Encerrou-se, há pouco, o primeiro dia de palestras do 17º Seminário Internacional de Ciências Criminais, promovido pelo IBCCRIM-Instituto Brasileiro de Ciências Criminais, que se realiza aqui em São Paulo.
Do primeiro palestrante do dia, escritor Rubem Alves, ouvi uma frase que lembrou um pouco das minhas inquietações, quando ministrei aulas. Nesse sentido, antes de iniciar a fala, ele olhou para as anotações que fez e disse não saber se as seguia ou se as abandonava, para falar de improviso.
É que, segundo ele, as anotações são como um passarinho preso na gaiola; quem segue as anotações que fez, não tem liberdade para as outras coisas que poderia dizer.
Assim pensando, largou as anotações e falou de improviso. Todavia, limitou-se a noticiar as suas experiências de vida.
A palestra fluiu, pois, nesse diapasão. Mas ele não perdeu a atenção da platéia, que a todo se deliciava, silenciosa e respeitosamente, com as suas deliciosas histórias de vida.
Numa determinada passagem da palestra, ele disse – sem ser inédito, registro – que não tinha setenta e sete anos, pois esses, na verdade, já perdeu; sem precisar, claro, quantos anos ainda lhe restam pela frente, já tendo “consumido” grande parte dos que tinha direito.
Anotei outra passagem interessante da palestra em comento, com a qual também me identifiquei. Disse o eminente palestrante que, como o tempo urge, é preciso preservar o essencial da vida; e o essencial da vida, para ele, é a alegria. É dizer: ser feliz.
O prazer, para ele, tem curta duração e precisa de um objeto para se realizar, enquanto que a alegria ( recitus: a felicidade) só dependia do pensamento.
Disse mais: a gente nunca está cheio da alegria. Todavia, muitas vezes, nos enchemos do prazer. Quando, por exemplo, tomamos um bom vinho, chega um momento que ele não lhe dá mais prazer.


