{"id":17311,"date":"2015-12-18T08:34:23","date_gmt":"2015-12-18T11:34:23","guid":{"rendered":"http:\/\/joseluizalmeida.com\/?p=17311"},"modified":"2015-12-18T08:34:23","modified_gmt":"2015-12-18T11:34:23","slug":"como-um-ourico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/joseluizalmeida.com\/?p=17311","title":{"rendered":"Como um ouri\u00e7o"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Nas rela\u00e7\u00f5es sociais e na vida, n\u00e3o se deve agir como faz o ouri\u00e7o, que se fecha, expondo apenas os seus espinhos, como a se defender de um ataque iminente, conquanto eu tenha que admitir que, nos dias presentes, vivemos em estado de defesa quase permanente, sempre na expectativa de que possamos ser v\u00edtimas de um assalto, de uma vendeta ou de qualquer outra maldade, dessas que permeiam a vida em sociedade e das quais, mais dia, menos dia, poderemos ser alvos.<\/p>\n<p>Ainda assim, apesar de tudo o que tenho testemunhado, compreendo que, nas rela\u00e7\u00f5es com as pessoas que amamos, que nos s\u00e3o caras, que representam muito para n\u00f3s, e que est\u00e3o, por isso mesmo, muito pr\u00f3ximas, n\u00e3o vale a pena apontar os espinhos na dire\u00e7\u00e3o delas, numa pat\u00e9tica e desnecess\u00e1ria demonstra\u00e7\u00e3o de defesa, como se as pessoas que est\u00e3o pr\u00f3ximas fossem o pr\u00f3prio inimigo, a justificar um estado de alerta permanente.<\/p>\n<p>Nas nossas rela\u00e7\u00f5es com as pessoas que amamos e que s\u00e3o a nossa pr\u00f3pria raz\u00e3o de viver, \u00e9 preciso abrir a guarda, se expor, se mostrar por inteiro, exibir o lado bom, sem receio, sem peias, sem enleio, sem rodeios, vez que as amarras e os obst\u00e1culos opostos s\u00f3 dificultam o relacionamento.<\/p>\n<p>Logo, \u00e9 necess\u00e1rio que nas nossas rela\u00e7\u00f5es familiares, por exemplo, nos revelemos, sem tergiversar, para que as pessoas da nossa mais estreita rela\u00e7\u00e3o saibam, definitivamente, com quem est\u00e3o lidando, j\u00e1 que n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil para as rela\u00e7\u00f5es, sobretudo as familiares, as surpresas do car\u00e1ter, do bom ou mau humor, uma novidade a cada dia, uma inusitada manifesta\u00e7\u00e3o, um rea\u00e7\u00e3o diversa ou adversa, uma a\u00e7\u00e3o s\u00fabita, um rompante.<\/p>\n<p>N\u00f3s n\u00e3o temos o direito &#8211; ou, no m\u00ednimo, devemos evitar, na medida do poss\u00edvel &#8211; de surpreender, com a\u00e7\u00f5es e\/ou rea\u00e7\u00f5es heterodoxas, as pessoas que amamos, que nos cercam, que est\u00e3o em nosso entorno, pois um rompante, uma surpresa negativa ou uma conduta inusitada dificulta a conviv\u00eancia com o semelhante, como s\u00f3i ocorrer.<\/p>\n<p>Nas minhas rela\u00e7\u00f5es pessoais &#8211; e profissionais, at\u00e9 -, me revelo por inteiro, me entrego, me mostro, \u00e0s esc\u00e2ncaras, sem titubeios e sem disfarce, procurando preservar apenas e t\u00e3o somente o campo restrito das minhas intimidades, sobre as quais mantenho um r\u00edgido, um rigoroso e necess\u00e1rio controle, n\u00e3o permitindo, sob qualquer pretexto, que sobre elas se fa\u00e7a qualquer incurs\u00e3o; incurs\u00e3o que s\u00f3 permito das pessoas da minha mais absoluta e restrita intimidade. \u00c9 dizer: minha mulher e meus filhos.<\/p>\n<p>Nesse diapas\u00e3o, posso afirmar que todos que convivem comigo sabem quem sou e n\u00e3o correm o perigo de serem flagrados desprevenidos em face de alguma a\u00e7\u00e3o \u2013 ou rea\u00e7\u00e3o \u2013 inusitada vinda de mim; nesse campo, sou absolutamente previs\u00edvel, como, de resto, imagino ser previs\u00edvel nas minhas atividades profissionais.<\/p>\n<p>Nas minhas rela\u00e7\u00f5es pessoais e profissionais, n\u00e3o surpreendo, em face do humor ou de alguma a\u00e7\u00e3o inusitada, uma vez que meu estado de humor \u00e9 sempre o mesmo, pois sou incapaz de mudar ao sabor das circunst\u00e2ncias. N\u00e3o sou do tipo que dorme bem humorado e acorda, como dizem os mais antigos, \u201ccom o diabo no couro\u201d.<\/p>\n<p>\u00c9 preciso ter presente que n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil conviver com um plurifacial, com pessoas de m\u00faltiplas rea\u00e7\u00f5es, de a\u00e7\u00f5es inopinadas, marcadas pelo enigma, pela dissimula\u00e7\u00e3o, pela intempestividade, pelas surpresas de car\u00e1ter.<\/p>\n<p>Tenho pavor das pessoas que usam de subterf\u00fagios, que gostam de atalhos, que n\u00e3o olham de frente, que surpreendem a cada momento, que negam afirmando e afirmam, negando, que n\u00e3o assumem compromissos, que v\u00e3o na base do deixa a vida me levar.