Confesso que todos os dias penso em me aposentar. Há dias que penso mais; outros, nem tanto.
O certo e recerto é que, definitivamente, aqui ( no Tribunal de Justiça) não é meu mundo.
É que não gosto de descortesias. Todavia, contraditoriamente, aqui e acolá, nas sessões do TJ/MA, sou – ou me sinto? – agredido.
As razões? Procuro-as, com sofreguidão, mas não as encontro.
Não suporto, ademais, os que têm obsessão de si.
Paradoxalmente, sinto que a minha imagem, no Tribunal, é de um narcisista empedernido.
Hoje, na sessão do Pleno, a minha vontade de sair da ribalta, de deixar o proscênio, aflorou com muita intensidade.
Quem assistiu a sessão do Pleno sabe do que estou falando.
Aqui parece ser pecado defender uma tese oposta, ainda que se faça com o maior cuidado, escolhendo as palavras.
Eu tenho primado, na relação com os meus colegas, pela cortesia e pela gentileza.
Ninguém pode alegar, portanto, que eu, em qualquer momento, tenho deixado de ser cortês com os meus pares – mesmo em relação aos que não têm manifestado o menor carinho pela minha pessoa.
Para os que não pensam como eu, para os que não aceitam ser contestados, para os que se sentem bem com a descortesia, trago uma frase lapidar do professor Luis Roberto Barroso, para reflexão:
“Ser gentil é como fazer a vida acontecer ao som de uma boa música”