{"id":17393,"date":"2016-03-25T09:51:25","date_gmt":"2016-03-25T12:51:25","guid":{"rendered":"http:\/\/joseluizalmeida.com\/?p=17393"},"modified":"2016-03-25T09:51:25","modified_gmt":"2016-03-25T12:51:25","slug":"o-tribunal-moral-de-cada-um","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/joseluizalmeida.com\/?p=17393","title":{"rendered":"O TRIBUNAL MORAL DE CADA UM"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/joseluizalmeida.com\/2012\/05\/03\/limites-da-imprensa\/batendo-o-martelo\/\" rel=\"attachment wp-att-12421\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-medium wp-image-12421\" src=\"http:\/\/joseluizalmeida.com\/wp-content\/uploads\/2012\/05\/batendo-o-martelo-300x195.jpg\" alt=\"batendo-o-martelo\" width=\"300\" height=\"195\" srcset=\"https:\/\/joseluizalmeida.com\/wp-content\/uploads\/2012\/05\/batendo-o-martelo-300x195.jpg 300w, https:\/\/joseluizalmeida.com\/wp-content\/uploads\/2012\/05\/batendo-o-martelo.jpg 450w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Dando sequ\u00eancia \u00e0s nossas realiza\u00e7\u00f5es na dire\u00e7\u00e3o do N\u00facleo Permanente de Concilia\u00e7\u00e3o, estivemos recentemente em Imperatriz para instalar o I Balc\u00e3o de Renegocia\u00e7\u00e3o de D\u00edvida da Regi\u00e3o Tocantina.<br \/>\nInstalados os trabalhos, apresentou-se um devedor \u00e1vido por renegociar a sua d\u00edvida, j\u00e1 que se sentia incomodado por ainda n\u00e3o t\u00ea-lo feito em face de suas dificuldades financeiras. Detalhe relevante: a d\u00edvida do cidad\u00e3o era no importe \u2013 pasmem! \u2013 de R$ 26,17 (vinte e seis reais e dezessete centavos).<br \/>\nPois bem. Sentados, civilizadamente, credor e devedor, numa mesa de (re)negocia\u00e7\u00e3o &#8211; o que s\u00f3 foi poss\u00edvel em face da implementa\u00e7\u00e3o do Balc\u00e3o de Renegocia\u00e7\u00e3o, projeto do N\u00facleo de Concilia\u00e7\u00e3o do Tribunal de Justi\u00e7a -, chegaram a um acordo: o credor aceitou que o d\u00e9bito fosse quitado por cerca de R$ 6,00(seis reais), que era o que podia pagar o devedor.<br \/>\nConquanto seja exemplar esse fato, n\u00e3o foi o valor da d\u00edvida nem o valor da quita\u00e7\u00e3o, que motivaram essas reflex\u00f5es. A motiva\u00e7\u00e3o decorre da reafirma\u00e7\u00e3o, definitiva, de que cada um de n\u00f3s tem um tribunal moral interior que nos impulsiona para o bem e para o mal: o tribunal da consci\u00eancia que, tenho certeza, impulsionou o devedor a buscar a quita\u00e7\u00e3o da d\u00edvida que o incomodava.<br \/>\nEu tenho, tu tens, todos n\u00f3s temos, sim, um tribunal moral ou de consci\u00eancia, que guia, que conduz, que determina as nossas as a\u00e7\u00f5es, a nossa maneira de ser, a vis\u00e3o que temos do mundo e, de consequ\u00eancia, a maneira como devemos lidar com os nossos problemas.<br \/>\nPosso dizer, nesse sentido, que o que n\u00e3o \u00e9 moralmente aceito por mim pode ser admitido como normal para o semelhante, de acordo, claro, com o seu tribunal moral. \u00c9 por isso que h\u00e1 homens p\u00fablicos honestos e desonestos, por exemplo.<br \/>\nTudo est\u00e1 a depender, portanto, do tribunal moral ou de consci\u00eancia de cada, ou seja, da forma como fomos criados, de como fomos preparados para as vicissitudes da vida, de como lidamos com os nossos problemas, que s\u00e3o resultantes, n\u00e3o tenho d\u00favidas, dos valores que incorporamos \u00e0 nossa personalidade.