{"id":6324,"date":"2011-01-16T07:56:00","date_gmt":"2011-01-16T10:56:00","guid":{"rendered":"http:\/\/joseluizalmeida.com\/?p=6324"},"modified":"2011-01-16T08:09:12","modified_gmt":"2011-01-16T11:09:12","slug":"de-quem-e-a-culpa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/joseluizalmeida.com\/?p=6324","title":{"rendered":"De quem \u00e9 a culpa?"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #050028;\">Quanto mais aprofundo o exame acerca do que ocorreu no estado do Rio de Janeiro \u00a0mais me conven\u00e7o de que os respons\u00e1veis s\u00e3o os nossos homens p\u00fablicos. Diversos s\u00e3o os artigos e editoriais que reafirmam essa minha convic\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #050028;\">Da folha de S\u00e3o Paulo de hoje capturo o artigo seguinte, de Eliane Cantanhede, a prop\u00f3sito do desastre:<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #050028;\"><span style=\"font-size: large;\"><strong>Desleixo assassino<\/strong><\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #05001e;\"><strong>BRAS\u00cdLIA &#8211; <\/strong>Como mostrou ontem o rep\u00f3rter Evandro Spinelli na\u00a0<strong>Folha<\/strong>, o risco de um desastre de grandes propor\u00e7\u00f5es na bel\u00edssima regi\u00e3o de Petr\u00f3polis, Teres\u00f3polis e Nova Friburgo foi detectado h\u00e1 dois anos por um estudo t\u00e9cnico encomendado pelo pr\u00f3prio governo do Rio.<br \/>\nE o que o governo fez com o resultado? Largou \u00e0s tra\u00e7as, deixou pegando poeira na burocracia, empurrou para a gaveta ou simplesmente jogou no lixo -junto com o dinheiro p\u00fablico que o pagou.<br \/>\nHoras antes, as autoridades tiveram nova chance de n\u00e3o dar asas ao azar: o novo radar da Prefeitura do Rio e o Instituto Nacional de Meteorologia identificaram previamente a forma\u00e7\u00e3o da tempestade.<br \/>\nE o que foi feito? Nada. Os \u00f3rg\u00e3os atuaram isoladamente, n\u00e3o como um sistema integrado, em que o alerta se reproduz entre as v\u00e1rias inst\u00e2ncias, tem consequ\u00eancias e salva vidas. Mas n\u00e3o. \u00c9 como se o radar fosse de enfeite, e o Inmet, s\u00f3 para ingl\u00eas ver.<br \/>\nNum \u00f3timo artigo, o colega Marcos S\u00e1 Correa defendeu que o rem\u00e9dio \u00e9 responsabilizar homens p\u00fablicos -e n\u00e3o abstratamente o Estado- pelos crimes que cometem contra a vida. \u00c9 crime dar levianamente alvar\u00e1 de constru\u00e7\u00e3o e &#8220;habite-se&#8221; para im\u00f3veis em encostas, fechar os olhos para casas em \u00e1reas de risco, desprezar alertas de tempestades e de outras intemp\u00e9ries.<br \/>\nPara complementar a sugest\u00e3o do Marcos, a Pol\u00edcia Federal deveria investigar tamb\u00e9m esse tipo de crime que pode resultar em 500, 600 mortes, fam\u00edlias inteiras destru\u00eddas, casas despeda\u00e7adas, bilh\u00f5es de preju\u00edzos aos bolsos particulares e aos cofres p\u00fablicos.<br \/>\nSe n\u00e3o vai por bem, vai por mal -na base da amea\u00e7a. Mais ou menos como no caso do cinto de seguran\u00e7a: todo mundo s\u00f3 passou a usar depois de criada a multa.<br \/>\nNo rastro da Satiagraha, da Sanguessuga, da Castelo de Areia, fica a\u00ed a sugest\u00e3o para o novo diretor-geral da PF, Leandro Coimbra: a opera\u00e7\u00e3o &#8220;Desleixo Assassino&#8221;.