Nominei, em plenário, de decisão elitista a posição do Tribunal de Justiça, em face de uma postulação dos juízes de direito dos Juizados Especiais – encapada pela OAB/MA -,no sentido de funcionamento de todos os Juizados Especiais em um só prédio.
Iniciei meu voto parafraseando o poeta, dizendo que a Justiça tem de ir aonde o povo está, e que, ademais, essa centralização, equivaleria a uma quase negação de jurisdição, tendo em vista que a clientela desses Juizados, marcadamente carente, deixaria de buscar a Justiça, em face do distanciamento propiciado pela centralização.
Sinceramente, não consigo imaginar uma pessoa se deslocando, por exemplo, do Maracanã, para a sede dos Juizados, no Calhau, para questionar a propriedade de um bem de valor irrisório – um porco, uma galinha ou um pato, por exemplo.
Dei meu testemunho de que, ao longo dos anos que militei numa vara criminal, por diversas vezes eu e meus funcionários nos cotizamos para pagar a passagens de testemunhas, que não tinham condições de se deslocar ao Fórum, localizado no bairro Calhau, para prestar depoimento.
Ademais, agora secundando os argumentos do eminente Des. Paulo Velten, dei o meu testemunho da relevância da presença de um representante do Poder Judiciário próximo da comunidade onde ocorreu o fato, em face da minha experiência nas comarcas pelas quais passei e nas quais fixei residência.
A centralização dos Juizados, não tenho dúvidas, reprimirá a demanda e só atenderá às expectativas de duas classes: juizes e advogados.
Os votos contrários – meu e dos Desemabragadores Paulo Velten e Lourival serejo – serviram apenas para alertar o equívoco da decisão, pois a maioria decidiu pela centralização.