{"id":15297,"date":"2013-05-02T20:22:54","date_gmt":"2013-05-02T23:22:54","guid":{"rendered":"http:\/\/joseluizalmeida.com\/?p=15297"},"modified":"2013-05-03T07:28:22","modified_gmt":"2013-05-03T10:28:22","slug":"um-arrogante-travestido-de-julgador","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/joseluizalmeida.com\/?p=15297","title":{"rendered":"Um arrogante travestido de julgador"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">As cr\u00edticas formuladas pela defesa dos acusados \u00a0em face do ac\u00f3rd\u00e3o do mensal\u00e3o s\u00e3o de toda ordem, segundo colhem-se das not\u00edcias veiculadas nos mais diversos ve\u00edculos de comunica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 claro que n\u00e3o se sabe, ainda, se s\u00e3o procedentes, ou se elas decorrem apenas da inconforma\u00e7\u00e3o dos condenados, em face da ampla defesa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De toda sorte, s\u00e3o muitas as cr\u00edticas, a deixar entrever que, em todas as inst\u00e2ncias, mesmo no STF, com toda sua estrutura, quando somos instados a decidir com rapidez, \u00a0e quando, ademais, a demanda \u00e9 muito complexa, tendemos cometer erros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 assim l\u00e1 e c\u00e1!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nesse ponto somos todos iguais, somos todos \u00a0imperfeitos, da\u00ed que devemos ser sempre comedidos ao apontar os erros do semelhante.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Foram muitos os erros que cometi na primeira inst\u00e2ncia, como muitos s\u00e3o os erros nos quais ainda incorro, agora em segunda inst\u00e2ncia, apesar de ter um quadro qualificado de assessores.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas admito quando erro!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">V\u00e1rios foram os embargos de declara\u00e7\u00e3o que dei provimento, por reconhecer a minha omiss\u00e3o, por exemplo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tudo com a maior dignidade!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tudo por entender que devemos ter a humildade de reconhecer os nossos erros, sobretudo na condi\u00e7\u00e3o de julgadores, para n\u00e3o prejudicar o direito do jurisdicionado<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os erros que cometemos no dia a dia nos nossos julgamentos, e, agora, as rea\u00e7\u00f5es em face do ac\u00f3rd\u00e3o do julgamento do mensal\u00e3o, servem para nos alertar, para alertar a todos, inclusive os que t\u00eam um rei na barriga, que todos somos fal\u00edveis, e que, afinal, como qualquer um vivente, erramos, e, por isso, precisamos ser humildes, admitir o erro e repar\u00e1-lo &#8211; enquanto \u00e9 poss\u00edvel faz\u00ea-lo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O ideal seria que n\u00e3o err\u00e1ssemos. Todavia, seres humanos que somos, erramos &#8211; e, muitas vezes, erramos mais do que dever\u00edamos, por isso \u00e9 que temos que ser humildes para admitir que erramos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o se deve sentir vergonha de admitir o erro, \u00a0mesmo que, como ocorre nas corpora\u00e7\u00f5es, ele tenha sido apontado por quem n\u00e3o nutrimos simpatia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Humildade nunca \u00e9 demais, bastando, nessa senda, que lembremos de S\u00f3crates, que nunca aceitou o &#8220;t\u00edtulo&#8221; que lhe foi &#8220;outorgado&#8221; de o homem mais inteligente do mundo, vez que a \u00fanica certeza que ele tinha era a de que nada sabia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O julgador, sobretudo, n\u00e3o pode, por quest\u00f5es pessoais, se aliar a uma tese aposta, apenas para n\u00e3o admitir que o seu, digamos, oponente, esteja certo na tese que abra\u00e7ou. Isso o diminui, se n\u00e3o diante dos seus pares, mas, com certeza, perante a sua consci\u00eancia; quando ele tem consci\u00eancia, \u00e9 claro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O julgador n\u00e3o pode prejudicar o direito da parte, t\u00e3o somente para n\u00e3o ter que admitir que o colega, por quem nutre antipatia, por exemplo, esteja certo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O melhor que se pode fazer, em benef\u00edcio do jurisdicionado, \u00e9 examinar as quest\u00f5es com a necess\u00e1ria profundidade, sempre \u00a0optando, na esfera criminal, pela interpreta\u00e7\u00e3o que mais favore\u00e7a a defesa, independentemente de quem seja o relator ou de quem seja o r\u00e9u ou o seu advogado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Aquele que, sob o manto da toga, n\u00e3o tiver o discernimento de que, goste ou n\u00e3o goste do colega, goste ou n\u00e3o goste do acusado e\/ou do seu defensor, deve \u00a0julgar com isen\u00e7\u00e3o e imparcialidade, nunca ser\u00e1 um julgador justo; ser\u00e1 sempre, ao reverso, um arrogante travestido de julgador.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As cr\u00edticas formuladas pela defesa dos acusados \u00a0em face do ac\u00f3rd\u00e3o do mensal\u00e3o s\u00e3o de toda ordem, segundo colhem-se das not\u00edcias veiculadas nos mais diversos ve\u00edculos de comunica\u00e7\u00e3o. \u00c9 claro que n\u00e3o se sabe, ainda, se s\u00e3o procedentes, ou se elas decorrem apenas da inconforma\u00e7\u00e3o dos condenados, em face da ampla defesa. 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