Nos últimos posts, percebi a destempo, havia vários erros de grafia. Tentei repará-los, agora. Não posso afirmar, entretanto, que não existam outros. Peço desculpas aos leitores. É que, todos sabem, o autor dos textos quase nunca se dá conta dos erros que comete.
Categoria: Diversos
Irresponsável carreirista
A todo instante sou instado a justificar por que decidi não concorrer a cargo de direção do TJ/MA. Dizem os questionadores que chegar à Presidência do TJ e à Corregedoria seria o coroamento de uma carreira, como se, ao reverso, a minha carreira não tivesse nenhuma relevância, só porque não fui capaz de colocar o meu retrato no panteão dos que assumiram a direção do órgão.
Devo dizer, na tentativa de pôr termo à discussão, que não sou carreirista, que não assumi a magistratura para ser presidente ou corregedor. Eu assumi a magistratura para ser magistrado, para decidir, para julgar as questões postas à minha intelecção. Nesse sentido, creio que a minha vida judicial é mais que vitoriosa. Digo mais: não tenho pendores para administrar. Diga demais: pelo pouco que tenho visto nos dias presentes – e que testemunhei no passado -, eu não teria condições de administrar tantas idiossincrasias, tantas incompreenssões, tanta vaidade e arrogância juntas. Poucos, ao que vejo e sinto, em todas as instituições onde prevalece o egocentrismo, se unem para e pelo bem da instituição. Ao que vejo, em todas as corporações, sem exceção, parece que estão sempre jogando contra, como se a administração não fosse impessoal, como se fosse correto torcer e trabalhar contra, para que o colega não fosse reconhecido pelo trabalho que realiza. Vou além: para administrar, para dirigir o Poder Judiciário ou a Corregedoria, não basta, na minha visão, ser magistrado de segundo grau. Administrar vai muito além disso. Nesse sentido, admito, com humildade, que não estou preparado para esse mister.
Nas comarcas pelas quais passei, admito que fui um péssimo administrador, pois que limitei-me, equivocadamente, a julgar, tão somente, sem me preocupar, como deveria, com na área administrativa. Com esse passado de (ir)realizações, na vertente administrativa, não posso mesmo pretender dirigir o Poder Judiciário do meu estado, apenas para “coroar de êxito” a minha carreira, pois, se assim o fizesse, eu não seria mais que um irresponsável carreirista.
Estou lendo

Estou lendo mais uma biografia de Maria Antonieta, de Antonia Fraser, e a biografia de Evaristo de Moares, de Joseli Maria Nunes Mendonça, livros que , para quem gosta desse tipo de leitura.
Da biografia de Maria Antonieta pode-se tirar várias lições, dentre as quais a que condiz com a maldade do ser humano, e do que ele é capaz quando pretende de denegrir a imagem das pessoas que ele elege como inimigas.
Da biografia de Evaristo de Moraes o fascinante é constatar como um homem de origem humilde, nos tempos marcados pelo racismo( era mestiço), conseguiu se destacar entre os intelectuais, juristas e políticos de sua época, defendendo os mais humildes das arbitrariedades policiais.
Feliz Natal
Estamos vivendo os momentos que antecedem a data magna da cristandade. Nesses momentos, nos quais afloram em nós, com mais veemência, os sentimentos altruístas, desejo a todos os leitores do meu blog que vivam essa data intensamente, tendo em conta o seu real significado.
Rogo a todos, especialmente, aos impregnados de soberba, que pratiquem, na oportunidade, o exercício da humildade. mirando-se no exemplo de Jesus Cristo, que, sem arrogância, construiu a história mais fascinante de que se tem noticia.
É de rigor que o discurso se harmonize com a prática de vida
Não se tem mais dúvidas de que vivemos uma nova era no Tribunal de Justiça do Maranhão.
A verdade que salta aos olhos é que práticas antigas – algumas delas reprováveis – estão sendo substituídas, ainda que paulatinamente, por práticas mais saudáveis.
Vejo, nos dias atuais, por exemplo, uma evidente predisposição para não recondução de magistrados a determinados cargos,o que é, desde meu olhar, prática das mais saudáveis, pois que possibilita a alternância de poder e, com ela, de entender e decidir.
Imbuídos desse sentimento, vários desembargadores decidiram, na sessão administrativa de ontem, dia 15 do corrente, pela não recondução do Des.Lourival Serejo para direção da Escola Superior da Magistrura do Estado do Maranhão.
Conquanto reconheça a excelência de sua gestão – pela qual o parabenizo, publicamente -, não posso deixar de, no mesmo passo, reconhecer a importância de se promover a alternância da direção.
É compreensível que muitos possam não ter entendido por que deixei de votar pela recondução do Desembargador Lourival Serejo, sendo dele amigo fraterno. É que, nesse caso, não pode prevalecer o compadrio ou a amizade. Eu não posso dizer uma coisa e fazer outra. A ele próprio tive a oportunidade de dizer, repetidas vezes, que sou contra qualquer recondução. Assim dizendo e pregando, não poderia mesmo trair o meu discurso,convicto de que o meu discurso tem que ser a minha prática de vida.
O que estou lendo e relendo
A equivocada opção pelo isolamento
Por opção minha – equivocada, registre-se – ,eu me fechei no meu mundo; mundo restrito à minha família e à família da minha mulher. Determinado dia, dei-me conta do equívoco da minha decisão. Tentei, ante essa constatação, retomar o contato com os amigos de outrora. Para minha supresa, apesar das tentativas que fiz, não consegui voltar à convivência do passado. Percebi, macambúzio, que os amigos de outrora, com os quais jogava baralho, tomava cerveja e fazia churrascos, não demonstraram nenhum entusiasmo em restabelecer a antiga convivência. Contrafeito, decidi levar a minha vida na mesma balada, consciente de que o único errado sou eu.
Essas reflexões me ocorrem em face do que leio agora, no livro de Ingrid Betancourt – NÃO HÁ SILÊNCIO QUE NÃO TERMINE. Explico. A sua companheira de cativeiro, uma de suas assessoras de campanha, num determinado momento, lamentou que não pudesse, estando nas mãos do sequestradores, cuidar da plantas de sua residência. E lamentou muito mais ainda ter optado por viver sozinha. Ela lamentava, por exemplo, o fato de nunca ter dado as chaves de sua casa à sua mãe, para, no mesmo passo, constatar, amargurada, o quanto foi errada a opção de ser sozinha no mundo.
Eu, de meu lado, não estando submetido a nenhum controle em minha liberdade de ir e vir, penso que ainda é tempo de recompor as antigas amizades. Vou tentar, sim, restabelecer contatos com meus amigos de outrora, sem, contudo, deixar de sublimar o meu relacionamento com a minha família, que, para mim, ainda é o mais relevante.
De volta
Estou de volta. Em breve, publicarei novos posts.


