Engolindo elefante

A ninguém foi dado o dom de prever o futuro. Muitas coisas que acontecem no dia-a-dia de nossa vida às vezes nos surpreendem. O futuro é incerto, definitivamente. Os mais crédulos costumam dizer que o futuro a Deus pertence. Não sei ao certo. Só sei que, sem que se saiba do porvir, o melhor mesmo é não complicar a vida, viver a vida intensamente – mas responsavelmente. Cada segundo, cada minuto, cada hora de nossa curta passagem na terra têm que ser vividos com intensidade – sem complicação. Continue reading “Engolindo elefante”

O poder da ostentação; a ostentação do poder.

Preparei-me para o carnaval com várias matérias jurídicas, filmes e livros. Como o tempo foi relativamente curto para leitura, me detive na leitura de uns poucos artigos jurídicos e de um livro apenas. O livro em questão é o best-seller Travessuras da menina má, de Mário Vargas Llosa. Nesse romance o autor permeia ficção e realidade. Continue reading “O poder da ostentação; a ostentação do poder.”

Meu filho e o assaltante petulante

Na última quinta-feira, por volta das 4:30 da manhã, meu filho se dirigia ao bairro do São Francisco, para levar uma amiga em casa, quando, no Renascença, próximo ao prédio onde funcionava o Yázigi, foi assaltado. Ao diminuir a marcha do veículo para entrar na curva, apareceu um meliante, de arma em punho, anunciando o assalto. Levou do meu filho e da amiga os aparelhos de telefone celular. Meu filho, seguindo as minhas instruções, não reagiu e, friamente, ainda pediu o chip do seu aparelho, os seus documentos e os de sua amiga. Continue reading “Meu filho e o assaltante petulante”

O Brasil corrupto

O Brasil, segundo relatório da Transparência Internacional, uma organização não-governamental, é um dos setenta paises mais corruptos do mundo. O Brasil

aparece em 70º lugar em uma lista de 163 nações classificadas de acordo com uma nota que varia de zero a dez, em um documento chamado Índice de Percepções de Corrupção. Continue reading “O Brasil corrupto”

A violência, o estado paralelo e a falta de credibilidade dos nossos homens públicos.

Enquanto fazem novas leis, sob o conforto dos seu gabinete, com a preconização de penas mais severas, apresentando-as à sociedade como um remédio de amplo espectro, esquecem os nossos políticos de investir, decisivamente, em segurança pública, em novas unidades penitenciárias, no cidadão, no jovem, na criança, na educação, nos órgãos de segurança, no recrutamento e na capacitação dos agentes públicos.

Juiz José Luiz Oliveira de Almeida

Titular da 7ª Vara Criminal

 

Antecipo  um  excerto relevante.

  1. Omissos os nossos homens públicos, nessas e noutras questões, – tratando, por exemplo, os encarcerados como se fossem um excremento, humilhando-os, mantendo-os nas condições mais adversas e inumanas, fomentando e estimulando, com sua omissão, as desigualdades sociais – estimulam o surgimento das organizações criminosas, as quais, nessas condições, têm poder de fogo para recrutar os nossos jovens que, descrentes de tudo, excluídos da sociedade de consumo, sem perspectiva de ascender socialmente, tendem a crer nos líderes criminosos; líderes que, diferentemente dos nossos homens públicos, costumam honrar os seus compromissos com a comunidade que “representam”. Em todas as sociedades, devo redizer, é sempre assim: quando o Estado oficial se omite, o Estado paralelo se fortalece. Fortalecido, com poder de fogo induvidoso, os líderes do Estado não-oficial externam a sua força, sem limites, sem parcimônia, corrompendo policiais, juizes, promotores, agentes penitenciários, ficando, definitivamente, as bases da impunidade, realimentadora, não se tem dúvidas, da criminalidade.

A seguir, a crônica.

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