{"id":2044,"date":"2009-04-16T18:12:15","date_gmt":"2009-04-16T18:12:15","guid":{"rendered":"http:\/\/joseluizalmeida.com\/?p=2044"},"modified":"2009-04-16T18:26:28","modified_gmt":"2009-04-16T18:26:28","slug":"nova-definicao-juridica-do-fato-mutatio-libelli-inteligencia-do-artigo-384-do-digesto-de-processo-penal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/joseluizalmeida.com\/?p=2044","title":{"rendered":"Nova defini\u00e7\u00e3o jur\u00eddica do fato. Mutatio Libelli. Intelig\u00eancia do artigo 384 do Digesto de Processo Penal"},"content":{"rendered":"<p style=\"TEXT-ALIGN: left\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: center\"><span style=\"color: #993300;\"><strong><span style=\"color: #003366;\">c<\/span><span style=\"color: #003366;\">ontato<\/span><\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: center\"><span style=\"color: #993300;\"><a href=\"mailto:jose.luiz.almeida@globo.com\"><span style=\"color: #003366;\"><strong><span style=\"color: #003366;\">jose.luiz.almeida@globo.com<\/span><\/strong><\/span><\/a><span style=\"color: #003366;\"><strong><span style=\"color: #003366;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a0ou\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a0<\/span><\/strong><\/span><a href=\"mailto:jose.luiz.almeida@folha.com.br\"><span style=\"color: #003366;\"><strong><span style=\"color: #003366;\">jose.luiz.almeida@folha.com.br<\/span><\/strong><\/span><\/a><\/span><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: left\"><span style=\"color: #993300;\">_______________________________________<br \/>\n<\/span><strong><\/strong><\/p>\n<address style=\"TEXT-ALIGN: center\"><strong><span style=\"color: #993300;\">Ante a in\u00e9rcia do MINIST\u00c9RIO P\u00daBLICO, cabe-nos, agora, provoc\u00e1-lo para tanto, pois que \u00e9 imprescind\u00edvel o aditamento, sem o que n\u00e3o ser\u00e1 poss\u00edvel a condena\u00e7\u00e3o do acusado &#8211; nem com base no que consta na den\u00fancia ( fato que, j\u00e1 se sabe, n\u00e3o ocorreu), nem com base no que se comprovou ao longo da instru\u00e7\u00e3o, pois este fato n\u00e3o consta da prefacial<\/span>.<\/strong><\/address>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: left\"><span style=\"color: #993300;\">________________________________________<\/span><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">Na decis\u00e3o que publico a seguir, o Minist\u00e9rio Publico, em sede de alega\u00e7\u00f5es finais, pediu fosse dada nova defini\u00e7\u00e3o jur\u00eddica ao fato (mutatio libelli), sem que o r\u00e9u tivesse tido a oportunidade de se defender, quando, em verdade, o correto seria o aditamento da den\u00fancia.<br \/>\nDiscordando do MP, em determinados fragmentos anotei:<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<ol>\n<blockquote>\n<ol style=\"TEXT-ALIGN: justify\">\n<li><span style=\"color: #003366;\"><strong>Discrepo do MINIST\u00c9RIO P\u00daBLICO e da defesa, no entanto, quanto \u00e0 possibilidade de se prolatar, de logo, uma decis\u00e3o de preceito condenat\u00f3rio, como vou explicar a seguir.<\/strong><\/span><\/li>\n<li><span style=\"color: #003366;\"><strong><span style=\"color: #003366;\">\u00c9 que passou ao largo da percep\u00e7\u00e3o do MINIST\u00c9RIO P\u00daBLICO e da defesa que o fato que se comprovou durante a instru\u00e7\u00e3o \u00e9 diverso do narrado na den\u00fancia.