{"id":17231,"date":"2015-03-04T09:45:24","date_gmt":"2015-03-04T12:45:24","guid":{"rendered":"http:\/\/joseluizalmeida.com\/?p=17231"},"modified":"2015-03-04T09:45:24","modified_gmt":"2015-03-04T12:45:24","slug":"o-que-nos-enlouquecem-sao-as-nossas-certezas-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/joseluizalmeida.com\/?p=17231","title":{"rendered":"O que nos enlouquecem s\u00e3o as nossas certezas"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Muitas vezes, pensamos de n\u00f3s e conclu\u00edmos sobre n\u00f3s o que nem sempre \u00e9 a percep\u00e7\u00e3o dos outros. Ao constar essa realidade, nos flagramos, de regra, decepcionados e tristes \u2013 quando n\u00e3o deprimidos. Assim como qualquer outra pessoa, tamb\u00e9m, \u00e0s vezes, fa\u00e7o de mim o ju\u00edzo que n\u00e3o corresponde \u00e0 avalia\u00e7\u00e3o dos meus cong\u00eaneres.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nesse sentido, lembro-me de que, certa feita, estando com a minha fam\u00edlia em viagem de f\u00e9rias, procurei, como sempre, servir e agradar, de todas as formas, aos meus filhos e \u00e0 minha mulher, o que \u00e9 pr\u00f3prio da minha personalidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o sei e n\u00e3o gosto de infelicitar as pessoas; se eu n\u00e3o tiver condi\u00e7\u00f5es de estabelecer uma rela\u00e7\u00e3o prazerosa com os que est\u00e3o em volta de mim, seja no trabalho, seja na minha fam\u00edlia, eu n\u00e3o fico bem comigo mesmo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Conforme eu dizia, nessa viagem de f\u00e9rias procurei fazer de tudo que estivesse ao meu alcance para que todos ficassem numa boa, para que as f\u00e9rias fossem prazerosas e, se poss\u00edvel, inesquec\u00edveis, por tudo o que de bom fosse desfrutado por n\u00f3s.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Determinado dia, depois de muitas concess\u00f5es a todos e bem poucas a mim, sem nada reclamar, para n\u00e3o ser desagrad\u00e1vel, mesmo em face do brusco rompimento da minha rotina, resolvi bater o martelo e decidi que naquele dia eu voltaria para o hotel a fim de almo\u00e7ar no meu hor\u00e1rio (meio-dia) e para tirar uma sesta, j\u00e1 que estava com saudade da minha rotina. Isso foi o bastante para que me elegessem, em vota\u00e7\u00e3o aberta e por unanimidade, o, digamos, menos simp\u00e1tico da viagem, \u2013 sem nenhuma concess\u00e3o, sem apelo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O mais grave \u00e9 que eu, na minha (falsa) percep\u00e7\u00e3o \u2013 e aqui est\u00e1 o ponto principal dessas reflex\u00f5es \u2013 imaginava exatamente o contr\u00e1rio, a reafirmar, mais uma vez, como diz o t\u00edtulo desse artigo, que somos enlouquecidos pelas nossas certezas, da\u00ed o perigo de uma falsa percep\u00e7\u00e3o de n\u00f3s mesmos, como \u00e9 comum ocorrer, sobretudo com os que t\u00eam a vaidade desmedida e que consideram seu umbigo como o centro do universo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o preciso dizer da minha inquieta\u00e7\u00e3o, da minha frustra\u00e7\u00e3o, do meu desapontamento com a minha \u201celei\u00e7\u00e3o\u201d, muito embora, depois, tudo tenha se transformado em uma grande goza\u00e7\u00e3o, o que, afinal, era mesmo o que pretendiam os meus filhos e minha mulher, competentes e fi\u00e9is administradores das minhas manias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas, ainda assim, fiquei com uma pontinha decep\u00e7\u00e3o, porque vi nessa manifesta\u00e7\u00e3o a constata\u00e7\u00e3o de um fato, que eu, com as minhas equivocadas certezas, n\u00e3o tinha conseguido perceber. Ainda tentei argumentar em minha defesa, mas n\u00e3o fui nem um pouco convincente, pois, quanto mais eu tentava argumentar, mais eles reafirmavam que eu tinha sido pouco simp\u00e1tico, cheio de manias, cheio de rotinas, e que as rotinas, em viagem,\u00a0 eram para ser quebradas, o que, de rigor, estou de acordo, tanto que s\u00f3 pedi um dia de concess\u00e3o, o que me foi terminantemente negado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas o que importa mesmo \u00e9 a constata\u00e7\u00e3o de que os loucos iguais a mim vivem os seus del\u00edrios, creem nos seus sonhos, se equivocam nas suas certezas e sofrem por isso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quanto ao incidente aqui relatado, posso afirmar com alegria que no final tudo se transformou em uma grande festa, daquelas que ocorrem, naturalmente, numa fam\u00edlia unida e que se ama verdadeiramente<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A certeza que eu tinha de ter me doado ao m\u00e1ximo aos meus filhos para lhes proporcionar as f\u00e9rias dos sonhos, quase me \u201cenlouquece\u201d, ao constatar que, diferente do que eu pensava, eu apenas delirava.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas o que importa mesmo \u00e9 que, ao fim e ao cabo, depois de tudo, vivemos e vivenciamos \u00a0momentos inesquec\u00edveis na companhia um do outro. \u00c9 que a \u201celei\u00e7\u00e3o\u201d foi apenas um detalhe, uma grande goza\u00e7\u00e3o, que nos divertiu e nos uniu ainda mais, pois, afinal, o que sobreleva, o que assoma, o que se consolida mesmo, com for\u00e7a voraz e incontrol\u00e1vel, em torno dessas e de outras quest\u00f5es, \u00e9 o amor que nos une e a necessidade que temos de estar juntos, respeitando sempre a individualidade de cada um, entendendo que se deve ceder, sempre que for necess\u00e1rio, em nome do amor e da uni\u00e3o que devem prevalecer nas rela\u00e7\u00f5es familiares.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Muitas vezes, pensamos de n\u00f3s e conclu\u00edmos sobre n\u00f3s o que nem sempre \u00e9 a percep\u00e7\u00e3o dos outros. 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