{"id":17183,"date":"2014-12-19T09:17:55","date_gmt":"2014-12-19T12:17:55","guid":{"rendered":"http:\/\/joseluizalmeida.com\/?p=17183"},"modified":"2014-12-19T09:17:55","modified_gmt":"2014-12-19T12:17:55","slug":"gentileza-um-toque-de-classe","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/joseluizalmeida.com\/?p=17183","title":{"rendered":"Gentileza, um toque de classe"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Sempre acreditei no amor, na toler\u00e2ncia, na gentileza e na justi\u00e7a, mas tenho constatado que a gentileza, por exemplo, aos poucos vai se esvaindo das nossas rela\u00e7\u00f5es com o semelhante. E para refletir sobre esses temas, decidi buscar inspira\u00e7\u00e3o no eminente professor <strong>Luis Roberto Barroso,<\/strong> renomado jurista brasileiro, hoje ministro do Supremo Tribunal Federal, que descreve a gentileza como algo imprescind\u00edvel \u00e0 vida humana. No discurso que fez na condi\u00e7\u00e3o de paraninfo de uma turma da\u00a0 UERJ, intitulado \u201cO Mundo aos Seus P\u00e9s\u201d,\u00a0 ele diz que \u201c<strong>ser gentil \u00e9 como fazer a vida acontecer ao som de uma boa m\u00fasica<\/strong>\u201d, e que, ademais, <strong>\u201ca gentileza \u00e9 um toque de classe em um mundo pragm\u00e1tico, apressado, indiferente<\/strong>\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim como o ministro, tamb\u00e9m entendo que ser gentil, al\u00e9m de dar um toque de classe nas rela\u00e7\u00f5es, faz bem \u00e0 alma e apimenta as rela\u00e7\u00f5es. Da mesma forma, estou convicto de que a pr\u00e1tica do amor e da justi\u00e7a\u00a0 alimenta a vida de pessoas, que assim como eu, n\u00e3o a t\u00eam como um fardo, mas como algo para ser comemorado, todos os dias, a cada hora, a cada instante, sob quaisquer condi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A prop\u00f3sito dessas reflex\u00f5es, pergunta-se: Ser\u00e1 que j\u00e1 paramos pra pensar que, em determinadas ocasi\u00f5es, podendo ser gentil e elegante, optamos, por pressa, pragmatismo, indiferen\u00e7a ou abuso de poder (neste caso por quem tenha o poder para dele abusar), pela indelicadeza, grosseria ou arbitrariedade, e que, em face dessa conduta &#8211; reprov\u00e1vel e, algumas vezes, mesquinha -, podemos ter feito a infelicidade de uma pessoa?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Vale refletir sobre isso, porque \u00e9 muito prov\u00e1vel que tenhamos magoado algu\u00e9m em face de uma indelicadeza, de uma atitude indiferente, de uma falta de reconhecimento, de uma palavra de carinho ou de incentivo, de um ato de gentileza ou de uma atitude de benemer\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sob uma singular perspectiva da quest\u00e3o, todos sabem que, nas rela\u00e7\u00f5es que travamos com o nosso semelhante, precisamos ser sinceros e, muitas vezes, objetivos. Logo, n\u00e3o se pode admitir a dissimula\u00e7\u00e3o ou a falta de objetividade, num mundo que tem pressa, e por isso mesmo est\u00e1 mais propenso a jingles do que a sinfonia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Todavia, conquanto a\u00e7odado, premido pelo tempo e pelo pragmatismo que permeiam as nossas rela\u00e7\u00f5es, \u00e9 preciso ter cuidado com o excesso de sinceridade e de objetividade, porque disso pode resultar uma desnecess\u00e1ria indelicadeza, uma falta de gentileza, uma deseleg\u00e2ncia, ciente de que sinceridade e objetividade n\u00e3o s\u00e3o, definitivamente, sin\u00f4nimos de falta de educa\u00e7\u00e3o, de incivilidade, de arrog\u00e2ncia ou prepot\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Podemos ser sinceros, sim; ali\u00e1s, devemos ser sinceros sempre, sem fazer uso de rodeios, de dissimula\u00e7\u00f5es ou fugas.