{"id":17628,"date":"2017-08-17T12:49:31","date_gmt":"2017-08-17T15:49:31","guid":{"rendered":"http:\/\/joseluizalmeida.com\/?p=17628"},"modified":"2017-08-17T13:15:00","modified_gmt":"2017-08-17T16:15:00","slug":"ninguem-tem-o-poder-de-aprisionar-o-futuro-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/joseluizalmeida.com\/?p=17628","title":{"rendered":"NINGU\u00c9M TEM O PODER DE APRISIONAR O FUTURO"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><em><strong>&#8220;[&#8230;]O futuro chegar\u00e1, sim, \u00e0s vezes mais breve do que imaginamos. Nessa hora, teremos, repito, que prestar contas das nossas a\u00e7\u00f5es e\/ou omiss\u00f5es; seremos for\u00e7ados a parar para pensar, sobretudo, quando sentirmos que as nossas for\u00e7as est\u00e3o se esvaindo, sem tempo para corrigir a rota, para rever os nossos erros, o mal que eventualmente tenhamos feito ao semelhante. Nessa hora, desanimados e tristes, veremos a vida escapando das m\u00e3os como um sabonete molhado[&#8230;]&#8221;.<\/strong><\/em><\/p>\n<p>N\u00e3o me lembro onde li a frase que tomo de empr\u00e9stimo para dar t\u00edtulo a essas reflex\u00f5es. N\u00e3o sei, tampouco, de quem \u00e9 a sua autoria. Mas achei que, a partir dela, seria poss\u00edvel fazer uma interessante reflex\u00e3o, sem me importar se o autor da frase pretendia desenvolver o mesmo racioc\u00ednio que vou desenvolver aqui e agora. Mas antes de faz\u00ea-lo, pe\u00e7o desculpas pela insol\u00eancia e eventual falta de fidelidade<br \/>\nO ponto de partida dessas reflex\u00f5es ser\u00e1 o que, imagino, possa ser inferido da frase em comento, t\u00e3o profundamente constru\u00edda, e a partir da qual pretendo fazer uma an\u00e1lise que me conduza a uma avalia\u00e7\u00e3o das consequ\u00eancias do que fazemos hoje, em face do porvir.<br \/>\nNesse sentido, posso iniciar dizendo que, como traduz no t\u00edtulo &#8211; desde a minha interpreta\u00e7\u00e3o, claro -, a ningu\u00e9m \u00e9 dado o poder de aprisionar o futuro, dado a sua \u00f3bvia inevitabilidade. Ningu\u00e9m tem, portanto, como evitar o porvir, a menos que nos faltem a vida ou a capacidade de discernimento para a efetiva constata\u00e7\u00e3o da sua inevitabilidade.<br \/>\nO futuro \u00e9, portanto, logo ali; inevitavelmente ali, muito pr\u00f3ximo da gente, tanto que posso, com a minha capacidade reflexiva e algumas pondera\u00e7\u00f5es, v\u00ea-lo se aproximando, celeremente, de maneira inclemente, batendo \u00e0 porta, insolente, sem controle, inevitavelmente. Ele, o futuro, o porvir, est\u00e1 mais pr\u00f3ximo do que somoscapazes de imaginar na maioria das vezes, sobretudo, se vivemos apenas o presente, sem nenhuma preocupa\u00e7\u00e3o com a inevitabilidade do que estar por vir.<br \/>\nVivemos fazendo planos a longo prazo, como se o futuro fosse algo distante, como se pud\u00e9ssemos aprision\u00e1-lo l\u00e1 longe,bem distante, onde os olhos e a mente n\u00e3o possam alcan\u00e7\u00e1-lo, como um meio de impedi-lo de nos atingir.<br \/>\nTodavia,ainda que assim pensemos, um dia, quase que inesperadamente, somos surpreendidos com o futuro que chegou, com todos os seus consect\u00e1rios, com as consequ\u00eancias que decorrem da passagem inclemente do tempo.<br \/>\nTemos, portanto &#8211; e \u00e9 bom que n\u00e3o nos iludamos &#8211; compromisso com o futuro, data marcada para esse encontro, para inexorabilidade desse encontro. Por isso, \u00e9 preciso viver e curtir o presente, saber estar nele, sem se olvidar de que o futuro \u00e9 logo ali, muito pr\u00f3ximo, pr\u00f3ximo mesmo.<br \/>\n\u00c9 preciso, portanto, estar preparado para o que vier pela frente, pois \u00e9 l\u00e1, mais adiante, que vamos prestar contas dos nossos atos, das nossas a\u00e7\u00f5es, dos nossos erros, das maldades que fizemos, da dor que causamos ao semelhante.