{"id":5868,"date":"2010-12-01T18:18:45","date_gmt":"2010-12-01T18:18:45","guid":{"rendered":"http:\/\/joseluizalmeida.com\/?p=5868"},"modified":"2011-01-18T09:28:37","modified_gmt":"2011-01-18T12:28:37","slug":"o-vies-perigoso-das-prisoes-temporarias","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/joseluizalmeida.com\/?p=5868","title":{"rendered":"O vi\u00e9s perigoso das pris\u00f5es tempor\u00e1rias"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #060127;\">______________________________________________________<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #060127;\">\u201cNa realidade, quem est\u00e1 desejando punir demais, no fundo, no fundo, est\u00e1 querendo fazer o mal, se equipara um pouco ao pr\u00f3prio delinquente&#8221;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #060127;\">Evandro Lins e Silva<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong><span style=\"color: #060127;\">________________________________________________<\/span><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Todos  n\u00f3s j\u00e1 ouvimos falar nas (antes?) famosas pris\u00f5es \u201cpara averigua\u00e7\u00f5es\u201d ou \u201ccorreicionais\u201d.  Esses os nomes que se davam \u00e0s pris\u00f5es arbitr\u00e1rias que se faziam,  \u201cjustificadas\u201d pela necessidade de  levar a bom termo as investiga\u00e7\u00f5es  realizadas pelas Pol\u00edcias Judici\u00e1riais.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Em boa hora,  entrou em vigor a Lei 7.069\/1989, disciplinando a pris\u00e3o tempor\u00e1ria, exatamente para  p\u00f4r  freio \u00e0s pris\u00f5es feitas  ao arrepio da lei, sob o argumento de sua imprescindibilidade para as investiga\u00e7\u00f5es.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Inobstante a entrada em vigor da Lei 7.069\/1989, o que tenho visto, preocupado, \u00e9  que, ao argumento da imprescindibilidade da pris\u00e3o para as investiga\u00e7\u00f5es realizadas pela Pol\u00edcia Judici\u00e1ria, muitos s\u00e3o os magistrados que t\u00eam se decidido pela medida extrema, acatando os pleitos formulados pelos Delegados de Pol\u00edcia,  sem a devida fundamenta\u00e7\u00e3o &#8211; pelo menos aqui no Maranh\u00e3o. <\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Muitos magistrados, ao decidirem-se pela pris\u00e3o tempor\u00e1ria,  ao que tenho constatado, na condi\u00e7\u00e3o de integrante da 1\u00aa C\u00e2mara Criminal, do Tribunal de Justi\u00e7a do Maranh\u00e3o,  se limitam a \u201cfundamentar\u201d a decis\u00e3o,  repetindo, pura e simplesmente, as palavras da lei ,ou seja,  decretam as pris\u00f5es tempor\u00e1rias  argumentando, simplesmente, que s\u00e3o imprescind\u00edveis para as investiga\u00e7\u00f5es,  sem nenhuma base f\u00e1tica, ressuscitando, por via transversa, as famigeradas pris\u00f5es para \u201caverigua\u00e7\u00f5es\u201d.  E, quando isso ocorre, sobretudo  quando se trata de pris\u00e3o pelo prazo de cinco dias, ao investigado s\u00f3 resta esperar o transcurso do tempo, pois que n\u00e3o ter\u00e1 condi\u00e7\u00f5es de alcan\u00e7ar sua liberdade, via habeas corpus, antes de fluido o prazo,  em face, claro, da exiguidade do tempo; melhor sorte ter\u00e1 se o relator se dignar  a conceder uma liminar, em face da flagrante ilegalidade do erg\u00e1stulo, o que, no entanto,  nem sempre acontece.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">N\u00e3o \u00e9 demais consignar que a autoridade policial, ao representar pela pris\u00e3o tempor\u00e1ria, tem o dever de declinar  os motivos dessa medida extrema; e o magistrado que recebe o pleito, da mesma forma, deve motivar a sua decis\u00e3o, n\u00e3o sendo  razo\u00e1vel  que  se limite a repetir ser a pris\u00e3o imprescind\u00edvel para as investiga\u00e7\u00f5es. E n\u00f3s, ju\u00edzes de segunda inst\u00e2ncia, temos o dever de n\u00e3o fazer vista grossa diante dessas quest\u00f5es. Se despontar, a olhos vistos, a ilegalidade da constri\u00e7\u00e3o, temos que, sem mais tardan\u00e7a, restituir a liberdade do investigado,  sem temer pela repercuss\u00e3o da decis\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">As pris\u00f5es cautelares, dentre elas a tempor\u00e1ria, n\u00e3o podem ser implementadas  como uma antecipa\u00e7\u00e3o da pena.  Elas s\u00f3 devem ser  decretadas, todos t\u00eam dito isso, na medida de sua real necessidade.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">\u00c9 verdade sabida que a  liberdade \u00e9 a regra; a pris\u00e3o, exce\u00e7\u00e3o, em fun\u00e7\u00e3o do princ\u00edpio da presun\u00e7\u00e3o de inoc\u00eancia encartado em nossa Carta Magna.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">\u00c9 preciso ter em mira que o investigado, como qualquer um de n\u00f3s, \u00e9 sujeito de direito, inobstante se tenha que admitir que, muitas vezes, tem sido  mero objeto processual, sobretudo aos olhos dos que pouco se importam com o garantismo penal.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">O magistrado n\u00e3o pode, reafirmo, sob qualquer pretexto, chancelar pris\u00f5es  descabidas, calcadas em conjecturas,  sem base emp\u00edrica f\u00e1tica, ainda que o seja para dar satisfa\u00e7\u00e3o \u00e0 sociedade.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Evandro Lins, a prop\u00f3sito, advertiu: \u201cNa realidade, quem est\u00e1 desejando punir demais, no fundo, no fundo, est\u00e1 querendo fazer o mal, se equipara um pouco ao pr\u00f3prio delinquente\u201d.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">N\u00f3s, do Poder Judici\u00e1rio,  para nos fazer respeitar, n\u00e3o precisamos fazer o mal. Na nossa condi\u00e7\u00e3o, o que importa mesmo \u00e9 reparar as injusti\u00e7as,  e, no caso espec\u00edfico das pris\u00f5es com a marca da ilegalidade, repar\u00e1-las, restituindo ao investigado o seu sagrado direito de ir e vir, que s\u00f3 pode ser restringido \u00e0 luz dos fatos que justifiquem o <em>carcer ante tempus<\/em>.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><br \/>\n<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>______________________________________________________ \u201cNa realidade, quem est\u00e1 desejando punir demais, no fundo, no fundo, est\u00e1 querendo fazer o mal, se equipara um pouco ao pr\u00f3prio delinquente&#8221; Evandro Lins e Silva ________________________________________________ Todos n\u00f3s j\u00e1 ouvimos falar nas (antes?) famosas pris\u00f5es \u201cpara averigua\u00e7\u00f5es\u201d ou \u201ccorreicionais\u201d. 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