\u00a0 Contudo, devemos tomar cuidado para n\u00e3o confundir sinceridade com grosseria, falta de educa\u00e7\u00e3o, incivilidade, ainda que, circunstancialmente, entendamos ter tido um direito malbaratado ou que tenhamos recebido um tratamento descort\u00eas, sobretudo quando temos uma posi\u00e7\u00e3o de destaque na sociedade, porque, nesse caso, a grosseria e a falta de educa\u00e7\u00e3o chegam ao paroxismo, servem de cr\u00edtica, exp\u00f5em desnecessariamente at\u00e9 mesmo a institui\u00e7\u00e3o a que pertencem os que n\u00e3o s\u00e3o capazes de recolher as armas, de retroceder, de contar at\u00e9 dez.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o \u00e9 bom para nenhuma rela\u00e7\u00e3o, ainda que seja uma rela\u00e7\u00e3o de consumo, a postura excessiva, mal-educada, grosseira. A invoca\u00e7\u00e3o do poder, a pr\u00e1tica da \u201ccarteirada\u201d, sobretudo, \u00e9 abomin\u00e1vel, a merecer o nosso mais veemente rep\u00fadio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essa hist\u00f3ria de\u00a0que \u201c<strong>n\u00e3o guardo almo\u00e7o pra janta\u201d<\/strong>, que \u201c<strong>o que<\/strong>\u00a0 <em><strong>tenho que dizer digo na cara\u201d,<\/strong><\/em><strong>\u00a0<\/strong>que\u00a0\u201c<em><strong>n\u00e3o sou de levar desaforo para casa\u201d<\/strong><\/em><em>,<\/em> ou o famigerado e abomin\u00e1vel \u201c<strong>sabes com quem est\u00e1s falando<\/strong>\u201d, \u00e9 pr\u00f3pria de pessoas mal-educadas, grosseiras, incivilizadas e despreparadas para o exerc\u00edcio do poder, que em nada contribuem para as rela\u00e7\u00f5es sociais, que, repito, devem ser estabelecidas \u00e0 luz da gentileza e da toler\u00e2ncia, conquanto, muitas vezes, sejamos instados a sair da linha, a abandonar o prumo e a toler\u00e2ncia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mesmo diante de uma s\u00e9ria desintelig\u00eancia, mesmo diante de eventual desrespeito a um direito, devemos conter o \u00edmpeto, contar at\u00e9 dez, tentar resolver o desentendimento sob os ausp\u00edcios da gentileza, da fraternidade \u00a0e da educa\u00e7\u00e3o; e, para os que det\u00e9m um naco do poder, \u00e9 de bom alvitre que se abstenham das \u201ccarteiras\u201d, que s\u00e3o pr\u00f3prias de pessoas despreparadas para o exerc\u00edcio do poder.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 preciso ter presente que ningu\u00e9m sai diminu\u00eddo de um desentendimento por ser gentil, por responder a uma agress\u00e3o educada e civilizadamente.\u00a0 Mesmo numa discuss\u00e3o na qual tenhamos sido agredidos desnecessariamente, podemos responder ao desafeto gentil e educadamente, como conv\u00e9m a uma pessoa equilibrada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Numa desintelig\u00eancia, todos podem constatar, quem grita mais alto \u00e9 exatamente quem tem convic\u00e7\u00e3o de que est\u00e1 errado, por entender que, agindo assim, sobrepujar\u00e1 os argumentos de quem tem raz\u00e3o e, exatamente por isso, n\u00e3o precisa gritar, bastando apenas argumentar, civilizadamente, como h\u00e1 de se esperar de quem recebeu e assimilou bons ensinamentos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pratique a gentileza. A gentileza d\u00e1 leveza \u00e0s rela\u00e7\u00f5es. N\u00e3o use o poder de mando para desqualificar as pessoas, para ofender, macular, espezinhar; fa\u00e7a-o \u00a0para dar for\u00e7as, estimular, levantar, valorizar. D\u00ea, enfim, um toque de classe em suas rela\u00e7\u00f5es, e ver\u00e1 que, como sentenciou Voltaire, quando n\u00e3o se busca magoar os cora\u00e7\u00f5es, todos os cora\u00e7\u00f5es est\u00e3o a nosso favor.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sempre acreditei no amor, na toler\u00e2ncia, na gentileza e na justi\u00e7a, mas tenho constatado que a gentileza, por exemplo, aos poucos vai se esvaindo das nossas rela\u00e7\u00f5es com o semelhante. 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