{"id":8123,"date":"2011-05-07T09:02:00","date_gmt":"2011-05-07T12:02:00","guid":{"rendered":"http:\/\/joseluizalmeida.com\/?p=8123"},"modified":"2011-05-07T09:09:45","modified_gmt":"2011-05-07T12:09:45","slug":"juiz-garantidor-iv","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/joseluizalmeida.com\/?p=8123","title":{"rendered":"Juiz garantidor-IV"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><a href=\"http:\/\/joseluizalmeida.com\/wp-content\/uploads\/2011\/05\/martelo_juiz21.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-thumbnail wp-image-8126\" title=\"martelo_juiz2\" src=\"http:\/\/joseluizalmeida.com\/wp-content\/uploads\/2011\/05\/martelo_juiz21-150x150.jpg\" alt=\"\" width=\"150\" height=\"150\" \/><\/a>S\u00e9 \u00e9 verdade, como temos decidido na 1\u00aa C\u00e2mara Criminal, que inqu\u00e9ritos policiais e a\u00e7\u00f5es penais em curso, sem decis\u00e3o transitada em julgado, n\u00e3o autorizam a majora\u00e7\u00e3o da resposta penal b\u00e1sica, nem tampouco justificam a exacerba\u00e7\u00e3o do regime inicial de cumprimento de pena, n\u00e3o \u00e9 menos verdadeiro que autorizam, sim, a segrega\u00e7\u00e3o provis\u00f3ria, na medida em que a a cautelar em comento tenha por escopo a garantia da ordem p\u00fablica, sem embargo do resguardo do processo de conhecimento.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">N\u00e3o se deve, pois, a meu sentir, desprestigiar um decreto de pris\u00e3o preventiva, se ele tem \u00a0por esteio v\u00e1rias incid\u00eancias penais do acusado, ainda que em face \u00a0de nenhuma delas \u00a0tenha resultado em condena\u00e7\u00e3o definitiva.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">\u00c9 claro, inobstante, que, ainda assim, n\u00e3o est\u00e1 desobrigado o magistrado de fundamentar a sua decis\u00e3o. N\u00e3o vale, nesse caso, pese as v\u00e1rias incid\u00eancias, que o prolator da decis\u00e3o se limite a dizer que a pris\u00e3o se faz necess\u00e1ria, como garantia da ordem p\u00fablica, pois cada caso deve ser examinado a partir de suas peculiaridades.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">O magistrado n\u00e3o est\u00e1 desobrigado de demonstrar, quantum satis, a presen\u00e7a dos pressupostos legais &#8211; <em><strong>fumus comissi delicti<\/strong><\/em> e<strong> <em>periculum in libertatis<\/em> <\/strong>-, \u00a0na hip\u00f3tese de decidir-se pelo <em><strong>carcer ante tempus<\/strong><\/em>, apenas porque o acusado ostente folha penal maculada.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">De qualquer sorte, o que vale mesmo para essas reflex\u00f5es, \u00e9 deixar claro que, desde minha compreens\u00e3o,uma vida pregressa pontuada de agress\u00f5es \u00e0 ordem p\u00fablica, conquanto n\u00e3o possa servir de moduladora para o incremento da pena-base ou para defini\u00e7\u00e3o de um regime mais gravoso de cumprimento inicial da pena privativa de liberdade, pode, sim, servir da suped\u00e2neo a um decreto de pris\u00e3o preventiva.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Mas que fique claro que nem s\u00f3 a vida <em><strong>ante acta<\/strong><\/em> autoriza \u00a0a pris\u00e3o <em><strong>ante tempus<\/strong><\/em>. \u00a0Entendo, ademais, que, mesmo sem antecedentes criminais, o<em> modus operandi <\/em>e<em> <\/em> a perigosidade demonstrada por ocasi\u00e3o da pr\u00e1tica do crime, dentre outros, \u00a0tamb\u00e9m autorizam a pris\u00e3o preventiva, sendo irrelevantes, nesse casos, para alcan\u00e7ar a liberdade provis\u00f3ria, \u00a0os argumentos baseados na folha penal imaculada do acusado.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">De tudo o que expusemos acima a conclus\u00e3o a que se pode chegar \u00e9 que, de uma forma ou de outra, para pris\u00e3o cautelar, quer tenha o acusado folha penal prenhe de incid\u00eancias, que a tenha imaculada, deve o magistrado fundamentar a sua decis\u00e3o, sob pena de resvalar para o arb\u00edtrio, intoler\u00e1vel num Estado de Direito.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Uma observa\u00e7\u00e3o final. N\u00e3o se pode confundir pris\u00e3o cautelar com pol\u00edtica de combate \u00e0 viol\u00eancia. O magistrado \u00a0n\u00e3o deve ser responsabilizado pelos \u00edndices de viol\u00eancia, pelo fato de conceder uma liberdade provis\u00f3ria. Da mesma forma, o magistrado n\u00e3o combate a viol\u00eancia, apenas porque, isoladamente, decidiu-se por uma pris\u00e3o preventiva. Pensar dessa formar \u00a0\u00e9 minimizar a quest\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Os altos \u00edndices de viol\u00eancia n\u00e3o t\u00eam nada a ver com a pris\u00e3o cautelar. <\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">N\u00e3o se pode, tenho dito, transferir a responsabilidade dos outros poderes ao Poder Judici\u00e1rio, que deve ser, acima de tudo, garantidor.