O CANTO DOS CISNES

Para ilustrar essas reflexões, recordo que o “Canto dos Cisnes” é uma expressão que significa o último esforço ou a derradeira apresentação de alguém ou de algo antes de desaparecer ou morrer. Representa um momento final ou uma última tentativa de fazer algo antes de acabar. Trata-se, enfim, de uma metáfora que simboliza uma grande obra, empenho ou performance de alguém antes da morte, da aposentadoria ou do encerramento de uma carreira, geralmente marcada por algo notável ou grandioso.

Pois bem. É sob a luz dessa metáfora que desejo expender as minhas reflexões de hoje, convindo destacar que, ao que se sabe, os cisnes não cantam antes de morrer. São aves aquáticas que habitam lagos e rios, e o seu canto é mais um som de comunicação do que uma música, não existindo evidências, portanto, de que entoem qualquer melodia específica em seus momentos finais.

Assim como se equivocam os que imaginam que os cisnes cantam antes da morte, se enganam os que creem que minha passagem pela Corregedoria-Geral da Justiça será meu canto derradeiro. Tenho fé de que não o seja. É que ainda tenho muita disposição e determinação para continuar lutando, pronto para enfrentar novos desafios que, creio, ainda surgirão, até que eu possa, finalmente — aí, sim —, entoar meu último canto, e apresentar a despedida, ciente de que, na vida, é assim mesmo: tudo tem começo, meio e fim.

Todos são testemunhas do meu empenho – em conjunto com minha equipe – para que a gestão à frente da Corregedoria alcançasse êxito, sobretudo quanto à produtividade, eleita como prioridade absoluta, sem a qual o sonho do Selo Diamante seria apenas uma quimera.

Nesse sentido, cercado de excepcionais assessores – inclusos, evidentemente, os juízes corregedores – e contando com o esforço coletivo de desembargadores, juízes e servidores – estagiários e residentes igualmente incluídos -, atingimos a maior produtividade da história do Poder Judiciário, fazendo com que o Maranhão se destacasse como o único Tribunal do Nordeste a alcançar o Selo Diamante de Qualidade do Conselho Nacional de Justiça.

Mas, repito: engana-se quem pensa que este tenha sido meu derradeiro esforço ou o encerramento dos meus projetos no âmbito do Poder Judiciário. Ainda tenho fé, força, coragem, perseverança e determinação para continuar lutando; daí que pretendo, sim, caso seja esse o desejo dos meus pares, seguir adiante, continuar a lutar para melhorar a vida dos jurisdicionados, como procurei – e conseguimos todos, coletivamente, como tenho destacado – à frente da Corregedoria-Geral de Justiça, por meio dos projetos que compõem o Programa Produtividade Extraordinária (Juiz Extraordinário, Analista Extraordinário, Oficial de Justiça Extraordinário, Secretaria Extraordinária e Contadoria Extraordinária), os quais nos conduziram a expressiva ascensão no ranking nacional, do 16º para o 9º lugar em produtividade.

Aos 72 anos, sinto-me preparado para esse desafio. Visitei, durante minha gestão na Corregedoria-Geral de Justiça, até agora, mais de 100 (cem) comarcas do Estado – e pretendo visitar a totalidade delas –, com o propósito de conhecer de perto nossa realidade, pois que, assim o fazendo, imagino que me credenciarei, ainda mais, para enfrentar os futuros desafios, se essa, repito, for a vontade dos meus pares.

Conhecendo, como efetivamente conheço, o Poder Judiciário do Maranhão, sobretudo depois dos périplos realizados pelos mais longínquos rincões do Estado, e contando, ademais, com a experiência acumulada ao longo de quase 40 (quarenta) anos de atividade judicante, sinto-me, sim, em condições de enfrentar novos desafios.

Reafirmo, assim, que minha passagem pela Corregedoria não deve ser entendida como o último capítulo da minha trajetória, razão por que não me vejo entoando o canto final, nutrindo a esperança de que ainda me aguarde um grande desafio, findo o qual, aí sim, premido pelo tempo e pelos ditames da lei, seguirei noutra direção, até que, finalmente, a natureza me conduza a descansar definitivamente.

É isso.

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