{"id":17575,"date":"2017-04-17T17:50:59","date_gmt":"2017-04-17T20:50:59","guid":{"rendered":"http:\/\/joseluizalmeida.com\/?p=17575"},"modified":"2017-04-17T17:54:43","modified_gmt":"2017-04-17T20:54:43","slug":"a-tendencia-do-ser-humano-e-acreditar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/joseluizalmeida.com\/?p=17575","title":{"rendered":"A TEND\u00caNCIA DO SER HUMANO \u00c9 ACREDITAR"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\">___________________________________<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>&#8220;[..]<em>Haver\u00e1 quem diga: \u00e9 s\u00f3 saber escolher. Mas quem diz isso desconhece a realidade das elei\u00e7\u00f5es. N\u00e3o \u00e9 assim que as coisas funcionam. De rigor, nos bols\u00f5es de mis\u00e9ria, que \u00e9 aonde se decidem as elei\u00e7\u00f5es, o eleitor n\u00e3o tem independ\u00eancia, n\u00e3o vota por convic\u00e7\u00e3o, n\u00e3o escolhe, n\u00e3o elege; ele \u00e9 levado pelas circunst\u00e2ncias, vota de acordo com os comandos dos cabos eleitorais, que compram a sua consci\u00eancia e transferem o seu voto a quem paga mais[&#8230;]&#8221;.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">___________________________________<\/p>\n<p>\u201cAo longo do tempo, no correr das gera\u00e7\u00f5es, o mais eficaz pode ter sido isto: por via das d\u00favidas, acredite\u201d (Trecho de: <strong>McEwan, Ian<\/strong>. \u201cS\u00e1bado.\u201d Companhia das Letras. eBooks).<\/p>\n<p>\u00c9 partir desse fragmento do romance do grande escritor brit\u00e2nico Ian McEwan que pretendo desenvolver o tema que elegi para esse artigo, como o farei a seguir.<\/p>\n<p>Dizem que a tend\u00eancia do ser humano \u00e9 acreditar. E \u00e9 mesmo! Sempre foi assim. Tem sido assim, e assim o ser\u00e1. \u00c9 preciso acreditar sempre. Dif\u00edcil viver ser acreditar. Tendemos, por isso mesmo, nos conduzir a partir da nossa cren\u00e7a at\u00e9 aonde \u00e9 poss\u00edvel. S\u00f3 depois de frustradas as nossas expectativas, \u00e9 que tendemos desacreditar. Mas at\u00e9 chegar l\u00e1 j\u00e1 percorremos um longo caminho, muitas foram as frustra\u00e7\u00f5es e os desalentos que deixamos para tr\u00e1s.<\/p>\n<p>O certo mesmo \u00e9 que \u00e9 preciso crer, \u00e9 precisar ter f\u00e9. Nessa perspectiva, \u00e9 curial convir que, no mundo em que vivemos, s\u00f3 mesmo crendo, s\u00f3 mesmo com muita f\u00e9 &#8211; e muita resigna\u00e7\u00e3o &#8211; a gente consegue viver um pouco melhor.<\/p>\n<p>Nesse panorama, importa assinalar, somos presas f\u00e1ceis dos espertalh\u00f5es, espertalh\u00f5es que est\u00e3o por a\u00ed, em todos os lugares, tirando proveito das nossas cren\u00e7as, das nossas fragilidades, da nossa capacidade ilimitada de acreditar.<\/p>\n<p>Mas, ainda assim, mesmo diante de tantos dissabores, de tanta desilus\u00e3o, de tantas mentiras, de tanto engodo, sobretudo protagonizados por aqueles para os quais conferimos uma outorga para nos representar, \u00e9 preciso acreditar, perseverar na cren\u00e7a, ainda que nos frustremos, a todo instante, em face da a\u00e7\u00e3o dos vendedores de ilus\u00e3o, os mesmos que roubam os nossos sonhos e sobre os quais j\u00e1 falei em outras oportunidades.<\/p>\n<p>Ainda que reconhe\u00e7a que \u00e9 preciso acreditar, n\u00e3o me acanho de indagar, paradoxalmente, como acreditar em face de tantos desvios de conduta, exatamente daqueles que conferimos poderes para nos representar e que deveriam ter uma conduta irrepreens\u00edvel, mas que, diferente do que se espera e crer, t\u00eam as suas vistas, as suas a\u00e7\u00f5es voltadas apenas para os pr\u00f3prios interesses?<\/p>\n<p>Contraditoriamente, insisto em indagar, como continuar acreditando se vemos diante dos nossos olhos uma grav\u00edssima deforma\u00e7\u00e3o moral dos nossos representantes, os quais deveriam, ao reverso, pautar as suas a\u00e7\u00f5es pela retid\u00e3o de car\u00e1ter, pela postura moral libada e retil\u00ednea, mas que agem sem nenhum controle moral, a come\u00e7ar pelas promessas mentirosas e despudoradas s com as quais se elegem, para, uma vez no poder, \u00a0cuidarem apenas dos seus pr\u00f3prios interesses?<\/p>\n<p>Como continuar acreditando num pais no qual o juiz que revoluciona a nossa hist\u00f3ria \u00e9 chamado, por manifestantes irrespons\u00e1veis, de canalha, exatamente por ter tido a coragem, que nenhum outro teve na nossa hist\u00f3ria, de punir os desvios de conduta dos agentes p\u00fablicos e empres\u00e1rios os quais enriqueceram subtraindo do povo o dinheiro que deveria ter sido destinado para fins humanit\u00e1rios?