As corporações e os chalaças

O mais célebre – ou, pelo menos, o mais fiel – dentre os validos de D. Pedro I foi, sem dúvidas, Francisco Gomes da Silva, alcunhado “Chalaça”. “Chalaça” estava sempre disposto a servir ao amo, em todos os momentos, em todas as circunstâncias, pouco importando os escrúpulos, os meios ou os fins – e foi assim que ascendeu enquanto agente estatal.    

Francisco Gomes da Silva, com efeito, de simples criado particular do Paço, foi sucessivamente promovido pelo Imperador a ajudante de guarda de honra e, depois, a secretário particular, passando daí a ter excepcional influência no governo.

A influência de “Chalaça” era tamanha que os brasileiros e portugueses, se queriam algo do governo, tinham de cortejá-lo.

“Chalaça”, além de valido, era, demais, um emérito gozador. Bem-humorado, sob quaisquer circunstâncias, conquistou D. Pedro I, também em face desse talento, daí o apelido “Chalaça”, que quer dizer espirituoso, zombeteiro, gozador.

Por razões óbvias, o termo “Chalaça” será usado neste artigo como sinônimo de puxa-saco e não de espirituoso, zombeteiro, como antes mencionado.

 

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As mentiras que eles contam

Joe Navarro é agente do FBI e é especialista em mentira. Nos últimos anos, segundo a revista Veja, edição 2040, de 26 de dezembro de 2007, ele rastreou 100 sinais típicos dos mentirosos. 

Indagado por Veja se era capaz de flagrar qualquer pessoa na mentira, ele respondeu que, infelizmente, 10% dos mentirosos passam incólumes por qualquer detector de mentiras. Ele acrescentou que essas pessoas se destacam das demais pela rara habilidade que têm de mentir, ou seja, de camuflar os sinais típicos da mentira.

Em outro excerto da entrevista, Navarro afirmou que os brasileiros mentem mal, pois abusam das expressões e gestos, facilitando, assim, a percepção da afirmação mendaz.

Vou refletir acerca desse tema, a partir da minha experiência profissional, para demonstrar que os acusados mentem, não exclusivamente pelo extinto de defesa, não porque abusam das expressões e gestos, mas por falta de orientação profissional e por suporem que são muito espertos.

Com os episódios vivenciados, flagrados por mim, vou demonstrar, ademais, que, muitas vezes, não precisa ser um especialista, para flagrar uma mentira.

À medida que for recordando os episódios por mim vivenciados como magistrado, vou narrá-los nesse blog, porque são episódios interessantes exemplares e pedagógicos, sobretudo aos novos advogados.

Pois bem. Com quase trinta anos de atividades profissionais – como advogado, promotor e juiz de direito – já me deparei, claro, com incontáveis mentiras de acusados. A maioria dos mentirosos, no entanto, é flagrada por mim, muitas por pura inabilidade deles próprios e/ou de quem os orienta para mentira.

A mentira bem articulada passa, muitas vezes, à ilharga das nossas percepções. Eu já fui ludibriado incontáveis vezes, mas tive o prazer(?) de outras tantas vezes flagrar o réu e/ou a testemunha mendaz(es).

O episódio que vou narrar a seguir é cômico, não fosse trágico para defesa do acusado.

 

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Num tô nem aí

Você, certamente, já ouviu alguém muito próximo verbalizar essa frase. Se a frase é proferida circunstancialmente, tudo bem. Qualquer um de nós pode, em determinado momento, pronunciá-la. Entrementes, se essa frase traduz um estilo de vida, uma pratica de vida, uma profissão de fé, uma doutrina, um norte, um prumo, um caminho a ser seguido, bom, aí é de preocupar.

O cidadão (?) que emprega essa frase como um aforisma, está muito longe de ser um exemplo a ser seguido. Eu tenho muito dificuldade de conviver com quem faz apologia do “num tô nem aí”. Eu tenho, devo admitir, muita restrição a quem, diante de um determinado contratempo, se limita a proferir o apotegma “num tô nem aí”.

