{"id":17245,"date":"2015-05-08T11:15:20","date_gmt":"2015-05-08T14:15:20","guid":{"rendered":"http:\/\/joseluizalmeida.com\/?p=17245"},"modified":"2015-05-08T11:24:07","modified_gmt":"2015-05-08T14:24:07","slug":"ladroes-de-sonhos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/joseluizalmeida.com\/?p=17245","title":{"rendered":"Ladr\u00f5es de sonhos"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Decerto que muitas das minhas reflex\u00f5es n\u00e3o s\u00e3o aceit\u00e1veis, sobretudo para aqueles que se contrap\u00f5em \u00e0s minhas ideias, Sei, portanto, que o que escrevo n\u00e3o \u00e9 bem recebido por muitos. Todavia, isso n\u00e3o me preocupa, pois, como dizia S\u00f3crates, uma vida sem exame, ou seja, sem reflex\u00e3o, sem indaga\u00e7\u00f5es, sem que se busquem novos ideais, novos caminhos, nova dire\u00e7\u00e3o, n\u00e3o merece ser vivida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Bem sei que, por comodidade e para viver em paz com todos, o ideal mesmo seria guardar as nossas inquieta\u00e7\u00f5es no rec\u00f4ndito da alma, sem falar, sem dizer o que pensamos \u2013 calar, enfim; deixar as coisas flu\u00edrem. Contudo, n\u00e3o sei ser assim,. Por isso, vou continuar dizendo o que penso, com a necess\u00e1ria responsabilidade, para n\u00e3o ferir suscetibilidades e nem macular a honra de ningu\u00e9m.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Padre Antonio Vieira dizia que melhor que luzir todo tempo, \u00e9 luzir somente a tempo, pois que, assim agindo, se enganam os olhos da inveja, se concilia nos \u00e2nimos a estima. Deixar de luzir, na minha interpreta\u00e7\u00e3o, \u00e9 deixar a ribalta para n\u00e3o mais lembrado, para espantar a inveja do semelhante. Essa quest\u00e3o, inobstante, passa ao largo das minhas preocupa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sei que n\u00e3o sou digno da inveja de ningu\u00e9m, pois custo muito a acreditar que algu\u00e9m quisesse ser o que sou: um tipo enfadonho, incapaz de despertar qualquer sentimento que n\u00e3o seja da mais absoluta indiferen\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A minha hora de ser esquecido vir\u00e1 inevitavelmente. Enquanto esse dia n\u00e3o vem, n\u00e3o deixo a ribalta, e vou continuar expondo os meus pensamentos, consignando, em artigos, as minhas inquieta\u00e7\u00f5es, as minhas reflex\u00f5es, ainda que, assim o fazendo, corra o risco de ser mal interpretado, repetindo a s\u00e1bia constata\u00e7\u00e3o de Amir Klink, segundo o qual na vida o maior fracasso \u00e9 n\u00e3o partir.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como todo jovem, eu tamb\u00e9m fui um sonhador quase incorrig\u00edvel. Vivi, como muitos da minha gera\u00e7\u00e3o, do porvir, pois que, afinal, como diz, com sabedoria, o protagonista de o <strong>Velho e o Mar,<\/strong> de Ernest Hemingway, \u201c\u00e9 uma estupidez n\u00e3o ter esperan\u00e7a\u201d. E foi esperando e crendo, que sonhei com um mundo melhor, retratado numa sociedade mais fraterna, menos ego\u00edsta, com mais solidariedade. Mas errei! E assim como eu, muitos erraram. \u00c9 que o mundo est\u00e1 ficando cada dia mais dif\u00edcil, mais desalentador, pelo fato de imperar nele i o oportunismo, a esperteza e o impulso descontrolado dos que almejam mais e mais, os quais, nessa vol\u00fapia, v\u00e3o atropelando as pessoas, levando a vida da maneira que melhor lhes convier, na defesa dos seus interesses.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Flertei com o comunismo, vesti camiseta com a estampa de Che Guevara, apostei em Fidel Castro, pensei em morar em Cuba, sonhei com um mundo justo que, cheguei a supor, se consolidaria na ilha dos irm\u00e3os Castro. E assim, criei um mundo de sonho e de fantasia, para, depois, como todos n\u00f3s testemunhamos, v\u00ea-lo ruir.