<br \/>\nNos dias presentes, \u00e9 a frouxid\u00e3o dos tribunais de consci\u00eancia que nos leva a esse quadro de descalabro moral, de licenciosidade, de benevol\u00eancia de muitos para com os desvios de condutas, convindo anotar, ainda que para desalento de muitos, que at\u00e9 mesmo nas inst\u00e2ncias de controle, h\u00e1 os que se predisp\u00f5em a dar guarida ao malfeitor, sempre de acordo com o seu tribunal moral interior.<br \/>\nMuitos homens p\u00fablicos est\u00e3o a\u00ed a nos envergonhar, os quais, como eu j\u00e1 disse em outro artigo, nos fazem perder a esperan\u00e7a, n\u00e3o nos deixam sonhar. Por isso, estamos desalentados, contristados, acabrunhados, macamb\u00fazios, desesperan\u00e7ados, vendo, quase em estado de estupor, muitas vezes inertes e descrentes, o esfacelamento das institui\u00e7\u00f5es, decorrente dessa grave, grav\u00edssima degrada\u00e7\u00e3o moral pela qual passamos.<br \/>\nO cidad\u00e3o de bem, revoltado, reage, vai \u00e0s ruas, grita, esperneia, e depois percebe que tudo voltou a ser como antes. Desalentados, mas cr\u00e9dulos, todos n\u00f3s clamamos aos c\u00e9us, na quase certeza de que s\u00f3 nos resta mesmo aguardar por uma provid\u00eancia divina.<br \/>\nDiante desse quadro \u00e9 que aparecem os her\u00f3is nacionais, os salvadores da p\u00e1tria. Her\u00f3is que, no geral, apenas cumprem as suas obriga\u00e7\u00f5es. Contudo, em virtude de faz\u00ea-lo com destemor e sem distin\u00e7\u00e3o, se destacam como super-homens, super-her\u00f3is nos quais terminamos por depositar as nossas esperan\u00e7as.<br \/>\nDevo admitir que, apesar de j\u00e1 ter visto muito, nunca havia testemunhado antes tamanha licenciosidade, tamanha falta de vergonha, tamanha falta de compostura, de pudor dos nossos homens p\u00fablicos, os quais, triste ter que admitir, s\u00f3 visam mesmo \u00e0 defesa dos seus pr\u00f3prios interesses.<br \/>\nL\u00ea-se, ouve-se dizer que \u00e9 assim mesmo, que sempre foi assim, desde que o pa\u00eds foi descoberto. \u00c9 poss\u00edvel que sim. Isso, no entanto, n\u00e3o arrefece a minha, a nossa indigna\u00e7\u00e3o, mesmo porque &#8211; para mim, pelo menos &#8211; esse \u00e9 um argumento fajuto de quem deseja que tudo permane\u00e7a como est\u00e1.<br \/>\nA verdade \u00e9 que, aos olhos dos desinformados, os homens p\u00fablicos do Brasil parecem ser rigorosamente iguais, uma vez que poucos s\u00e3o os que se destacam por uma postura compat\u00edvel com o que se espera de um homem que esteja a servi\u00e7o do interesse comum.<br \/>\nPor isso, reafirmo, parecemos todos iguais aos olhos do cidad\u00e3o que, descrente de tudo, nos nivela por baixo; por isso, a sua intoler\u00e2ncia em rela\u00e7\u00e3o aos homens p\u00fablicos.<br \/>\n\u00c9 nesse ambiente de desesperan\u00e7a e de grave degrada\u00e7\u00e3o moral que aparecem os farsantes, os que aproveitam as nossas fragilidades, para nos vender falsas promessas, nos fazendo acreditar que, doravante, tudo ser\u00e1 diferente, para, depois, estarrecidos, constatarmos que nada mudou.<br \/>\nNum pa\u00eds em que as inst\u00e2ncias de controle s\u00e3o quase sempre lenientes e frouxas, o que nos resta mesmo \u00e9 esperar que o tribunal moral de cada um cumpra o seu papel, pois, infelizmente, as a\u00e7\u00f5es tendentes a obstar as condutas daninhas dos homens p\u00fablicos do nosso pa\u00eds ainda parecem ser uma exce\u00e7\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dando sequ\u00eancia \u00e0s nossas realiza\u00e7\u00f5es na dire\u00e7\u00e3o do N\u00facleo Permanente de Concilia\u00e7\u00e3o, estivemos recentemente em Imperatriz para instalar o I Balc\u00e3o de Renegocia\u00e7\u00e3o de D\u00edvida da Regi\u00e3o Tocantina. 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