O indivíduo é chamado de guloso, obeso, viciado, cachaceiro, safado, trambiqueiro, golpista, trapaceiro, dentre outros predicados, e responde, singelamente: “num to nem aí” para quem se incomoda com o meu vício, minha cachaça, minha gula, com meus trambiques, com as minhas trapaças. E arremata: eu não sou o único safado deste mundo. E, finalmente, obtempera: eu não nasci para consertar o mundo. Esse cara, convenhamos, não tem vergonha. Creia!

 

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As farras com o dinheiro público

Confesso que sempre que sou informado da destinação de mais verbas para os municípios sou tomado de muita raiva, de indignação, de revolta. É que, todos sabem, parte das verbas destinadas as prefeituras é, via de regra, desviada. Elas só têm servido mesmo para enriquecer meia dúzia de gatunos.

A verdade, pura e simples, é que os dilapidadores do dinheiro público nada temem. São viciados. São insensíveis. São descarados. São capazes de qualquer coisa para alcançar o dinheiro público. Felizmente, uma vez ou outra, para nos alentar, surge uma operação rapina. Nessa hora é que se vê como são descarados determinados homens públicos.

Sonho, almejo, com sofrequidão, com o dia em que essa rapinagem pelo menos arrefeça, pois é triste pagar tanto imposto e não ver o nosso dinheiro traduzido em benefício da sociedade.

É muito desigual viver numa sociedade de consumo com esses bandidos.

 

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Preconceito, discriminação, intolerância…

 

 

O ser humano é discriminador e preconceituoso. As pessoas discriminam o semelhante em face da roupa veste, em face do peso que tem, em face da estatura que alcançou, em face do bairro onde mora, em face do carro que usa, em face do penteado que adota, em face da barba que muda o rosto, em face da opção sexual, em face da cor, em face do credo, em face da função que exerce, em face dos bares que freqüenta, em face das pessoas que o acompanham, em face da doença que carrega e,a até, em face da comida que lhes sacia a fome.

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Os alcaides e o boicote sexual

A história registra que as mulheres de Atenas se recusaram praticar sexo com seus maridos para que encerrassem a guerra com Esparta.

O então Deputado Márcio Moreira Alves, na manhã de 03 de setembro de 1968, subiu e à tribuna da Câmara dos Deputados para protestar contra a ocupação da Universidade de Brasília, da qual resultou espancamentos e prisões de estudantes. O deputado, na oportunidade, sugeriu às esposas dos militares que evitassem contato sexual com os seus maridos – como fizeram as mulheres de Atenas -, como forma de protesto pela ação militar na UNB.

Márcio Moreira Alves foi adiante, sugerindo, no mesmo passo, que as namoradas dos cadetes também se recusassem a manter qualquer relação com eles, pelas mesmas razões.

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O preço que se paga por ser diferenciado.

Definitivamente, não é fácil viver numa corporação. A vida de qualquer profissional se torna ainda mais difícil numa corporação, se ele, por infelicidade, tiver um pouco mais de lucidez que seus pares – pares invejosos, registro. Se ele for do tipo diferenciado, ta ferrado! É do tipo que gosta de trabalhar? Então, tem que suportar a pressão. É do tipo que se esmera para fazer o melhor possível? Pois tem que pagar um preço alto por isso, afinal, é proibido, numa corporação, não ser medíocre, estar acima da média, ser voluntarioso, arrojado, destemido. Dedicação? Audiência pela manhã e pela tarde? Isso parece um pecado capital numa corporação.

 

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O mais perigoso dos animais

No dia de ontem, terminei a leitura de 1808, de Laurentino Gomes, livro que trata da fuga de D. João VI de Portugal para o Brasil, depois de ser escorraçado por Napoleão Bonaparte.

Tudo no livro é de fácil e agradável leitura. Mas, como todo bom livro, nele há passagens nauseantes, que tornam a leitura, às vezes, engulhante.

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