{"id":2606,"date":"2009-07-24T13:12:40","date_gmt":"2009-07-24T13:12:40","guid":{"rendered":"http:\/\/joseluizalmeida.com\/?p=2606"},"modified":"2009-07-27T12:00:38","modified_gmt":"2009-07-27T12:00:38","slug":"ser-e-parecer-eis-a-questao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/joseluizalmeida.com\/?p=2606","title":{"rendered":"Ser e parecer &#8211; eis a quest\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Quando se quer dizer que determinado juiz n\u00e3o trabalha, diz-se que s\u00f3 fica na comarca ter\u00e7as, quartas e quintas-feiras. S\u00e3o os chamados, jocosamente, ju\u00edzes TQQ.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na capital, quando se deseja atestar a falta de operosidade de um magistrado, diz-se que n\u00e3o conhece os funcion\u00e1rios das secretarias que d\u00e3o expediente no per\u00edodo da tarde.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Numa e noutra hip\u00f3tese o que se pretende dizer mesmo \u00e9 que, para ser produtivo, o magistrado deveria fixar resid\u00eancia na sua comarca, no caso do ju\u00edzes das comarcas do interior, e se dirigir ao F\u00f3rum, pela manh\u00e3 e \u00e0 tarde, no caso dos ju\u00edzes da capital.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Numa e noutra hip\u00f3tese, h\u00e1, n\u00e3o se pode negar, grave erro de interpreta\u00e7\u00e3o. \u00c9 dizer: o fato de s\u00f3 estar na comarca o magistrado \u00e0s ter\u00e7as, quartas e quintas-feiras n\u00e3o quer dizer que seja, necessariamente, um indolente; da mesma forma, o fato de o magistrado n\u00e3o ir ao F\u00f3rum no per\u00edodo vespertino, n\u00e3o demonstra ser improdutivo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O juiz pode, com efeito, passar pouco tempo na comarca e produzir muito, como pode, noutro giro, nela fixar resid\u00eancia e nada produzir.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Da mesma forma, o magistrado pode se deslocar ao F\u00f3rum todos os dias, pela manh\u00e3 e pela tarde, e pouco produzir, como pode, permanecendo em casa, produzir muito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Compreendo, pelo sim e pelo n\u00e3o, que o correto mesmo \u00e9 morar na comarca e ir ao F\u00f3rum todos os dias, pela manh\u00e3 e pela tarde.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 necess\u00e1rio, ademais, que a Corregedoria acompanhe, com rigor, a produtividade dos ju\u00edzes e tempo em que permanecem na comarca.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 que, na minha avalia\u00e7\u00e3o, n\u00e3o basta o juiz trabalhar, \u00e9 preciso parecer, tamb\u00e9m, que trabalha.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A presen\u00e7a do magistrado na comarca, full time, e no F\u00f3rum, tamb\u00e9m em tempo integral, deixa transparecer, aos olhos da opini\u00e3o p\u00fablica, que, efetivamente, trabalha.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O ideal, pois, na minha avalia\u00e7\u00e3o, \u00e9 que o juiz fixe resid\u00eancia na comarca &#8211; e trabalhe. O correto mesmo, desde meu olhar, \u00e9 que o juiz se desloque para o seu local de trabalho, pela manh\u00e3 e pela tarde &#8211; e que trabalhe.