Isolar-me, por quê?

Depois do meu discurso de posse todos dizem que vão me isolar dentro do Tribunal de Justiça do Maranhão. Confesso que, diante dessas afirmações, fico estupefato. Não acredito nisso. Um homem público não pode confundir o interesse público com questões pessoais. As questões por mim ventiladas não se destinaram a ninguém individualmente, daí que me causa estupor a simples cogitação de que me isolarão dentro do Tribunal.

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Ouvidoria

Vou me candidatar a ouvidor do Tribunal de Justiça, tão logo seja implantada a nossa Ouvidoria, em face de recente deliberação do CNJ. Eu faço questão de ser o primeiro ouvidor do Tribunal de Justiça do nosso estado. Claro que isso depende dos meus pares. Não tenho muita convicção de que atenderão a esse meu pleito. Em todo caso, sou candidato – para ganhar ou perder. Acho que posso dar uma grande contribuição nesse sentido.

Carro oficial

Poucos dias depois de promovido, fui ao gabinete de vários colegas de primeira instância, no Forum do Calhau. Na oportunidade fiz ver a eles que, ainda que oficiosamente, o carro destinado ao meu gabinete ficaria à disposição de todos eles para quaisquer diligências reputadas urgentes. Não conversei com todos, pois nem todos encontrei, vez que fui muito cedo ao Forum. Os que conversei – Guanaré, Maria da Conceição, Ana Célia e outros – , entrementes, podem, se lhes invocar o testemunho, confirmar o que estou dizendo.

Amanhã, vou procurar me informar se essa minha intenção não conflita com as deliberações do CNJ. Se não houver conflito, está mantida a minha decisão.

Claro que isso não quer dizer que o veículo não será utilizado a serviço do meu gabinete, pois ele é mais que necessário. O que prometo em relação ao uso a serviço do meu gabinete, é que excesso não haverá, como, de resto, ao que sei, nenhum colega desembargador está abusando do uso do veículo oficial. Nesse sentido, o que vi no Tribunal, até hoje, é muita austeridade. É possível, sim, que haja os que se excedam. Mas isso não é a regra, ao que vejo e estou informado.

Li no blog O Parquet

As tripas

(Foto: sítio do TJMA)

A crítica aos outros é, quase sempre, aceitável; às vezes, aplaudida. A autocrítica é amaldiçoada. A boca que a proferir deve conhecer a estigmatização, o ranger de dentes. De hoje, não; assim, desde antanho. Para nossas instituições, falar das outras é ousadia, falar da sua é covardia. Muitas até suportam a autocrítica, desde que seja na forma de fuxico, ti-ti-ti, diz-que-me-disse, sem rosto, sem autoria, sem personalidade.

José Luiz Oliveira de Almeida tomou posse no cargo de desembargador do TJMA (22/02). Como qualquer vivente, tem afetos e desafetos. Uns e outros por conta do exercício que faz daautocrítica. Não presumo, tenho certeza que não é perfeito, e que sabe disso. Mas tem sido um profissional exemplar. Que seus olhos e ouvidos, no Tribunal, auscultem além do seu gabinete, para, se for o caso, revelar à sociedade as tripas. Boa sorte!

Limpeza ética

Depois do discurso de posse todos dizem que vão me isolar dentro do Tribunal de Justiça do Maranhão.

Confesso que, diante dessas afirmações, fico estupefato.

Como me isolar, se tudo o que eu disse é do conhecimento público? Como e por que me isolar, se apenas constatei um fato, ou seja, que vivemos uma crise moral sem precedentes, cujo exemplo maior foi, recentemente, a aposentadoria compulsória de vários juízes e desembargadores no Espírito Santo? Por que a mágoa comigo, se, quando critiquei a baixa produtividade dos juízes do Maranhão, apenas reafirmei o que todos sabem? Por que ódio, se tudo que quero é que o Poder Judiciário seja respeitado o que, de rigor, é a aspiração de todos? Por que o dissabor, por que a indignação, se o correto é punir, sim, os que desviam a conduta?

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