{"id":18374,"date":"2026-01-13T11:10:39","date_gmt":"2026-01-13T14:10:39","guid":{"rendered":"https:\/\/joseluizalmeida.com\/?p=18374"},"modified":"2026-03-23T19:54:07","modified_gmt":"2026-03-23T22:54:07","slug":"o-canto-da-sirena","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/joseluizalmeida.com\/?p=18374","title":{"rendered":"O CANTO DA SIRENA"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na intimidade, costumo contar a minha maior decep\u00e7\u00e3o; aquela que modificou a minha vida \u2013 e a de muitos no meu entorno -, levando-me a ser quem sou, da\u00ed posso afirmar que ela foi o combust\u00edvel que me moveu &#8211; e ainda me move &#8211; at\u00e9 os dias atuais. \u00c9 algo muito pessoal, e somente os mais \u00edntimos sabem dela e do que ela significa para a minha vida.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Essa grande decep\u00e7\u00e3o \u2013 como as decep\u00e7\u00f5es em geral &#8211; tem a ver, sim, com as expectativas que criei \u2013 e que criamos &#8211; em torno de quem, podendo ser uma refer\u00eancia, preferiu tornar-se a minha maior desilus\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Como qualquer ser humano, fui construindo, na inf\u00e2ncia, na juventude e at\u00e9 na vida adulta, um castelo de sonhos e de expectativas em torno de quem, depois, se revelou um engodo, fazendo ruir o castelo que constru\u00ed, e, com isso, claro, os meus sonhos, levando-me a uma enorme frustra\u00e7\u00e3o que marcou a minha vida e a da minha fam\u00edlia, conquanto j\u00e1 houvesse sinais, desde muito cedo, de qual seria o desfecho.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A verdade \u00e9 que alimentamos a nossa mente de sonhos e expectativas. Nesse af\u00e3, edificamos verdadeiros castelos de areias, que, por esta ou aquela raz\u00e3o, acabam sendo derrubados pela realidade, deixando-nos um sentimento de frustra\u00e7\u00e3o, decep\u00e7\u00e3o e desilus\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O que desejo, a prop\u00f3sito dessas reflex\u00f5es, \u00e9 reafirmar que, sendo a decep\u00e7\u00e3o um sentimento universal, que nos afeta em determinados momentos da vida, o ideal seria n\u00e3o nos deixarmos levar pelo \u201cCanto da Sirena\u201d &#8211; aqui usado metaforicamente para descrever algo que \u00e9 atraente e sedutor, mas que pode conduzir a consequ\u00eancias negativas ou perigosas &#8211; e que, ao fim e ao cabo, pode nos levar de encontro aos rochedos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Importa indagar, pois, em face do que me proponho a refletir aqui e agora: as decep\u00e7\u00f5es s\u00e3o evit\u00e1veis? A quem cabe a responsabilidade por elas? A n\u00f3s mesmos, em face das nossas fraquezas e incapacidade de discernimento? Ou devemos imput\u00e1-las \u00e0s pessoas em torno das quais constru\u00edmos nossos sonhos?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Penso que, na maioria das vezes, o respons\u00e1vel pelas nossas decep\u00e7\u00f5es somos n\u00f3s mesmos, incapazes que somos de compreender que as pessoas s\u00e3o o que s\u00e3o, que t\u00eam seus pr\u00f3prios sonhos e desejos, os quais n\u00e3o correspondem, necessariamente, aos nossos interesses e \u00e0s nossas expectativas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 preciso compreender \u2013 e muitas vezes n\u00e3o somos capazes de discernir &#8211; que as pessoas s\u00e3o \u00fanicas, que cada uma carrega suas pr\u00f3prias lutas, medos, desejos e sonhos, nos quais, muitas vezes, n\u00e3o estamos inclu\u00eddos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O que se deve fazer, ent\u00e3o?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">H\u00e1 apenas um caminho: gerenciar os nossos sonhos e olhar a realidade como ela se apresenta. Assim o fazendo, podemos, sim, controlar nossas expectativas em face do semelhante, para, no mesmo passo, controlar as nossas frustra\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quando nos decepcionamos com algu\u00e9m, devemos aproveitar o ensejo para refletir sobre as expectativas que depositamos nessa pessoa, pois a decep\u00e7\u00e3o pode estar muito mais em n\u00f3s do que em outrem.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O sentimento de tristeza ou frustra\u00e7\u00e3o, decorrente de uma expectativa n\u00e3o alcan\u00e7ada, pode ser uma singular oportunidade para levantar a cabe\u00e7a, para abrir a camisa, encher o peito e marchar firmemente noutra dire\u00e7\u00e3o &#8211; que n\u00e3o seja aquela que nos leve aos rochedos do naufr\u00e1gio, como ilustra a alegoria que utilizei.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Como anotado acima, mas importa reafirmar: a decep\u00e7\u00e3o n\u00e3o se d\u00e1, necessariamente, em face dos outros, mas, muitas vezes \u2013 embora n\u00e3o admitamos -, por nossa conta e risco, quando fracassamos em nossas metas pessoais e atribu\u00edmos a algu\u00e9m uma quebra de confian\u00e7a que, na verdade, s\u00f3 existiu em nossa mente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 preciso, portanto, romper com os sonhos que sabemos ser irrealiz\u00e1veis, em fun\u00e7\u00e3o dos quais somos os maiores respons\u00e1veis, na medida em que projetamos nos outros nossos desejos e expectativas, que podem, sim, nos levar a uma intensa tristeza e enorme frustra\u00e7\u00e3o, permeadas de raiva e desmotiva\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 isso.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na intimidade, costumo contar a minha maior decep\u00e7\u00e3o; aquela que modificou a minha vida \u2013 e a de muitos no meu entorno -, levando-me a ser quem sou, da\u00ed posso afirmar que ela foi o combust\u00edvel que me moveu &#8211; e ainda me move &#8211; at\u00e9 os dias atuais. \u00c9 algo muito pessoal, e somente [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"pagelayer_contact_templates":[],"_pagelayer_content":"","jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[4,23],"tags":[],"class_list":["post-18374","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-cronicas","category-diversos"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/pokay-4Mm","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/joseluizalmeida.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/18374","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/joseluizalmeida.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/joseluizalmeida.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/joseluizalmeida.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/joseluizalmeida.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=18374"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/joseluizalmeida.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/18374\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":18375,"href":"https:\/\/joseluizalmeida.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/18374\/revisions\/18375"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/joseluizalmeida.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=18374"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/joseluizalmeida.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=18374"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/joseluizalmeida.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=18374"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}