{"id":17602,"date":"2017-06-21T10:05:23","date_gmt":"2017-06-21T13:05:23","guid":{"rendered":"http:\/\/joseluizalmeida.com\/?p=17602"},"modified":"2017-06-21T19:04:45","modified_gmt":"2017-06-21T22:04:45","slug":"senhor-do-meu-destino","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/joseluizalmeida.com\/?p=17602","title":{"rendered":"SENHOR DO MEU DESTINO"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\">_______________________________<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>&#8220;[&#8230;]Devo dizer, nessa linha de pensar, que, n\u00e3o fosse a minha determina\u00e7\u00e3o de mudar o caminho que, aparentemente, j\u00e1 estava tra\u00e7ada para mim, muito provavelmente eu n\u00e3o seria o que sou hoje, e, muito provavelmente tamb\u00e9m, estaria trabalhando na lavoura, cuidando da terra, como, afinal, foi o destino dos que, como eu, nasceram e se criaram convivendo com o campo[&#8230;]&#8221;<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">________________________________<\/p>\n<p>S\u00f3crates ensinou que uma vida irrefletida n\u00e3o vale a pena ser vivida. Em F\u00e9don ele diz que uma vida irrefletida leva a alma a ficar \u201cconfusa e aturdida, como se estivesse b\u00eabada\u201d, enquanto uma alma s\u00e1bia alcan\u00e7a a estabilidade e seu vagar chega ao fim.<\/p>\n<p>Nessa linha de compreens\u00e3o, teimo em levar uma vida reflexiva, mesmo diante da \u00f3bvia constata\u00e7\u00e3o de que, n\u00e3o raro, o resultado das minhas reflex\u00f5es pode n\u00e3o ser muito palat\u00e1vel, o que, para mim, n\u00e3o \u00e9 nenhum \u00f3bice a impedir a minha cont\u00ednua vida de reflex\u00e3o.<\/p>\n<p>Assim determinado, come\u00e7o essas reflex\u00f5es com uma indaga\u00e7\u00e3o inquietante: O homem tem o poder de mudar o seu destino? Ou \u00e9 verdade que cada a uma j\u00e1 nasce com o seu destino definido, cabendo a cada um de n\u00f3s apenas aguardar que o tempo fluo, na certeza de que a proje\u00e7\u00e3o do nosso futuro j\u00e1 est\u00e1 definida?<\/p>\n<p>Muitas vezes ouvir, diante de um infort\u00fanio, de um trope\u00e7o ou de uma derrocada, as pessoas costumam dizer na tentativa de dar conforto \u00e0s v\u00edtimas das desditas, que foi o destino que assim o quis, como que reafirmando que, em face dele, somos impotentes, s\u00f3 nos restando mesmo a conforma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Claro que a incurs\u00e3o em torno desse tema exigiria de mim, de rigor, um conhecimento que n\u00e3o tenho, uma profundidade de an\u00e1lise que n\u00e3o sou capaz de fazer. Compreendo, no entanto, que, apesar das minhas limita\u00e7\u00f5es intelectuais, posso, sim, refletir sobre a quest\u00e3o como qualquer pessoa minimamente racional pode faz\u00ea-lo, pois, afinal, o objetivo mesmo \u00e9 s\u00f3 pensar, exercer o direito de dizer o que penso e sinto ante os mais diversos acontecimentos que permeiam a minha vida, sem nenhuma outra pretens\u00e3o que n\u00e3o seja desnudar a minha alma, me expor ao julgamento daqueles que se aventuram ler as coisas que escrevo.<\/p>\n<p>A prop\u00f3sito do tema em comento, devo dizer que, segundo a minha percep\u00e7\u00e3o, fruto apenas da minha experi\u00eancia de vida, em face de tudo que j\u00e1 testemunhei ao longo da minha provecta exist\u00eancia, que, naquilo que depende s\u00f3 de n\u00f3s, n\u00f3s somos, sim, os \u00fanicos respons\u00e1veis pelo nosso, digamos, destino.<\/p>\n<p>Devo dizer, nessa linha de pensar, que, n\u00e3o fosse a minha determina\u00e7\u00e3o de mudar o caminho que, aparentemente, j\u00e1 estava tra\u00e7ada para mim, muito provavelmente eu n\u00e3o seria o que sou hoje, e, muito provavelmente tamb\u00e9m, estaria trabalhando na lavoura, cuidando da terra, como, afinal, foi o destino dos que, como eu, nasceram e se criaram convivendo com o campo.<\/p>\n<p>Mas eu decidi que n\u00e3o era isso que eu queria, e, nesse af\u00e3, aproveitei as oportunidades que se apresentaram na minha vida, sempre com muita tenacidade, e com convic\u00e7\u00e3o de que meu mundo deveria ir muito al\u00e9m do campo e da ro\u00e7a.<\/p>\n<p>Nesse af\u00e3, cuidei de mudar a dire\u00e7\u00e3o, cuidei de pavimentar o caminho noutro rumo, tendo alcan\u00e7ado, pelas for\u00e7as da minha determina\u00e7\u00e3o, os meus reais objetivos, mesmo quando tudo parecia conspirar contra, face as enormes dificuldades pelas quais passei, depois que o nosso provedor optou por nos abandonar.<\/p>\n<p>Posso dizer, ent\u00e3o, que, no que dependeu da minha vontade, eu mudei a minha rota, contribuindo, decisivamente, para constru\u00e7\u00e3o da minha hist\u00f3ria, que poderia, sim, ter sido diferente, se eu permanecesse \u201ccom a boca escancarada e cheia de dentes, esperando a morte chegar\u201d, como narrou Raul Seixas.