{"id":7919,"date":"2011-04-14T16:48:50","date_gmt":"2011-04-14T19:48:50","guid":{"rendered":"http:\/\/joseluizalmeida.com\/?p=7919"},"modified":"2011-04-14T16:48:50","modified_gmt":"2011-04-14T19:48:50","slug":"a-prisao-como-ultima-ratio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/joseluizalmeida.com\/?p=7919","title":{"rendered":"A pris\u00e3o como ultima ratio"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Nos dias presentes, com a fal\u00eancia das institui\u00e7\u00f5es totais e em face das p\u00e9ssimas condi\u00e7\u00f5es das cadeias p\u00fablicas, verdadeiros dep\u00f3sitos de gente, \u00a0j\u00e1 n\u00e3o se tem d\u00favidas que a pris\u00e3o \u00e9, sim, a ultima ratio.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">O direito penal tem evoluido nesse sentido. Mesmo diante dos j\u00e1 famigerados delir\u00edos dos nossos legisladores, que, j\u00e1 se sabe, \u00a0sempre agem \u00a0ao sabor das circunst\u00e2ncias, oporutnistas que s\u00e3o, \u00a0tem-se adotado, nos Tribunais, a boa pr\u00e1tica de substituir das penas privativas de liberdade por restritivas de direitos, ainda que, algumas vezes, \u00a0contra legem, mas em tributo \u00e0 Carta Magna, como ocorre, por exemplo,\u00a0 com os autores do crimes de tr\u00e1fico de drogas, aos quais, constatada \u00a0a\u00a0 \u00a0prim\u00e1riedade e bons antecedentes &#8211; al\u00e9m, claro, de outros pressupostos objetivos &#8211; \u00a0temos deferido os pedidos de substitui\u00e7\u00e3o da pena privativ de liberdade por restritivas de direito.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">A reforma penal em curso segue nessa dire\u00e7\u00e3o. Assim \u00e9 que, se aprovada, os juizes poder\u00e3o estabelecer a pris\u00e3o domiciliado, limitar a frequencia do acusado a determinados lugares e, at\u00e9, estabelecer o monitoramente eletr\u00f4nico.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">\u00c9 um avan\u00e7o, n\u00e3o se tem d\u00favidas. As famosas pulseiras eletr\u00f4nicas, que n\u00e3o impediram a fuga de condenados beneficiados com sa\u00edda tempor\u00e1ria, podem, sim, nesse caso, ser de muita utiliidade. \u00c9 dizer: ao inves de prender, de jogar o preso provis\u00f3rio em um cadeia p\u00fablica, o juiz determina a sua pris\u00e3o domiciliar, ou restringe a sua liberdade, monitorando os seus passos, sob pena de revoga\u00e7\u00e3o da medida.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">No dia de hoje, na 3\u00aa C\u00e2mara Criminal, para a qual fui convocado, para substituir uma estimada colega, por problemas de sa\u00fade, tivemos a oportunidade conceder um habeas corpus a paciente acusado da pr\u00e1tica de assalto a bancos.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Em princ\u00edpio, em face do crime, tem-se o sentimento de que o melhor seria mant\u00ea-lo preso. Todavia, assim n\u00e3o decidimos, em face das particularidades da quest\u00e3o. \u00c9 que o paciente, t\u00e3o logo noticiou-se o seu envolvimento com o assalto, tratou de ir \u00e0 delegacia e se entregar,certo de que provar\u00e1 a sua inoc\u00eancia. Al\u00e9m do mais, \u00e9 prim\u00e1rio e tem bons antecedentes. <\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Diante de tais circunst\u00e2ncias, seria mesmo um despaut\u00e9rio manter a pris\u00e3o do paciente, que, registre-se, podendo, n\u00e3o fugiu do distrito da culpo. Ao reverso, procurou a autoridade policial e se entregou, ciente de que poder\u00e1 provar a sua inoc\u00eancia, certo que, ainda que n\u00e3o a prove, demonstrou predisposi\u00e7\u00e3o para arcar com as consequ\u00eancias jur\u00eddico-penais de sua a\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">\u00c9 assim que temos agido. \u00c9 assim que tem que ser, convindo anotar que, na mesma sess\u00e3o, v\u00e1rios habeas corpus foram denegados, porque os pacientes n\u00e3o demonstram estar sofrendo qualquer constrangimento ilegal em sua liberdade de ir e vir.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">O certo \u00e9 que, se for fizer por merecer o autor do fato, deve-se, sim, permitir que responda ao processo em liberdade. Essa \u00e9 a regra. Pris\u00e3o, m\u00e1xime a provis\u00f3ria, \u00e9 a exce\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Mas conv\u00e9m lembrar: liberdade \u00e9 para quem a mere\u00e7a.\u00a0Eu n\u00e3o fa\u00e7o apologia da liberdade a qualquer custo.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nos dias presentes, com a fal\u00eancia das institui\u00e7\u00f5es totais e em face das p\u00e9ssimas condi\u00e7\u00f5es das cadeias p\u00fablicas, verdadeiros dep\u00f3sitos de gente, \u00a0j\u00e1 n\u00e3o se tem d\u00favidas que a pris\u00e3o \u00e9, sim, a ultima ratio. O direito penal tem evoluido nesse sentido. 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