{"id":18162,"date":"2024-03-18T08:22:42","date_gmt":"2024-03-18T11:22:42","guid":{"rendered":"https:\/\/joseluizalmeida.com\/?p=18162"},"modified":"2024-10-09T10:06:53","modified_gmt":"2024-10-09T13:06:53","slug":"errar-e-humano","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/joseluizalmeida.com\/?p=18162","title":{"rendered":"ERRAR \u00c9 HUMANO?"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em face da indaga\u00e7\u00e3o\/t\u00edtulo desse artigo, respondo afirmando que o aforismo, quando invocado, est\u00e1, quase sempre, condicionado \u00e0s conveni\u00eancias de quem o proclama.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Importa reconhecer, contudo, ser esse o apotegma presente nas nossas rela\u00e7\u00f5es com o semelhante; princ\u00edpio de alcance moral que, n\u00e3o raro, se traduz apenas em um sopro, mera for\u00e7a de express\u00e3o, dependente, como antecipei acima, das conveni\u00eancias de quem dele faz uso.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A senten\u00e7a moral referida, \u00e9 verdade, permeia as rela\u00e7\u00f5es sociais desde sempre; \u00e0s vezes, reafirmo, apenas como uma banaliza\u00e7\u00e3o da express\u00e3o, sem consequ\u00eancia pr\u00e1tica nas nossas rela\u00e7\u00f5es, pois que dita, como tantas outras, ao sabor das circunst\u00e2ncias\/conveni\u00eancias, na medida em que n\u00e3o s\u00e3o poucos os que, ante ao erro ou a uma a\u00e7\u00e3o\/rea\u00e7\u00e3o decorrente de uma falsa percep\u00e7\u00e3o da realidade, s\u00e3o implac\u00e1veis censores.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os meus sentidos me alertam que o erro s\u00f3 \u00e9 reconhecido, como pr\u00f3prio da nossa condi\u00e7\u00e3o de seres humanos, quando cuidamos dos nossos pr\u00f3prios deslizes, para os quais emprestamos toda a nossa complac\u00eancia, toda a nossa delicadeza e compreens\u00e3o. \u00c9 que, verdade inilud\u00edvel, quando lidamos com os erros dos outros, a eles emprestamos apenas a nossa repulsa e reprova\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Essas reflex\u00f5es resultam, portanto, de uma constata\u00e7\u00e3o \u00f3bvia: n\u00f3s n\u00e3o encaramos os erros \u2013 dos outros, claro \u2013 com a naturalidade que o aforismo pretende traduzir, a infirmar outra m\u00e1xima popular, que complementa a original, segundo a qual se \u201cerrar \u00e9 humano, perdoar \u00e9 divino\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Eu mesmo, por diversas vezes, fruto de muita incompreens\u00e3o, precipitei-me nos julgamentos que fiz em face dos erros dos semelhantes, muitos dos quais menos graves que os deslizes que j\u00e1 cometi, a reafirmar que, se errar \u00e9 humano, essa constata\u00e7\u00e3o\/reconhecimento est\u00e1 a depender da posi\u00e7\u00e3o que nos colocamos diante do erro cometido.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Diante das falhas\/desacertos\/lapsos dos iguais, para os quais reservamos a nossa avidez punitiva\/cens\u00f3ria, s\u00f3 somos capazes de refluir, de reavaliar, enfim, as nossas posi\u00e7\u00f5es, quando, racionalmente, nos colocamos na posi\u00e7\u00e3o desses mesmos iguais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A verdade \u00e9 que tendemos a julgar o comportamento dos cong\u00eaneres como se f\u00f4ssemos perfeitos, incapazes de um deslize, como se, na jornada da vida, permeada de vicissitudes, pertenc\u00eassemos a uma ra\u00e7a imune ao erro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para al\u00e9m de reconhecer que errar \u00e9 humano, mais importante \u00e9 ser capaz de perdoar o erro, \u00e0 luz de uma necess\u00e1ria e inexced\u00edvel toler\u00e2ncia, na medida em que, nessa vida, s\u00f3 n\u00e3o erra quem n\u00e3o tentou acertar, por omiss\u00e3o ou covardia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A quest\u00e3o que se coloca, portanto, e \u00e9 esse o alvitre dessas reflex\u00f5es, \u00e9 saber se, em face do erro do semelhante, que muitos invocam para si como uma decorr\u00eancia inevit\u00e1vel de nossa condi\u00e7\u00e3o de seres humanos, somos capazes de, na mesma situa\u00e7\u00e3o, perdoar quem errou, ou se o perd\u00e3o \u00e9 apenas uma manifesta\u00e7\u00e3o oportunista que depende da nossa avalia\u00e7\u00e3o subjetiva e das nossas conveni\u00eancias pessoais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A verdade, sabida e ressabida, \u00e9 que ningu\u00e9m passa pela vida sem deslizes, pequenos ou grandes, da\u00ed por que todos dever\u00edamos, com a mesma sofreguid\u00e3o e parcim\u00f4nia com que julgamos\/perdoamos os nossos pr\u00f3prios erros, avaliar\/perdoar os erros dos semelhantes, sem perder de vista, numa perspectiva filos\u00f3fica, que o erro, no sentido empregado nessas reflex\u00f5es, decorre, muitas vezes, apenas de um equ\u00edvoco de julgamento do esp\u00edrito.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 isso.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em face da indaga\u00e7\u00e3o\/t\u00edtulo desse artigo, respondo afirmando que o aforismo, quando invocado, est\u00e1, quase sempre, condicionado \u00e0s conveni\u00eancias de quem o proclama. 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