<\/p>\n<p>Definitivamente, n\u00e3o sou dissimulado, n\u00e3o sei usar de evasivas, S\u00f3 sei ser claro e objetivo, direto, sem rodeios e sem escusas que possam parecer covardia, de modo que as pessoas que convivem comigo sabem efetivamente com quem est\u00e3o lidando.<\/p>\n<p>Impressiona-me, causa-me at\u00e9 certa estranheza, estupefa\u00e7\u00e3o mesmo, a conduta dos que vivem do embuste, da pantomima, do ludibrio, do engodo e da desfa\u00e7atez. Tenho s\u00e9rias restri\u00e7\u00f5es aos que tentam parecer o que efetivamente n\u00e3o s\u00e3o, os que vivem em fun\u00e7\u00e3o do marketing pessoal e profissional, que pousam de honestos, conquanto tenham um hist\u00f3rico de deslizes que, muitas vezes, s\u00e3o do conhecimento p\u00fablico, mas continuam acobertados pelo manto de impunidade que os protegem.<\/p>\n<p>Tenho avers\u00e3o ao tipo que abra\u00e7a, beija e deseja boa sorte, quando, na verdade, guarda no rec\u00f4ndito da alma uma por\u00e7\u00e3o de veneno destinado \u00e0s pessoas que elegem como inimigas. N\u00e3o existe nada mais intrigante do que conviver com pessoas que vivem da desfa\u00e7atez, que fazem da mentira uma arma, um instrumento para destruir os seus desafetos.<\/p>\n<p>Tem sido quase uma obsess\u00e3o as reflex\u00f5es que fa\u00e7o em face das pessoas que pensam e agem com subterf\u00fagios, malandramente, mentirosamente, nas quais n\u00e3o se pode acreditar, as quais, para o mesmo fato, dependendo das circunst\u00e2ncias, apresentam vers\u00f5es diferentes.<\/p>\n<p>Nada pior que o homem \u2013 seja ele p\u00fablico ou n\u00e3o \u2013 no qual ningu\u00e9m acredita, que diz uma coisa e faz outra, que se fantasia de santo, mas vive de maquina\u00e7\u00e3o e engodo o tempo inteiro, buscando, incessantemente, destruir a qualquer pre\u00e7o os que elege como inimigo.<\/p>\n<p>Tenho verdadeira ojeriza aos que n\u00e3o s\u00e3o capazes de reconhecer as virtudes do semelhante, que vivem \u00e0 procura dos defeitos do cong\u00eanere, na \u00e2nsia de desqualific\u00e1-lo. Ademais, entendo que aquele que n\u00e3o se mostra capaz de reconhecer as Tvirtudes do semelhante \u00e9 porque reconhece, muito embora contrafeito, n\u00e3o ser possuidor dessas mesmas virtudes.<\/p>\n<p>Imagino, c\u00e1 com meus bot\u00f5es, que se algu\u00e9m n\u00e3o \u00e9 capaz de reconhecer os seus pr\u00f3prios erros, mas se mostra atilado quando tem que apontar os do semelhante, est\u00e1 fadado a permanecer neles e a repeti-los, efetivamente,<\/p>\n<p>Para encerrar, um lembrete, tomado de empr\u00e9stimo: \u201c<strong>Quem n\u00e3o pratica a autocr\u00edtica est\u00e1 impossibilitado de aprender. Quem acha que tudo sabe n\u00e3o evolui. Quem n\u00e3o olha as li\u00e7\u00f5es da Hist\u00f3ria est\u00e1 fadado a cometer os mesmos equ\u00edvocos<\/strong>.\u201d (Rodrigo Constantino, economista e presidente do Instituto Liberal).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Nas rela\u00e7\u00f5es sociais e na vida, n\u00e3o se deve agir como faz o ouri\u00e7o, que se fecha, expondo apenas os seus espinhos, como a se defender de um ataque iminente, conquanto eu tenha que admitir que, nos dias presentes, vivemos em estado de defesa quase permanente, sempre na expectativa de que possamos ser v\u00edtimas [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"pagelayer_contact_templates":[],"_pagelayer_content":"","jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-17311","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-cronicas"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/pokay-4vd","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/joseluizalmeida.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/17311","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/joseluizalmeida.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/joseluizalmeida.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/joseluizalmeida.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/joseluizalmeida.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=17311"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/joseluizalmeida.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/17311\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":18331,"href":"https:\/\/joseluizalmeida.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/17311\/revisions\/18331"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/joseluizalmeida.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=17311"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/joseluizalmeida.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=17311"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/joseluizalmeida.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=17311"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}