“Meu ofício é dizer o que penso”
(Voltaire)
Desde que assumi a segunda instância que tenho levada a plenário apenas o que nominei de síntese argumentativa dos meus votos. No início eu até distribuía o resumo aos meus pares. Não senti nenhuma receptividade e, por isso, deixei de fazê-lo. Passei a, tão somente, expor a síntese do meu pensamento, por entender que ninguém suportava a leitura de longos votos, além do que, de rigor, os que se predispunham a ouvir, por óbvias razões, tendiam a perder a linha de raciocínio.
A propósito, leio, agora, na Folha de São Paulo, na coluna Painel, a seguinte matéria, na coluna painel, sobre o ministro Luiz Fux.
Estilo 1 Recém-indicado para uma Corte com tradição de longas leituras de votos, o novo ministro do STF, Luiz Fux, sustenta em sua autobioografia publicada no site da UERJ, onde estudou, que nunca leu um voto em sessão.
Estilo 2 Partidário da “simplificação do direito”, Fux diz: Não leio os meus votos. Explico qual a ideia que tenho no caso e, eventualmente, só para fechar o raciocínio, leio a síntese do voto. Essa metodologia de ficar lendo, ninguém presta atenção, ninguém aguenta”.
Vejo, agora, que estou em boa companhia. Os que discordaram da minha maneira de votar, certamente a verão, doravante, com bons olhos.
Para que não nos esqueçamos do que são capazes os ditadores – de esquerda ou de direita, não importa -, no momento em que assistimos a derrocada das ditaduras em alguns países átabes, trago à colação uma passagem emblemática dos ensinamentos de Lênin.
O leninismo, todos sabemos, manteve a população sob seu jugo, de forma inclemente. Nesse sentido, decretou Lênin:
“Homens e trapaceiros são os dois lados da mesma moeda, dois dos principais elementos nutridos pelo capitalismo, dois dos principais inimigos do capitalismo. Tais inimigos têm que ser mantidos sob observação especial por toda a população, e têm que ser tratados sem clemência pela menor transgressão das regras e das leis da sociedade socialista”
E como fazer esse controle? Lênin ensinou:
“Num determinado lugar, uma dúzia de homens ricos, uma dúzia de trapaceiros e meia dúzia de operários, que descuraram de seus deveres no trabalho, devem ser colocados numa prisão. Num outro lugar, eles devem ser postos para limpar as latrinas. Num terceiro, devem receber um cartão amarelo depois de cumprido o seu tempo de prisão, de modo que a população mantenha sobre tais indivíduos nocivos um olhar vigilante até que melhorem seus procedimentos. Num quatro lugar, um em cada dez acusados de parasitismo deve ser executado na hora”
Essas propostas foram colocadas em prática por um decreto de 14 de maio de 1921 do Politburo. Tudo em nome da legalidade revolucionária.
A OMS considera que o índice acima de dez homicídios por cem mil habitantes como violência epidêmica. A meta do programa federal de segurança é de 12 por cem mil. No ano passado, a Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp) constatou que apenas o Piauí atingiu a meta. O estado contabilizou a taxa de 11 assassinatos por cem mil habitantes.
“Quase todos os homens são capazes de suportar adversidades, mas se quiser por à prova o caráter de um homem, dê-lhe poder”
Abraham Lincoln
Passei o fim de semana em Cururupu. Nada de novo! Tudo de velho! A viagem é sempre um suplício! No ferry-boat ninguém respeita ninguém. Os banheiros são uma fedentina só. Já na localização dos carros, no interior do ferry, somos submetidos a um desnecessário constrangimento: nos obrigam a colar os carros de tal forma que, algumas vezes, só se sai pela janela ou pela porta do carona. Quando reclamamos – e eu reclamo – ainda nos tratam mal. Horário? Bem, horário ninguém cumpre. Só se sai com atraso de pelo menos meia hora. O motorista/usuário, de seu lado, não tem o direito de atrasar. Se atrasar, corre o risco de ficar, como testemunhei hoje com uma senhora grávida. Na volta, o suplício de sempre, com a adição de um ingrediente perverso: ninguém sabe em qual fila se deva ficar para embarcar o veículo. Ninguém informa direito. No dia de hoje, depois de três informações desencontradas, consegui, enfim, me colocar na fila verdadeira. E as estradas? Bem, as estradas, como sabido, estão em mal estado. Já vi piores, é verdade. Mas, ainda assim, devo dizer que estão em estado deplorável e, para completar, sem sinalização. E a cidade de Cururupu? Bem, vá lá e veja. Tudo que eu disser é pouco. O pouco que se faz parece um favor. E tempo vai passando e as coisas, com as chuvas, tendem a piorar. Ah, Maranhão! Aliás, perguntar não ofende: o Maranhão tem jeito?
Determinados homens públicos diriam, sem constrangimento:
“Não sou um completo inútil… ao menos sirvo de mau exemplo”
Muitos de nós não somos capazes de perceber que, numa relação conflituosa, podemos ser os únicos responsáveis pelos conflitos. Tendemos, ao que vejo e sinto, a crer que os defeitos estão nas outras pessoas; não nos damos conta, nesse sentido, que o problema, ao reverso, pode, sim, estar dentro de nós. É por isso que tenho procurado, na medida das minhas possibilidades e da minha falibilidade, entender, em face de um conflito, onde errei, em que medida fui o responsável pela desinteligência. Assim agindo, tenho (con)vivido melhor com o meu semelhante, mesmo porque a mim não me custa nada reconhecer quando erro, quando fui culpado por uma desavença. Não sou dos tais que imagina, equivocadamente, que o inferno está sempre nas outras pessoas, mesmo porque, tenho afirmado e reiterado, sou igualzinho a todo mundo. Triste de quem pensa diferente.