<br \/>\nO futuro chegar\u00e1, sim, \u00e0s vezes mais breve do que imaginamos. Nessa hora, teremos, repito, que prestar contas das nossas a\u00e7\u00f5es e\/ou omiss\u00f5es; seremos for\u00e7ados a parar para pensar, sobretudo, quando sentirmos que as nossas for\u00e7as est\u00e3o se esvaindo, sem tempo para corrigir a rota, para rever os nossos erros, o mal que eventualmente tenhamos feito ao semelhante. Nessa hora, desanimados e tristes, veremos a vida escapando das m\u00e3os como um sabonete molhado.<br \/>\n\u00c9 que, segundo o velho clich\u00ea, a vida segue; tudo flui, enfim;nada \u00e9 eterno. Ningu\u00e9m banha nas mesmas \u00e1guas de um rio duas vezes (Her\u00e1clito). Assim sendo, logo, logo estaremos no futuro. E \u00e9 l\u00e1, no futuro, que, inelutavelmente, pagaremos pelos nossos erros ou colheremos os frutos do bem que realizamos, da obra que edificamos, da hist\u00f3ria que constru\u00edmos.<br \/>\nE feliz ser\u00e1 aquele que, diante do futuro, com os olhos voltados para o passado, n\u00e3o se constranger em face do caminho que trilhou, da hist\u00f3ria que construiu, das ren\u00fancias que fez, da postura que adotou para preservar o seu nome e o respeito de sua fam\u00edlia.<br \/>\nDo futuro, n\u00e3o tenha d\u00favidas, repito a obviedade, nenhum de n\u00f3s escapar\u00e1, ainda que, para alguns, ele j\u00e1 tenha chegado sem que se apercebessem, embevecidos, muitas vezes, pela vaidade do cargo que exercem ou do poder que eventualmente lhe tenha chegado \u00e0s m\u00e3os.<br \/>\nDecerto que, mais dia menos dia, teremos um encontro marcado com o que vir\u00e1, o que pode estar pr\u00f3ximo ou distante, como dito acima. Mas ser\u00e1 inevit\u00e1vel. E nesse dia, n\u00e3o adianta lamentar pelo que se fez no passado. Por isso, \u00e9 preciso, enquanto o presente n\u00e3o \u00e9 futuro, que sejamos capazes de fazer uma revis\u00e3o das nossas a\u00e7\u00f5es\/omiss\u00f5es, que sejamos capazes de refluir, de reexaminar, de rediscutir, de reavaliar, de repensar, de rever posi\u00e7\u00f5es, enquanto \u00e9 tempo.<br \/>\nMas, antes, \u00e9 preciso viver o presente, sem pressa, contemplando as coisas belas, contemplando o que for bom de ser contemplado, vivendo intensamente, sem cultivar esperan\u00e7as imposs\u00edveis, pois, como diz Umberto Eco, quem cultiva sonhos imposs\u00edveis j\u00e1 \u00e9 um perdedor (N\u00famero Zero); sem pressa diante das coisas boas, sem sentimentos maldosos, cumprindo lembrar, para ilustrar essas reflex\u00f5es, as belas palavras do ex-Ministro Carlos Ayres Brito, segundo o qualo sentimento abre as portas do pensamento, e assim, quando se come\u00e7a uma atividade racional pelo sentimento, j\u00e1 come\u00e7amos bem as nossas tarefas intelectuais.<br \/>\nN\u00e3o se perde por esperar, o que fazemos nos dias presentes vir\u00e1 no futuro para nos punir ou nos premiar, conquanto se compreenda que n\u00e3o se deva fazer algo com o objetivo de ser recompensado, da mesma forma que n\u00e3o se deve faz\u00ea-lo apenas pelo prazer de fazer o mal.<br \/>\nDevemos fazer o que pede o cora\u00e7\u00e3o, o que aconselha a raz\u00e3o. E quem age racionalmente e tem um bom cora\u00e7\u00e3o, sempre colher\u00e1 bons frutos, porque tende a fazer o bem, afinal, como diz Ferreira Gullar, nessa vida \u00e9 melhor ser feliz que ter raz\u00e3o.<br \/>\nUma \u00faltima reflex\u00e3o: quando n\u00e3o guardamos magoas, quando n\u00e3o projetamos nenhuma vingan\u00e7a em face do mal que nos fizeram, quando n\u00e3o procuramos magoar os cora\u00e7\u00f5es, fiquemos certos, todos os cora\u00e7\u00f5es estar\u00e3o a nosso favor(Voltaire).<br \/>\n\u00c9 assim que pretendo esperar o futuro.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;[&#8230;]O futuro chegar\u00e1, sim, \u00e0s vezes mais breve do que imaginamos. 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