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o basta apenas ir \u00e0 comarca. N\u00e3o basta apenas ir ao F\u00f3rum. \u00c9 preciso, nos dois casos, que o magistrado produza. Noutras palavras: n\u00e3o basta ao magistrado ser trabalhador. \u00c9 preciso que, no mesmo passo, pare\u00e7a trabalhador.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o h\u00e1 nada mais desgastante para imagem do Poder Judici\u00e1rio que a aus\u00eancia do magistrado no seu local de trabalho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pega mal, muito mal mesmo, o cidad\u00e3o procurar um juiz no F\u00f3rum, seja da Capital, seja do interior, e n\u00e3o o encontrar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O juiz que s\u00f3 permanece na sua comarca 3(tr\u00eas) dias na semana, 12 dias no m\u00eas, pode at\u00e9 ser trabalhador, mas n\u00e3o parece.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O juiz que s\u00f3 permanece na comarca ter\u00e7as, quartas e quinta-feiras, que chega ao f\u00f3rum \u00e0s 10 horas da manh\u00e3, que n\u00e3o vai ao F\u00f3rum, como regra, no per\u00edodo da tarde, pode at\u00e9 ser trabalhador, mas, aos olhos dos jurisdicionados, n\u00e3o parece.<!--  \/* Font Definitions *\/  @font-face \t{font-family:\"Trebuchet MS\"; \tpanose-1:2 11 6 3 2 2 2 2 2 4; \tmso-font-charset:0; \tmso-generic-font-family:swiss; \tmso-font-pitch:variable; \tmso-font-signature:647 0 0 0 159 0;}  \/* Style Definitions *\/  p.MsoNormal, li.MsoNormal, div.MsoNormal \t{mso-style-parent:\"\"; \tmargin:0cm; \tmargin-bottom:.0001pt; \tmso-pagination:widow-orphan; \tfont-size:12.0pt; \tfont-family:\"Times New Roman\"; \tmso-fareast-font-family:\"Times New Roman\";} @page Section1 \t{size:595.3pt 841.9pt; \tmargin:70.85pt 3.0cm 70.85pt 162.0pt; \tmso-header-margin:35.4pt; \tmso-footer-margin:35.4pt; \tmso-paper-source:0;} div.Section1 \t{page:Section1;} --><!--[if gte mso 10]> <mce:style><!   \/* Style Definitions *\/  table.MsoNormalTable \t{mso-style-name:\"Tabela normal\"; \tmso-tstyle-rowband-size:0; \tmso-tstyle-colband-size:0; \tmso-style-noshow:yes; \tmso-style-parent:\"\"; \tmso-padding-alt:0cm 5.4pt 0cm 5.4pt; \tmso-para-margin:0cm; \tmso-para-margin-bottom:.0001pt; \tmso-pagination:widow-orphan; \tfont-size:10.0pt; \tfont-family:\"Times New Roman\"; \tmso-ansi-language:#0400; \tmso-fareast-language:#0400; \tmso-bidi-language:#0400;}  ><\/p>\n\n\n\n\n<p style=\"text-align: center;\" mce_style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\" mce_style=\"color: #800000;\"><strong>contatos<\/strong><\/span><\/p>\n\n\n\n\n<p style=\"text-align: center;\" mce_style=\"text-align: center;\"><strong><span style=\"color: #003366;\" mce_style=\"color: #003366;\">jose.luiz.almeida@globo.com <\/span><\/strong>ou<span style=\"color: #003366;\" mce_style=\"color: #003366;\"><strong> jose.luiz.almeida@folha.com.br<\/strong><\/span><\/p>\n\n\n\n\n<p style=\"text-align: center;\" mce_style=\"text-align: center;\">__<span style=\"color: #800000;\" mce_style=\"color: #800000;\">_________________________________________________________<\/span><\/p>\n\n\n\n\n\n<p style=\"text-align: center;\" mce_style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\" mce_style=\"color: #800000;\"><strong>\"N\u00e3o bast a apenas ir \u00e0 comarca. N\u00e3o basta apenas \u00a0ir ao F\u00f3rum. \u00c9 preciso, nos dois casos, que o magistrado produza. Noutras palavras: n\u00e3o basta ao magistrado ser trabalhador. \u00c9 preciso que, no mesmo passo, pare\u00e7a trabalhador.