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A verdade \u00e9 que eles &#8211; como tantos outros que est\u00e3o ou passaram pelo poder &#8211; roubaram os meus, os nossos sonhos, e ainda persistem nessa sanha, mesmo nos dias atuais, embora sob outra roupagem, agora sob os dogmas do liberalismo, mas com a mesma vol\u00fapia. E assim, v\u00e3o pelos mesmos caminhos, com armas diferentes, mas da mesma forma, roubando o sonho de todos n\u00f3s, deixando-nos sem a perspectiva de vislumbrar o futuro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Hoje, j\u00e1 cansado de sonhar, maltratado pelo tempo que a tudo destr\u00f3i, estou desencantado com quase tudo, quase perdendo a esperan\u00e7a. Talvez por isso, eu n\u00e3o suporte mais ouvir promessas oportunistas, vindo a sentir at\u00e9 uma certa revolta com as que s\u00e3o feitas a cada elei\u00e7\u00e3o; promessas gestadas, pensadas, com intelig\u00eancia e perspic\u00e1cia, para enganar, iludir, ludibriar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ningu\u00e9m suporta mais tantas mentiras, tanta engana\u00e7\u00e3o. Estamos desiludidos, definitivamente, em face dessa insist\u00eancia em roubar os nossos sonhos, sem nos deixar enxergar o futuro. Al\u00e9m disso, tudo o que fazem \u00e9 em beneficio pessoal, j\u00e1 que eles enganam, se irmanam, se unem &#8211; e aprontam, em detrimento do coletivo, enriquecendo no poder, sem controle, sem peais, sem escr\u00fapulos, descaradamente, pouco importando as consequ\u00eancias que decorram do dinheiro que subtraem, apostando na impunidade, na leni\u00eancia das inst\u00e2ncias penais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com as suas a\u00e7\u00f5es daninhas e com o dinheiro p\u00fablico que subtraem, eles deixam sem perspectiva a nossa juventude, da qual surrupiam o ensino que sonhamos um dia pudesse \u00a0ser de qualidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em face da voracidade com que se lan\u00e7am sobre as verbas p\u00fablicas, negam ao cidad\u00e3o sa\u00fade, moradia, estradas de qualidades, seguran\u00e7a e, sobretudo, respeito, destinando ao \u00f3rf\u00e3os do Estado apenas as migalhas, que t\u00eam servido, a cada elei\u00e7\u00e3o, para vilipendiar a consci\u00eancia dos incautos, dos mais necessitados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">J\u00e1 n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel conviver com tanta desfa\u00e7atez, tanta vol\u00fapia por cargos, n\u00e3o para servir, mas para deles apenas se servirem. Falta aos nossos representantes, como regra, o necess\u00e1rio esp\u00edrito p\u00fablico. Alheios a essa necessidade, eles deixam transparecer que s\u00f3 pensam em seu pr\u00f3prio bem estar. Afinal de contas, as disputas pelo poder n\u00e3o s\u00e3o \u2013 e nunca foram, ao que parece &#8211; para servir.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para ilustrar, trago \u00e0 cola\u00e7\u00e3o, porque no sentido das reflex\u00f5es aqui expostas, a conclus\u00e3o \u00a0de <strong>Luiz Fernando Vianna<\/strong>, colunista da <strong>Folha de S. Paulo<\/strong>, no artigo intitulado O que resta, edi\u00e7\u00e3o do dia 08 do corrente,<strong><em> verbis<\/em><\/strong>: <strong>\u201cO vazio da pol\u00edtica \u2013 entendida como disputa de ideais e projetos \u2013 \u00e9 o terreno onde vicejam os partidos de aluguel, os chantagistas, os surrupiadores, os fascistas\u201d.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 isso.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Decerto que muitas das minhas reflex\u00f5es n\u00e3o s\u00e3o aceit\u00e1veis, sobretudo para aqueles que se contrap\u00f5em \u00e0s minhas ideias, Sei, portanto, que o que escrevo n\u00e3o \u00e9 bem recebido por muitos. 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