{"id":14756,"date":"2013-02-28T17:31:13","date_gmt":"2013-02-28T20:31:13","guid":{"rendered":"http:\/\/joseluizalmeida.com\/?p=14756"},"modified":"2013-03-01T07:21:40","modified_gmt":"2013-03-01T10:21:40","slug":"macaco-e-sempre-macaco","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/joseluizalmeida.com\/?p=14756","title":{"rendered":"Macaco \u00e9 sempre macaco"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"http:\/\/joseluizalmeida.com\/wp-content\/uploads\/2013\/02\/apa_gren.gif\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-medium wp-image-14768\" alt=\"apa_gren\" src=\"http:\/\/joseluizalmeida.com\/wp-content\/uploads\/2013\/02\/apa_gren-223x300.gif\" width=\"223\" height=\"300\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Diz o prov\u00e9rbio grego que &#8220;<strong>um macaco \u00e9 sempre macaco, mesmo quando vestido de p\u00farpura<\/strong>&#8220;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As pessoas, por mais que tentem, n\u00e3o enganam; elas s\u00e3o, afinal, o que s\u00e3o. Uns enganam durante algum tempo, mas n\u00e3o o conseguem sempre. Um dia mostram a que vieram, o que pensam e como agem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tenho medo, tenho pavor de perder a credibilidade que tenho. Vivo uma quase obsess\u00e3o em face disso, pois a credibilidade de um homem p\u00fablico \u00e9 o seu maior patrim\u00f4nio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Todos conhecemos os que, mesmo n\u00e3o sendo macacos, vivem de galho em galho. E, fa\u00e7o quest\u00e3o de registrar, n\u00e3o estou me referindo a magistrados especificamente, mas aos homens p\u00fablicos em geral.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na sess\u00e3o pr\u00f3xima passada, no Pleno, quando eu apresentava meu voto em face de umas pe\u00e7as de informa\u00e7\u00e3o com ind\u00edcios de que um determinado colega teria praticado il\u00edcitos penais, fiz quest\u00e3o de deixar claro que sou uma pessoa de convic\u00e7\u00f5es muito fortes e que, em face disso, quando defendo as minhas posi\u00e7\u00f5es e os meus pontos de vista, o fa\u00e7o, sempre, com a necess\u00e1ria veem\u00eancia. Como, de resto, somos quase todos, afinal eu n\u00e3o sou diferente dos meus pares em nada. Mas n\u00e3o custa reafirmar essa particularidade da minha personalidade, facilmente constat\u00e1vel nas sess\u00f5es de julgamentos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Eu sou assim, sempre fui assim, mas ainda h\u00e1 os que se surpreendam &#8211; e os que criticam, por maldade, pura maldade, como se fosse um defeito ser como sou. Como se n\u00f3s todos &#8211; observadas as exce\u00e7\u00f5es, claro &#8211; n\u00e3o f\u00f4ssemos assim. Com uma diferen\u00e7a a meu favor: eu nunca sou deselegante com nenhum colega, embora existam os que confundem a minha veem\u00eancia com deseleg\u00e2ncia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Neste mesmo blog eu j\u00e1 consignei que eu n\u00e3o tinha, no primeiro grau, a simpatia dos advogados (e defensores, p\u00fablico e dativo), em face do rigor com que tratava os criminosos contumazes, sobretudo os assaltantes (estes, ainda que n\u00e3o fossem contumazes).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Apesar de n\u00e3o gozar da simpatia de muitos, cansei de ouvir de Defensores P\u00fablicos que viam em mim uma vantagem, conquanto n\u00e3o concordassem com as minhas posi\u00e7\u00f5es em rela\u00e7\u00e3o aos pleitos de liberdade provis\u00f3ria: eu n\u00e3o surpreendia. Eu agia sempre do mesmo modo, com a mesma coer\u00eancia, como o mesmo rigor &#8211; com todos, sem exce\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O que quero dizer \u00e9 que vejo como virtude uma pessoa que n\u00e3o muda de posi\u00e7\u00e3o ao sabor das circunst\u00e2ncias; o que n\u00e3o significa, claro, que n\u00e3o possa, reavaliando os seus conceitos, seguir noutra dire\u00e7\u00e3o. Eu mesmo, em face de determinados temas, j\u00e1 mudei de posi\u00e7\u00e3o depois que assumi a segunda inst\u00e2ncia. Mas n\u00e3o o fiz por oportunismo, ao sabor das circunst\u00e2ncias. O fiz por compreender que n\u00e3o estava certo, da\u00ed, ao inv\u00e9s de me manter no equ\u00edvoco, preferi mudar a dire\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O que \u00e9 imperdo\u00e1vel, para mim, \u00e9 a mudan\u00e7a de posi\u00e7\u00e3o sem convic\u00e7\u00e3o, por conveni\u00eancia, por picaretagem apenas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O magistrado, sobretudo, tem que ser um homem confi\u00e1vel. Precisa ser um homem cr\u00edvel, que fale e que as pessoas acreditem no que est\u00e1 dizendo, que fa\u00e7a na sua vida pr\u00e1tica aquilo que proclama, que siga as suas convic\u00e7\u00f5es, ainda que, seguindo-as, se incompatibilize com muitos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O cidad\u00e3o, o advogado, o Promotor de Justi\u00e7a, o Defensor P\u00fablico ou qualquer outro agente estatal podem at\u00e9 n\u00e3o nutrir pelo magistrado a menor simpatia, mas devem t\u00ea-lo em conta como uma pessoa confi\u00e1vel, que honra sua palavra, que assume compromisso, que cumpre hor\u00e1rio, que n\u00e3o decide para ser simp\u00e1tico ou para agradar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Afinal, n\u00e3o custa reafirmar, magistrado \u00e9 magistrado, com toga ou sem toga; macaco \u00e9 macaco, mesmo quando vestido de p\u00farpura.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Diz o prov\u00e9rbio grego que &#8220;um macaco \u00e9 sempre macaco, mesmo quando vestido de p\u00farpura&#8220;. As pessoas, por mais que tentem, n\u00e3o enganam; elas s\u00e3o, afinal, o que s\u00e3o. Uns enganam durante algum tempo, mas n\u00e3o o conseguem sempre. Um dia mostram a que vieram, o que pensam e como agem. Tenho medo, tenho pavor [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"pagelayer_contact_templates":[],"_pagelayer_content":"","jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-14756","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-cronicas"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/pokay-3Q0","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/joseluizalmeida.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/14756","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/joseluizalmeida.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/joseluizalmeida.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/joseluizalmeida.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/joseluizalmeida.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=14756"}],"version-history":[{"count":8,"href":"https:\/\/joseluizalmeida.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/14756\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":14767,"href":"https:\/\/joseluizalmeida.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/14756\/revisions\/14767"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/joseluizalmeida.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=14756"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/joseluizalmeida.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=14756"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/joseluizalmeida.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=14756"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}