\nN\u00e3o h\u00e1 nada mais desgastante para imagem do Poder Judici\u00e1rio que a aus\u00eancia do magistrado no seu local de trabalho.\nPega mal, muito mal mesmo, o cidad\u00e3o procurar um juiz no F\u00f3rum, seja da Capital, seja do interior, e n\u00e3o o encontrar\"<\/strong><\/span>\n\n\n<p style=\"text-align: center;\" mce_style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #003366;\" mce_style=\"color: #003366;\"><strong>Juiz Jos\u00e9 Luiz Oliveira de Almeida<\/strong><\/span><\/p>\n\n\n\n\n\n<p style=\"text-align: center;\" mce_style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\" mce_style=\"color: #800000;\"><strong><span style=\"color: #003366;\" mce_style=\"color: #003366;\">Titular da 7\u00aa Vara Criminal da Comarca de S\u00e3o Luis, Estado do Maranh\u00e3o<\/span>\n<\/strong><\/span>\n\n\n\n<p style=\"text-align: center;\" mce_style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\" mce_style=\"color: #800000;\"><strong>___________________________________________________\n<\/strong><\/span>\n\n\n\n<p style=\"text-align: center;\" mce_style=\"text-align: center;\">\n\n\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\" mce_style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 14pt; font-family: &quot;Trebuchet MS&quot;;\" mce_style=\"font-size: 14pt; font-family: &quot;Trebuchet MS&quot;;\"> <\/span><\/p>\n\n\n\n\n<p style=\"text-align: justify;\" mce_style=\"text-align: justify;\"><strong>Quando que se quer dizer que determinado juiz n\u00e3o trabalha, diz-se que s\u00f3 fica na comarca ter\u00e7as, quartas e quintas-feiras. S\u00e3o os chamados, jocosamente, ju\u00edzes TQQ.<\/strong><\/p>\n\n\n\n\n<p style=\"text-align: justify;\" mce_style=\"text-align: justify;\"><strong>Na capital, quando se deseja atestar a falta de operosidade de um magistrado, diz-se que n\u00e3o conhece os funcion\u00e1rios das secretarias que d\u00e3o expediente no per\u00edodo da tarde.<\/strong><\/p>\n\n\n\n\n<p style=\"text-align: justify;\" mce_style=\"text-align: justify;\"><strong>Numa e noutra hip\u00f3tese o que se pretende dizer mesmo \u00e9 que, para ser produtivo, o magistrado deveria fixar resid\u00eancia na sua comarca, no caso do ju\u00edzes das comarcas do interior, e se dirigir ao F\u00f3rum, pela manh\u00e3 e \u00e0 tarde,  no caso dos ju\u00edzes da capital.<\/strong><\/p>\n\n\n\n\n<p style=\"text-align: justify;\" mce_style=\"text-align: justify;\"><strong>Numa e noutra hip\u00f3tese, h\u00e1, n\u00e3o se pode de negar, grave erro de interpreta\u00e7\u00e3o. \u00c9 dizer: o fato de s\u00f3 estar na comarca o magistrado \u00e0s ter\u00e7as, quartas e quintas-feiras n\u00e3o quer dizer que seja, necessariamente, um indolente; da mesma forma, o fato de o magistrado n\u00e3o ir ao F\u00f3rum no per\u00edodo vespertino, n\u00e3o demonstra ser improdutivo.<\/strong><\/p>\n\n\n\n\n<p style=\"text-align: justify;\" mce_style=\"text-align: justify;\"><strong>O juiz pode, com efeito, passar pouco tempo na comarca e produzir muito, como pode, noutro giro, nela fixar resid\u00eancia e nada produzir.<\/strong><\/p>\n\n\n\n\n\n<p style=\"text-align: justify;\" mce_style=\"text-align: justify;\"><strong>Da mesma forma, o magistrado pode se deslocar ao F\u00f3rum todos os dias, pela manh\u00e3 e pela tarde, e pouco produzir, como pode, permanecendo em casa, produzir muito.