em terras nas quais se julgava degredado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De nada adiantou. Morreu s\u00f3 por essas bandas. Rico, sim, mas infeliz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 isso!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Minha m\u00e3e costuma repetir o apotegma, como um bord\u00e3o: &#8220;aqui se faz; aqui se paga&#8221;. 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