A ILUSÃO DA INFALIBIDADE: QUANDO O ORGULHO NOS CEGA


Dia desses assisti a uma entrevista com Ralf, da agora desfeita –
definitivamente – dupla com Chrystian, no Podcast de Eduardo Piunti, o qual, dentre
outras coisas, para minha inquietação/reflexão, afirmou:

-Eu não erro, cara, você está sendo pago para isso. Então, como é
que você pode errar? Não, você não pode errar. Eu nunca errei. Eu fui um vocalista
que nunca errou, cara. Por quê? Porque eu tinha atenção e presteza em atender.
Você tem que ser prestativo. Você tem que ser bravo com as coisas que você faz,
entendeu? Eu sou extremamente caxias. Tudo que eu faço tem que ser perfeito e
me cobro muito e sofro muito por isso.

Essa afirmação do sertanejo de se considerar infalível me levou a

essas reflexões.

E por que fui instado a pensar sobre o que disse Ralf?
Porque entendo que a crença na própria infalibilidade, embora
muitos não percebam, é uma armadilha perigosa, especialmente entre os que
ocupam posições de poder ou se consideram superiores.

A propósito, a história está repleta de exemplos de ações de
pessoas que se julgavam infalíveis e que, por pensarem e agirem assim, erraram
feio, para, no mesmo passo, caírem em desgraça – e em descrença –, exatamente
por sentirem superiores, olvidando-se de sua condição de ser humano, que os levou
a cometer os erros em razão dos quais se julgavam infensos.

O erro é humano, é o apotegma. Quanto a isso não se tem dúvidas.
Nesse sentido, e por óbvio, o erro é uma parte natural da condição humana, razão
pela qual ninguém está imune à falha, ainda que se imagine acima do bem e do
mal.

Afirmar, como fez o sertanejo Ralf, que nunca erra, é pura
arrogância, que, em sua feição mais perversa, leva as pessoas a se considerarem
infalíveis, tornando-as cegas diante dos seus próprios erros.

A crença na infalibilidade é ainda mais grave e perigosa quando
quem se julga infalível exerce o poder, pois que, foi pensando assim, que grandes
lideres levaram nações a se envolverem em contendas graves e desnecessárias,
que poderiam ter sido evitadas, como se deu, por exemplo, com a invasão da Baia
dos Porcos pelos Estados Unidos, que subestimaram completamente a reação
cubana, cujo erro estratégico se transformou em humilhação internacional, ou
noutro giro, como ocorre, até os dias atuais, com os erros judiciais, que resultam na
condenação de inocentes à morte ou a décadas de prisão, com base em
testemunhos falsos, preconceitos e investigações mal conduzidas (ccmo no caso
dos Irmãos Naves, de triste memória), ou, ainda, como mostram casos

documentados de erros médicos, com a amputação, por exemplo, de membros
saudáveis ou a realização de cirurgias em pacientes errados, resultantes de falhas
básicas de checagem.

Cito esses exemplos, vindos ao acaso na minha mente, apenas
para reafirmar que precisamos ser humildes, que precisamos acreditar em nossa
falibilidade e que a crença de que não erramos não é boa conselheira, sobretudo,
repito, se se trata de quem detêm o poder e decidem sobre a vida das pessoas e a
sorte das nações.

A admissão do erro é um sinal de força, não de fraqueza. Por
pensar assim é que tenho, humildemente, admitido meus erros, que foram muitos
na minha trajetória, muitos dos quais foram corrigidos a tempo e hora.

Reconhecer a própria falibilidade é o primeiro passo para aprender
e crescer, pouco importando a idade, pois há, sim, os que envelhecem mas não
aprendem com os erros que cometem, muitos dos quais, como sói correr, poderiam
ter sido evitados.

A mensagem que deixo com essas reflexões é que sejamos
humildes, independentemente de nossa posição social, para que possamos
reconhecer nossos erros enquanto é tempo, evitando que eles se repitam.

A dica final, e mais atual, é: o erro é uma prova de que não somos
algoritmos. Nossa “imperfeição” é o que nos diferencia da inteligência artificial.

É isso.

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