<\/span><\/strong><\/span><\/li>\n<li><span style=\"color: #003366;\"><strong><span style=\"color: #003366;\">De concluir, em face do exposto, que \u00e9 invi\u00e1vel, sob pena de ser solapado o princ\u00edpio da ampla defesa, ao magistrado condenar o r\u00e9u pelos fatos apurados na instru\u00e7\u00e3o, pois que eles n\u00e3o constam da acusa\u00e7\u00e3o e deles o acusado, como \u00e9 razo\u00e1vel compreender, n\u00e3o se defendeu.<\/span><\/strong><\/span><\/li>\n<li><span style=\"color: #003366;\"><strong><span style=\"color: #003366;\">Necess\u00e1rio, pois, que se ad\u00e9que a imputa\u00e7\u00e3o ao que se apurou durante a instru\u00e7\u00e3o probat\u00f3ria, com o fim de se permitir ao acusado o exerc\u00edcio pleno de sua defesa.<br \/>\n<\/span><\/strong><\/span><\/li>\n<\/ol>\n<\/blockquote>\n<p><span style=\"color: #003366;\"><strong><\/strong><\/span><\/ol>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>A seguir, a decis\u00e3o, por inteiro.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: left\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\"><span style=\"color: #003366;\">PROCESSO N\u00ba 113192008<br \/>\nA\u00c7\u00c3O PENAL P\u00daBLICA<br \/>\nACUSADO: JOMAR GAMA CUTRIM<br \/>\nV\u00cdTIMA: SIDENILSON LUIZ DA SILVA NEVES<\/span><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\"><span style=\"color: #003366;\">Vistos, etc.<br \/>\nCuida-se de a\u00e7\u00e3o penal que move o MINIST\u00c9RIO P\u00daBLICO contra JOMAR GAMA CUTRIM, devidamente qualificado nos autos, por incid\u00eancia comportamental no artigo 155,\u00a74\u00ba, III, do CP, em face de, no dia 28 de abril de 2008, na Avenida Jer\u00f4nimo de Albuquerque, COHAB, com emprego de chave falsa, ter furtado o ve\u00edculo Fiat\/Uno Eletronic, de cor preta, ano e modelo 93\/94, placa HOV 0071, de propriedade de ELIZANGELA MESQUITA PARES.<br \/>\nA persecu\u00e7\u00e3o criminal teve in\u00edcio com a pris\u00e3o em flagrante do acusado(fls.07\/12)<br \/>\nAuto de apresenta\u00e7\u00e3o e apreens\u00e3o \u00e0s fls. 14.<br \/>\nTermo de entrega \u00e0s fls. 15.<br \/>\nRecebimento da den\u00fancia \u00e0s fls.64\/65.<br \/>\nDefesa escrita \u00e0s fls. 106\/107.<br \/>\nDurante a instru\u00e7\u00e3o criminal foram ouvidas as testemunhas SIDENILSON LUIZ DA SILVA NEVES (ofendido)(fls.122\/123), MARIA DA PURIFICA\u00c7\u00c3O CASTELO BRANCO (fls. 124\/125) e PETR\u00d4NIO GON\u00c7ALVES SOARES. (fls. 126)<br \/>\nO acusado foi qualificado e interrogado \u00e0s fls. 143\/147.<br \/>\nO MINIST\u00c9RIO P\u00daBLICO em alega\u00e7\u00f5es finais, pediu a condena\u00e7\u00e3o do acusado, mas nas penas do artigo 180,\u00a71\u00ba, c\/c artigo 14, II, do CP. (fls.149\/153)<br \/>\nA defesa, de seu lado, na mesma sede, seguiu na mesma esteira do MINIST\u00c9RIO P\u00daBLICO, pedindo, alfim, a condena\u00e7\u00e3o do acusado nas penas do artigo 180, \u00a71\u00ba, c\/c artigo 11, do CP. (fls.156\/157)<\/span><\/p>\n<p>Relatados. Decido.<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\"><span style=\"color: #003366;\">Encerrada a instru\u00e7\u00e3o o MINIST\u00c9RIO P\u00daBLICO pediu a condena\u00e7\u00e3o do acusado nas penas do artigo 180, \u00a71\u00ba, c\/c artigo 14, II, do CP, no que foi secundado pela defesa.<br \/>\nNa esteira do entendimento ministerial e da defesa, tamb\u00e9m compreendo que se deva dar nova defini\u00e7\u00e3o jur\u00eddica ao fato, em face do que restou apurado no transcurso da instru\u00e7\u00e3o.