{"id":17979,"date":"2022-12-16T09:50:53","date_gmt":"2022-12-16T12:50:53","guid":{"rendered":"https:\/\/joseluizalmeida.com\/?p=17979"},"modified":"2023-03-14T10:16:58","modified_gmt":"2023-03-14T13:16:58","slug":"a-participacao-da-mulher-na-politica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/joseluizalmeida.com\/?p=17979","title":{"rendered":"A PARTICIPA\u00c7\u00c3O DA MULHER NA POL\u00cdTICA"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A fraude \u00e0 cota de g\u00eanero tem sido, no dias atuais, indubitavelmente, um tema<br>candente do Direito Eleitoral, pelos objetivos a que ela se prop\u00f5e, no sentido de incentivar a<br>participa\u00e7\u00e3o feminina na pol\u00edtica, em tributo ao pluralismo pol\u00edtico.<br>Inobstante a prote\u00e7\u00e3o legal \u00e0 cota de g\u00eanero, a verdade que se manifesta, transl\u00facida<br>e inquietante, \u00e9, contraditoriamente, a dissemina\u00e7\u00e3o, em todo o pa\u00eds, de fraudes escancaradas e<br>acintosas \u00e0s reservas de g\u00eanero, disso resultando que, em lugar da promo\u00e7\u00e3o da participa\u00e7\u00e3o<br>feminina, o que temos testemunhado \u00e9 a reafirma\u00e7\u00e3o da exclus\u00e3o da mulher da pol\u00edtica<br>Importa consignar, a prop\u00f3sito, que a necessidade de est\u00edmulos \u00e0 participa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica<br>das mulheres ganhou for\u00e7a com a Constitui\u00e7\u00e3o Federal de 1988, mas a realiza\u00e7\u00e3o desse<br>desiderato acabou se revelando uma verdadeira guerra, realidade f\u00e1tica que se pode inferir em<br>face das v\u00e1rias provoca\u00e7\u00f5es \u00e0 Justi\u00e7a Eleitoral em face da dissemina\u00e7\u00e3o das chamadas<br>candidaturas laranjas, p\u00edfias, fictas ou fraudulentas.<br>A verdade \u00e9 que, ao final de duas d\u00e9cadas, o progresso resultante das medidas<br>legislativas, visando o estimula \u00e0 participa\u00e7\u00e3o feminina, foi muito t\u00edmido, a demonstrar a<br>necessidade de rea\u00e7\u00e3o dos atores institucionais. Nesse af\u00e3, a miss\u00e3o cabe, tamb\u00e9m e<br>precipuamente, \u00e0 Justi\u00e7a Eleitoral, atrav\u00e9s de sua atua\u00e7\u00e3o jurisdicional e regulamentar, donde<br>se espera atua\u00e7\u00e3o determinada no af\u00e3 de coibir os abusos.<br>A conclus\u00e3o, em face do que tenho testemunhado como ator institucional com atua\u00e7\u00e3o<br>na Corte Eleitoral do Maranh\u00e3o, lament\u00e1vel dizer, porque isso se traduz em inaceit\u00e1vel<br>menoscabo \u00e0 mulher, \u00e9 que muitas candidaturas femininas passaram a compor as listas<br>partid\u00e1rias como mera formalidade, ou seja, apenas para que os partidos se ad\u00e9q\u00fcem \u00e0<br>legisla\u00e7\u00e3o.<br>Nesse cen\u00e1rio, a Justi\u00e7a Eleitoral deve, sim, com equil\u00edbrio e sensatez, mas de forma<br>determinada, adotar uma postura evolutiva, progressiva e adaptativa \u2013 a considerar que as<br>fraudes tendem \u00e0 sofistica\u00e7\u00e3o -, de modo a, sem descurar de sua responsabilidade e sem<br>excessos, lan\u00e7ar os seus tent\u00e1culos em face dos protagonistas das fraudes, ainda que tenha que<br>decidir contramajoritariamente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Tenho reafirmado que somente a interpreta\u00e7\u00e3o evolutiva do direito, consent\u00e2nea com<br>os dias presentes, nos levar\u00e1 \u00e0 sua atualiza\u00e7\u00e3o, pois \u00e9 dever do int\u00e9rprete estar atento \u00e0<br>evolu\u00e7\u00e3o da sociedade e, no caso das cotas de g\u00eanero, a sofistica\u00e7\u00e3o das a\u00e7\u00f5es il\u00edcitas est\u00e1 a<br>exigir, que, na an\u00e1lise do caso concreto, a lei seja analisada evolutivamente, isto \u00e9, n\u00e3o em face<br>do ambiente em que foi criada, mas em face do cen\u00e1rio em que foi infringida, sob pena de<br>restar inviabilizada a puni\u00e7\u00e3o dos fraudadores.<br>\u00c9 preciso ter em conta, a prop\u00f3sito das fraudes em comento, que a constru\u00e7\u00e3o<br>jurisprudencial atual se consolidou em um ambiente que aos poucos foi se sofisticando \u2013 e<br>tende a se sofisticar ainda mais \u2013, da\u00ed as dificuldades que temos de definir o que seja uma<br>candidatura ficta\/laranja, a exigir que evoluamos na an\u00e1lise dos fatos, bem assim no que condiz<br>com a sua subsun\u00e7\u00e3o \u00e0 normativa, ante a \u00f3bvia constata\u00e7\u00e3o de que uma interpreta\u00e7\u00e3o que era<br>correta num determinado momento, pode ter-se tornado inapropriada em ocasi\u00e3o posterior,<br>disso resultado que n\u00e3o se pode dar a mesma solu\u00e7\u00e3o a um problema que sofreu muta\u00e7\u00e3o em<br>raz\u00e3o das altera\u00e7\u00f5es no plano da realidade f\u00e1tica.<br>E a realidade f\u00e1tica, quando se trata de fraude eleitoral, todos sabemos, muda com o<br>tempo, se sofistica em busca do aperfei\u00e7oamento, a exigir das inst\u00e2ncias de controle uma<br>interpreta\u00e7\u00e3o progressiva, evolutiva e, no mesmo passo, destemida, sem descurar, claro, do que<br>efetivamente restar apurado, pois ao julgador n\u00e3o \u00e9 dado o direito de agir em face de suas<br>convic\u00e7\u00f5es, de suas idiossincrasias, conquanto n\u00e3o se possa perder de vista um inevit\u00e1vel<br>coeficiente de subjetividade em suas decis\u00f5es.<br>\u00c9 isso.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A fraude \u00e0 cota de g\u00eanero tem sido, no dias atuais, indubitavelmente, um temacandente do Direito Eleitoral, pelos objetivos a que ela se prop\u00f5e, no sentido de incentivar aparticipa\u00e7\u00e3o feminina na pol\u00edtica, em tributo ao pluralismo pol\u00edtico.Inobstante a prote\u00e7\u00e3o legal \u00e0 cota de g\u00eanero, a verdade que se manifesta, transl\u00facidae inquietante, \u00e9, contraditoriamente, a dissemina\u00e7\u00e3o, 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