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #05001e;\">Capturo, ademais, \u00a0no mesmo jornal, \u00a0o artigo de Clovis Rossi:<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #05001e;\"><span style=\"color: #060027;\"><span style=\"color: #000080; font-size: medium;\"><strong><br \/>\n<\/strong><\/span><span style=\"font-size: large;\"><strong>O emergente submergiu <\/strong><\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>S\u00c3O PAULO &#8211; <\/strong><span style=\"color: #060027;\">No caso da trag\u00e9dia do Rio, \u00e9 s\u00f3 somar 1+1+1 e o resultado inexor\u00e1vel ser\u00e1 a incompet\u00eancia do poder p\u00fablico e o retrato de um pa\u00eds que tem mais de submergido que de emergente.<\/span><br \/>\n<span style=\"color: #060027;\">Primeiro 1 &#8211; O &#8220;Jornal Nacional&#8221; de quinta-feira mostrou que choveu mais em Portugal e na Austr\u00e1lia do que no Rio de Janeiro. Mas o n\u00famero de mortos no Rio foi esmagadoramente superior.<\/span><br \/>\n<span style=\"color: #060027;\">Segundo 1 &#8211; O servi\u00e7o de meteorologia emitiu aviso especial sobre a imin\u00eancia de fortes chuvas precisamente nas \u00e1reas que acabaram sendo devastadas. Uma das prefeituras reconheceu ter recebido o aviso cinco horas antes da explos\u00e3o. Nada foi feito.<\/span><br \/>\n<span style=\"color: #060027;\">Terceiro 1 &#8211; A manchete desta <\/span><strong>Folha<\/strong><span style=\"color: #060027;\">, ontem, mostra que desde 2008 o Rio de Janeiro sabia perfeitamente que havia riscos tremendos nas cidades que foram as principais v\u00edtimas.<\/span><br \/>\n<span style=\"color: #060027;\">O que foi feito? Nada.<\/span><br \/>\n<span style=\"color: #060027;\">Tudo somado, o que se tem \u00e9 o \u00f3bvio fato de que chuvas torrenciais podem acontecer, deslizamentos formid\u00e1veis tamb\u00e9m -e, at\u00e9 a\u00ed, a culpa \u00e9 s\u00f3 da natureza-, mas falta, no Brasil, acontecer a preven\u00e7\u00e3o.<\/span><br \/>\n<span style=\"color: #060027;\">J\u00e1 nem digo a preven\u00e7\u00e3o original, a de proibir constru\u00e7\u00f5es em \u00e1reas de risco. A incompet\u00eancia do poder p\u00fablico impediu que essa provid\u00eancia fosse tomada e, se fosse, seria in\u00f3cua. Falta fiscaliza\u00e7\u00e3o.<\/span><br \/>\n<span style=\"color: #060027;\">Refiro-me \u00e0 preven\u00e7\u00e3o de, diante da imin\u00eancia da cat\u00e1strofe, minimizar os danos ou, ao menos, as mortes, os danos mais terr\u00edveis, mesmo nesta era de predomin\u00e2ncia da finan\u00e7a sobre a vida.<\/span><br \/>\n<span style=\"color: #060027;\">Posto de outra forma, o poder p\u00fablico n\u00e3o est\u00e1 presente nem antes, nem durante e nem depois da trag\u00e9dia. Chama a aten\u00e7\u00e3o, pelo menos de longe, o fato de rep\u00f3rteres chegarem a locais aos quais, segundo informam, nenhum socorro conseguira chegar.<\/span><br \/>\n<span style=\"color: #060027;\">Em vez de emergente, o Brasil parece mais pa\u00eds em constru\u00e7\u00e3o. Prec\u00e1ria, muito prec\u00e1ria.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quanto mais aprofundo o exame acerca do que ocorreu no estado do Rio de Janeiro \u00a0mais me conven\u00e7o de que os respons\u00e1veis s\u00e3o os nossos homens p\u00fablicos. Diversos s\u00e3o os artigos e editoriais que reafirmam essa minha convic\u00e7\u00e3o. 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