\nCompreendo, pelo sim e pelo n\u00e3o, que o correto mesmo \u00e9 morar na comarca e ir ao F\u00f3rum todos os dias, pela manh\u00e3 e pela tarde.<\/strong>\n\n\n<p style=\"text-align: justify;\" mce_style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00c9 necess\u00e1rio, ademais, que a Corregedoria acompanhe, com rigor, a produtividade dos juizes e tempo em que permanecem na comarca.<\/strong><\/p>\n\n\n\n\n<p style=\"text-align: justify;\" mce_style=\"text-align: justify;\"><strong> \u00c9 que, na minha avalia\u00e7\u00e3o, n\u00e3o basta o juiz trabalhar, \u00e9 preciso parecer, tamb\u00e9m, que trabalha.<\/strong><\/p>\n\n\n\n\n<p style=\"text-align: justify;\" mce_style=\"text-align: justify;\"><strong>A presen\u00e7a do magistrado na comarca, full time, e no F\u00f3rum, tamb\u00e9m em tempo integral, deixa transparecer, aos olhos da opini\u00e3o p\u00fablica, que, efetivamente, trabalha.<\/strong><\/p>\n\n\n\n\n<p style=\"text-align: justify;\" mce_style=\"text-align: justify;\"><strong>O ideal, pois, na minha avalia\u00e7\u00e3o, \u00e9 que o juiz fixe resid\u00eancia na comarca - e trabalhe. O correto mesmo, desde meu olhar, \u00e9 que o juiz se desloque para o seu local de trabalho, pela manh\u00e3 e pela tarde - e que trabalhe.<\/strong><\/p>\n\n\n\n\n<p style=\"text-align: justify;\" mce_style=\"text-align: justify;\"><strong>N\u00e3o basta apenas \u00a0ir \u00e0 comarca. N\u00e3o basta apenas \u00a0ir ao F\u00f3rum. \u00c9 preciso, nos dois casos, que o magistrado produza. Noutras palavras: n\u00e3o basta ao magistrado ser trabalhador. \u00c9 preciso que, no mesmo passo, pare\u00e7a trabalhador.<\/strong><\/p>\n\n\n\n\n<p style=\"text-align: justify;\" mce_style=\"text-align: justify;\"><strong>N\u00e3o h\u00e1 nada mais desgastante para imagem do Poder Judici\u00e1rio que a aus\u00eancia do magistrado no seu local de trabalho.<\/strong><\/p>\n\n\n\n\n<p style=\"text-align: justify;\" mce_style=\"text-align: justify;\"><strong>Pega mal, muito mal mesmo, o cidad\u00e3o procurar um juiz no F\u00f3rum, seja da Capital, seja do interior, e n\u00e3o o encontrar.<\/strong><\/p>\n\n\n\n\n<p style=\"text-align: justify;\" mce_style=\"text-align: justify;\"><strong>O juiz que s\u00f3 permanece na sua comarca 3(tr\u00eas) dias na semana, 12 dias no m\u00eas, pode at\u00e9 ser trabalhador, mas n\u00e3o parece.<\/strong><\/p>\n\n\n\n\n<p style=\"text-align: justify;\" mce_style=\"text-align: justify;\"><strong>O juiz que s\u00f3 permanece na comarca ter\u00e7as, quartas e quinta-feiras, que chega ao f\u00f3rum \u00e0s 10 horas da manh\u00e3, que que n\u00e3o vai ao F\u00f3rum, como regra, no per\u00edodo da tarde, pode at\u00e9 ser trabalhador, mas, aos olhos dos jurisdicionados,  n\u00e3o parece.<\/strong><\/p>\n\n\n\n\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\" mce_style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 14pt; font-family: &quot;Trebuchet MS&quot;;\" mce_style=\"font-size: 14pt; font-family: &quot;Trebuchet MS&quot;;\"> <\/span>< >< ><\/p>\n\n\n\n< ><--><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quando se quer dizer que determinado juiz n\u00e3o trabalha, diz-se que s\u00f3 fica na comarca ter\u00e7as, quartas e quintas-feiras. 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