<\/p>\n<p>Tenho convic\u00e7\u00e3o, em face mesmo de tudo que vivi e testemunhei, que o mesmo n\u00e3o se d\u00e1 quando deixamos a vida nos levar, sem fazer nenhum esfor\u00e7o para mudar o rumo dos acontecimentos. Nesse caso, o destino de cada um termina sendo tra\u00e7ado pelos outros, pelas for\u00e7as exteriores que n\u00e3o sejamos capazes de enfrentar &#8211; por medo, covardia ou acomoda\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Aquele que, diante das dificuldades da vida, prefere se acomodar e deixar acontecer, a\u00ed sim, acaba sendo levado pela correnteza da vida como um barco sem comando enfrentando uma tempestade. E isso ocorre porque n\u00e3o foi capaz de segurar as r\u00e9deas da sua hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>Aquele que n\u00e3o assume o comanda da sua vida, da sua hist\u00f3ria, que fraqueja e sucumbe diante do infort\u00fanio, n\u00e3o \u00e9, definitivamente, o senhor do seu destino, raz\u00e3o pela qual s\u00f3 lhe resta mesmo assumir, conformado, que \u201cfoi \u00a0destino foi quem quis assim\u201d, quando, na realidade, ele pr\u00f3prio foi quem se omitiu, se negando a sair da zona de conforto que poderia mudar a dire\u00e7\u00e3o da sua vida, perspectiva em face da qual as portas do mundo se abrem ou se fecham, dependendo da for\u00e7a e da determina\u00e7\u00e3o de cada um.<\/p>\n<p>Para ilustrar e roborar o que digo, anoto que o genial Nelson Cavaquinho (que tocava mesmo era viol\u00e3o), era do tipo que deixava a vida seguir o seu fluxo, que n\u00e3o lutava para mudar a rota, que se deixou levar sem mover uma palha para mudar a dire\u00e7\u00e3o. Era do tipo que, diferente de muitos, n\u00e3o se aproximava das pessoas que n\u00e3o fosse por afeto. Nenhum interesse que n\u00e3o fosse o prazer da conviv\u00eancia o movia. Deixou acontecer. Ele nunca for\u00e7ava a barra. Deixava os acontecimentos flu\u00edrem. Com essa conduta, tra\u00e7ou o seu pr\u00f3prio destino porque n\u00e3o se empenhou em modificar o curso dos acontecimentos. Era, portanto, do tipo acomodado que, apesar da genialidade, n\u00e3o tirou proveito material da sua criatividade, porque preferiu que fosse assim, se acomodou com a situa\u00e7\u00e3o, n\u00e3o fez quest\u00e3o de pavimentar o caminho que o levaria noutra dire\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u00c9 claro que, por vezes, nem tudo depende s\u00f3 da boa vontade de cada um, da determina\u00e7\u00e3o de cada um. \u00c0s vezes uma boa dose de sorte ajuda muito. Contudo, devo alertar, tomando de empr\u00e9stimo as li\u00e7\u00f5es do poeta popular, que \u201cn\u00e3o adianta um p\u00e9 de coelho no bolso traseiro, nem mesmo a tal ferradura suspensa atr\u00e1s da porta ou um astral bem maior que o da noite passada, pois toda sorte tem quem acredita nela\u201d. (Fernando Mendes).<\/p>\n<p>Digo mais, agora inspirado, ao reverso, em Mia Couto (Um rio chamado tempo, uma casa chamada terra, editora Companhia das Letras), que n\u00e3o devemos nos deixar levar pela desesperan\u00e7a, achando que tudo \u00e9 destino e que contra o que est\u00e1 escrito nada podemos fazer, pois tenho testemunhado n\u00e3o ser verdadeira a afirma\u00e7\u00e3o de que a vantagem de pobre \u00e9 saber esperar, e esperar sem esperan\u00e7a, pois n\u00e3o foram poucos os que, lutando com todas as dificuldades propiciadas pela vida, ainda assim venceram, afinal, com disposi\u00e7\u00e3o e f\u00e9, somos, sim, os senhores do nosso destino ou, pelo menos, devemos tentar assumir o comando dele\u201d.<\/p>\n<p>\u00c9 isso.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>_______________________________ &#8220;[&#8230;]Devo dizer, nessa linha de pensar, que, n\u00e3o fosse a minha determina\u00e7\u00e3o de mudar o caminho que, aparentemente, j\u00e1 estava tra\u00e7ada para mim, muito provavelmente eu n\u00e3o seria o que sou hoje, e, muito provavelmente tamb\u00e9m, estaria trabalhando na lavoura, cuidando da terra, como, afinal, foi o destino dos que, como eu, nasceram e [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"pagelayer_contact_templates":[],"_pagelayer_content":"","jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-17602","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-cronicas"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/pokay-4zU","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/joseluizalmeida.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/17602","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/joseluizalmeida.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/joseluizalmeida.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/joseluizalmeida.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/joseluizalmeida.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=17602"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/joseluizalmeida.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/17602\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":17611,"href":"https:\/\/joseluizalmeida.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/17602\/revisions\/17611"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/joseluizalmeida.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=17602"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/joseluizalmeida.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=17602"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/joseluizalmeida.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=17602"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}