<br \/>\nDiscrepo do MINIST\u00c9RIO P\u00daBLICO e da defesa, no entanto, quanto \u00e0 possibilidade de se prolatar, de logo, uma decis\u00e3o de preceito condenat\u00f3rio, como vou explicar a seguir.<br \/>\n\u00c9 que passou ao largo da percep\u00e7\u00e3o do MINIST\u00c9RIO P\u00daBLICO e da defesa que o fato que se comprovou durante a instru\u00e7\u00e3o \u00e9 diverso do narrado na den\u00fancia.<br \/>\nDe concluir, em face do exposto, que \u00e9 invi\u00e1vel, sob pena de ser solapado o princ\u00edpio da ampla defesa, ao magistrado condenar o r\u00e9u pelos fatos apurados na instru\u00e7\u00e3o, pois que eles n\u00e3o constam da acusa\u00e7\u00e3o e deles o acusado, como \u00e9 razo\u00e1vel compreender, n\u00e3o se defendeu.<br \/>\nNecess\u00e1rio, pois, que se ad\u00e9que a imputa\u00e7\u00e3o ao que se apurou durante a instru\u00e7\u00e3o probat\u00f3ria, com o fim de se permitir ao acusado o exerc\u00edcio pleno de sua defesa.<br \/>\nO MINIST\u00c9RIO P\u00daBLICO, diante do que restou apurado ao longo da instru\u00e7\u00e3o, ao inv\u00e9s de pedir a condena\u00e7\u00e3o do acusado por fatos que n\u00e3o constam na prefacial, deveria, sim, aditar a den\u00fancia, espontaneamente.<br \/>\nO MINIST\u00c9RIO P\u00daBLICO, no entanto, assim n\u00e3o procedeu, preferindo, ao reverso, pedir a condena\u00e7\u00e3o do acusado por fatos que n\u00e3o se deu ele o direito de defesa.<br \/>\nAnte a in\u00e9rcia do MINIST\u00c9RIO P\u00daBLICO, cabe-nos, agora, provoc\u00e1-lo para tanto, pois que \u00e9 imprescind\u00edvel o aditamento, sem o que n\u00e3o ser\u00e1 poss\u00edvel a condena\u00e7\u00e3o do acusado &#8211; nem com base no que consta na den\u00fancia ( fato que, j\u00e1 se sabe, n\u00e3o ocorreu), nem com base no que se comprovou ao longo da instru\u00e7\u00e3o, pois este fato n\u00e3o consta da prefacial.<br \/>\n\u00c9 cedi\u00e7o que, n\u00e3o aditando a den\u00fancia o MINIST\u00c9RIO P\u00daBLICO, spont sua, o magistrado pode, sim provoc\u00e1-lo, sem que com isso se afronte o principio da in\u00e9rcia, pois que, como se sabe, a a\u00e7\u00e3o penal p\u00fablica rege-se pelo princ\u00edpio da indisponibilidade, n\u00e3o podendo o MINIST\u00c9RIO P\u00daBLICO, pois, dela desistir ou dispor.<br \/>\nCom as considera\u00e7\u00f5es supra, determino seja o Minist\u00e9rio P\u00fablico intimado para, no prazo de cinco dias, aditar a den\u00fancia, nos termos do artigo 384 do DPP.<br \/>\nInt.<br \/>\nCom o aditamento, voltem os autos conclusos.<br \/>\nS\u00e3o Luis, 24 de mar\u00e7o de 2009.<\/span><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\"><span style=\"color: #003366;\">Juiz JOS\u00c9 LUIZ OLIVEIRA DE ALMEIDA<br \/>\n\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Titular da 7\u00aa Vara Criminal<\/span><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\"><span style=\"color: #003366;\">\u00a0<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0 contato jose.luiz.almeida@globo.com\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a0ou\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a0jose.luiz.almeida@folha.com.br _______________________________________ Ante a in\u00e9rcia do MINIST\u00c9RIO P\u00daBLICO, cabe-nos, agora, provoc\u00e1-lo para tanto, pois que \u00e9 imprescind\u00edvel o aditamento, sem o que n\u00e3o ser\u00e1 poss\u00edvel a condena\u00e7\u00e3o do acusado &#8211; 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