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">N\u00e3o se arrosta o direito \u00e0 liberdade provis\u00f3ria, para dar satisfa\u00e7\u00e3o \u00e0 opini\u00e3o p\u00fablica, agastada com a viol\u00eancia.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Mas que fique claro: o juiz, diante dos pressupostos legais &#8211; <em><strong>fumus comissi delicti<\/strong><\/em> e <em><strong>periculum in libertates<\/strong><\/em> &#8211; n\u00e3o pode ser pusil\u00e2nime. Se a pris\u00e3o se mostrar necess\u00e1ria, deve, sim, sem enleio, decret\u00e1-la &#8211; ou manter a antes decretada &#8211; , conquanto n\u00e3o perca de vista os efeitos delet\u00e9rios da medida extrema, \u00a0ainda que se presuma inocente o autor do fato.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Mas que fique muito mais claro ainda: assaltos, roubos, furtos, estupros, estelionatos, corrup\u00e7\u00e3o, \u00a0dentre outros crimes, n\u00e3o refluir\u00e3o, significativamente, \u00a0em face \u00a0de um decreto de pris\u00e3o ou da concess\u00e3o de uma liberdade provis\u00f3ria, muito embora n\u00e3o se deslembre que a sensa\u00e7\u00e3o de impunidade pode estimular, sim, a pr\u00e1tica de crimes.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Seguran\u00e7a p\u00fablica, nunca \u00e9 demais repetir, \u00a0\u00e9 dever do Poder Executivo. O Poder Judici\u00e1rio s\u00f3 \u00e9 chamado em casos pontuais. N\u00e3o pode o magistrado, por exemplo, decretar pris\u00f5es no atacado, na v\u00e3 tentativa de assumir um papel que n\u00e3o lhe cabe na sociedade.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">\u00c9 claro que quando os \u00f3rg\u00e3os de comunica\u00e7\u00e3o, quase todos a servi\u00e7o do Poder Executivo, noticiam, \u00a0nos casos mais emblem\u00e1ticos, \u00a0a concess\u00e3o de liberdade a um meliante, o fazem, sim, com o claro objetivo de inculcar na popula\u00e7\u00e3o a sensa\u00e7\u00e3o de que o respons\u00e1vel pela criminalidade &#8211; e pela impunidade &#8211; \u00a0\u00e9 o Poder Judici\u00e1rio.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">N\u00e3o \u00e9 por acaso que se cunhou &#8211; e sedimentou no inconsciente da popula\u00e7\u00e3o &#8211; a m\u00e1xima segunda a qual a Pol\u00edcia &#8211; rectius: Poder Executivo &#8211; prende e o juiz &#8211; rectius: Poder Judici\u00e1rio &#8211; solta.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">\u00c9 muito mais f\u00e1cil escamotear a verdade que combater a s\u00e9rio a criminalidade.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">O certo e recerto \u00e9 que o magistrado n\u00e3o pode, a pretexto de combater a criminalidade, fazer cortesia com o direito alheio.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>S\u00e9 \u00e9 verdade, como temos decidido na 1\u00aa C\u00e2mara Criminal, que inqu\u00e9ritos policiais e a\u00e7\u00f5es penais em curso, sem decis\u00e3o transitada em julgado, n\u00e3o autorizam a majora\u00e7\u00e3o da resposta penal b\u00e1sica, nem tampouco justificam a exacerba\u00e7\u00e3o do regime inicial de cumprimento de pena, n\u00e3o \u00e9 menos verdadeiro que autorizam, sim, a segrega\u00e7\u00e3o provis\u00f3ria, na medida [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"pagelayer_contact_templates":[],"_pagelayer_content":"","jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[3],"tags":[],"class_list":["post-8123","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-artigos"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/pokay-271","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/joseluizalmeida.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/8123","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/joseluizalmeida.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/joseluizalmeida.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/joseluizalmeida.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/joseluizalmeida.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=8123"}],"version-history":[{"count":6,"href":"https:\/\/joseluizalmeida.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/8123\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":8128,"href":"https:\/\/joseluizalmeida.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/8123\/revisions\/8128"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/joseluizalmeida.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=8123"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/joseluizalmeida.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=8123"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/joseluizalmeida.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=8123"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}