<\/p>\n<p>Como acreditar tendo de conviver com os que, n\u00e3o sendo canalhas, n\u00e3o t\u00eam nenhuma capacidade de discernimento, mas que, apaixonadamente, desfraldam a bandeira da iniquidade na tentativa de descreditar aquele que, n\u00e3o sendo her\u00f3i, promove uma verdadeira revolu\u00e7\u00e3o nos costumes pol\u00edticos do nosso pa\u00eds, punindo exemplarmente muitos que, ao longo da nossa hist\u00f3ria, sempre passaram ao largo das inst\u00e2ncias persecut\u00f3rias, sob o escudo protetor do poder que ostentam?<\/p>\n<p>Como persistir acreditando se, a cada dez not\u00edcias veiculadas sobre falcatruas, em nove delas est\u00e3o envolvidos os nossos representantes?<\/p>\n<p>Como acreditar se, por mais que sejam desonestos os nossos representantes, s\u00e3o eles que continuam dando as cartas, s\u00e3o eles que t\u00eam prestigio, s\u00e3o eles que legislam, s\u00e3o eles que comandam os nossos destinos, s\u00e3o eles que mant\u00e9m os chefes dos executivos ref\u00e9ns de suas vontades?<\/p>\n<p>Haver\u00e1 quem diga: \u00e9 s\u00f3 saber escolher. Mas quem diz isso desconhece a realidade das elei\u00e7\u00f5es. N\u00e3o \u00e9 assim que as coisas funcionam. De rigor, nos bols\u00f5es de mis\u00e9ria, que \u00e9 aonde se decidem as elei\u00e7\u00f5es, o eleitor n\u00e3o tem independ\u00eancia, n\u00e3o vota por convic\u00e7\u00e3o, n\u00e3o escolhe, n\u00e3o elege; ele \u00e9 levado pelas circunst\u00e2ncias, vota de acordo com os comandos dos cabos eleitorais, que compram a sua consci\u00eancia e transferem o seu voto a quem paga mais.<\/p>\n<p>Em face desse quadro fica dif\u00edcil continuar acreditando. Desde a minha mais tenra idade que ou\u00e7o dizer que as coisas est\u00e3o mudando, sem nunca mudarem. E quando aparece um magistrado corajoso para mudar o quadro, as paix\u00f5es pol\u00edticas e o sectarismo trabalham para desacredit\u00e1-lo. E parte do povo, como gado, vai junto. Passa a crer no que n\u00e3o devia acreditar, pela necessidade que todos temos de continuar acreditando, com a esperan\u00e7a de que um dia as coisas possa mudar, definitivamente, pois, afinal, como diz Ernest Hemingway, em o Velho e o Mar, \u00a0\u00e9 pecado n\u00e3o ter esperan\u00e7a.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>___________________________________ &#8220;[..]Haver\u00e1 quem diga: \u00e9 s\u00f3 saber escolher. Mas quem diz isso desconhece a realidade das elei\u00e7\u00f5es. N\u00e3o \u00e9 assim que as coisas funcionam. De rigor, nos bols\u00f5es de mis\u00e9ria, que \u00e9 aonde se decidem as elei\u00e7\u00f5es, o eleitor n\u00e3o tem independ\u00eancia, n\u00e3o vota por convic\u00e7\u00e3o, n\u00e3o escolhe, n\u00e3o elege; ele \u00e9 levado pelas circunst\u00e2ncias, [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"pagelayer_contact_templates":[],"_pagelayer_content":"","jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-17575","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-cronicas"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/pokay-4zt","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/joseluizalmeida.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/17575","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/joseluizalmeida.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/joseluizalmeida.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/joseluizalmeida.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/joseluizalmeida.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=17575"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/joseluizalmeida.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/17575\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":18328,"href":"https:\/\/joseluizalmeida.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/17575\/revisions\/18328"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/joseluizalmeida.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=17575"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/joseluizalmeida.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=17575"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/joseluizalmeida.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=17575"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}